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A UE concede poderes à ESMA para supervisionar as bolsas de valores e de criptomoedas

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
A UE concede poderes à ESMA para supervisionar as bolsas de valores e de criptomoedas

Fonte: site da ESMA.

  • A UE planeja expandir os poderes da ESMA para supervisionar diretamente as principais bolsas de valores e de criptomoedas.
  • Essa medida reduzirá a fragmentação do mercado e fortalecerá a competitividade da Europa em relação aos EUA.
  • Os críticos temem custos de conformidade mais elevados e a perda do controle nacional.

A União Europeia deverá apresentar o plano para o seu quadro financeiro, que permitirá à Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) supervisionar as bolsas de valores, as plataformas de criptomoedas e as organizações de pós-negociação mais importantes dos seus Estados-Membros. 

Esta iniciativa faz parte da estratégia abrangente da Comissão Europeia para criar um mercado competitivo, que se espera que supere o dos EUA e de outros concorrentes. 

A nova regulamentação proposta ampliaria as capacidades de supervisão direta da ESMA sobre as empresas mais críticas do mercado, tanto em âmbito europeu quanto transfronteiriço. 

Atualmente, cada Estado-membro da UE possui um órgão regulador separado responsável pela monitorização destas bolsas de valores, bem como de outros mercados. 

De acordo com a Comissão, a proposta proporcionará conhecimento especializado em regulamentação, ao mesmo tempo que criará um ambiente adequado para negociações transfronteiriças em bolsa para novas empresas e investidores europeus.

A iniciativa também é crucial para o objetivo da UE de concluir a sua União dos Mercados de Capitais. A Comissão apresentará o pacote de integração de mercado em dezembro. Este seria o projeto de lei para expandir de fato a autoridade decisória da ESMA. 

O plano da ESMA também prevê a resolução de litígios entre agências nacionais. Se esses litígios envolverem grandes operações transfronteiriças entre setores de agenciamento de ativos ou setores financeiros com atuação global, podem surgir disputas entre as suas entidades nacionais. 

Surgem divisões nacionais em relação à supervisão centralizada

Diversos apoios à iniciativa foram ouvidos nas principais capitais, mas o suporte ainda varia entre os Estados-Membros. Por exemplo, a França, defensora de longa data do regulador do mercado único, apoia firmemente a ideia, alegando que ela impedirá o fenômeno da arbitragem regulatória, em que empresas se constituem em um Estado com regulamentação mais branda para atender ao restante da UE. 

Historicamente, a Alemanha relutava em ceder o controle financeiro a Bruxelas, mas o atual governo, liderado por Friedrich Merz, mudou de posição. A grande maioria dos países da UE percebe isso como um entendimento de que a Europa precisa reestruturar seu mercado e se adaptar para acompanhar os tempos.

No entanto, alguns países, como Luxemburgo, Irlanda e Malta, não compartilham desse entusiasmo. Argumentam que a supervisão da ESMA enfraqueceria seus setores financeiros e os privaria da expertise de seus órgãos reguladores locais. Representantes desses países defendem que a melhor solução é equilibrar a centralização com a convergência e a coordenação entre os reguladores da UE e do EEE. 

Alguns grupos do setor também estão preocupados. Associações de fundos e as principais corretoras enfatizam que trabalhar com a autoridade reguladora nacional garante a máxima personalização. Eles argumentam que negociar com a ESMA, que adota uma abordagem padronizada, pode resultar em custos de conformidade mais altos e mais entraves burocráticos. Para as criptomoedas em particular, a ESMA ainda não preparou uma regulamentação especificamente adaptada para o setor.

Reforma da UE remodela os mercados de ações e criptomoedas

A reforma também visa simplificar as operações transfronteiriças das bolsas de valores europeias. As grandes plataformas de negociação não precisariam mais interagir com dezenas de reguladores nacionais; em vez disso, seriam responsáveis ​​perante a ESMA. 

Além disso, a situação pode contribuir para a harmonização de normas e a redução de custos administrativos. Para os prestadores de serviços de criptoativos, a mudança é ainda mais acentuada. Atualmente, as empresas de criptomoedas são regulamentadas pelo âmbito do Markets in Crypto-Assets (MCA ), que concede licenças a nível nacional, mas permite que as empresas operem em toda a Europa através de um mecanismo conhecido como "passaporte". 

Em vez disso, as maiores e mais relevantes empresas de criptomoedas estariam sujeitas à supervisão imediata da ESMA. Isso pode ser um desenvolvimento positivo, pois pressionaria por uma maior fiscalização e garantiria uniformidade em todo o bloco. 

Prevê-se que a implementação de uma estratégia mais homogênea possa dificultar a chamada "escolha de regulamentação" e ajudar a sanar as lacunas de supervisão existentes, garantindo que menos empresas prejudiciais consigam escapar da fiscalização. 

Para os investidores, o modelo oferece níveis aprimorados de proteção e transparência. Um regulador forte teria mais recursos para lidar com potenciais preocupações transfronteiriças, garantindo a inexistência de brechas regulatórias e aplicando uma vigilância mais rigorosa contra a manipulação de mercado. 

De acordo com a Comissão, o modelo tem um toque local. As autoridades locais continuarão responsáveis ​​pela supervisão das pequenas empresas e pela fiscalização diária. A ESMA terá jurisdição sobre as organizações que operam em vários países ou que são essenciais para a economia.

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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