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A UE não está preparada para emitir eurobônus para financiar dívidas de rearme, afirma comissário de defesa

PorLubomir TassevLubomir Tassev
Tempo de leitura: 3 minutos
A UE não está preparada para emitir eurobônus para financiar dívidas de rearme, afirma comissário de defesa
  • A UE ainda não está preparada para emitir eurobônus para financiar gastos com defesa nos estados membros.
  • O Comissário de Defesa Andrius Kubilius afirma que as nações da UE deveriam usar outros instrumentos no plano "Preparação 2030".
  • A União Europeia terá que gastar uma parte significativa de seu orçamento de longo prazo para pagar a dívida relacionada à pandemia.

A União Europeia não está atualmente preparada para emitir eurobônus para financiar os gastos necessários para fortalecer o poderio militar em todo o bloco por meio de dívida, admitiu o Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, em entrevista.

Os Estados-Membros devem agora analisar outras opções listadas no plano recentemente divulgado "Rearm Europe/ Readiness 2030", uma vez que a União ainda não encontrou uma solução para o reembolso dos empréstimos utilizados para o financiamento da recuperação pós-pandemia, sugeriu o responsável europeu.

Bruxelas não está preparada para financiar a prontidão da defesa com dívida da UE

Por ora, espera-se que os países da UE utilizem os instrumentos já previstos no plano "Preparação 2030", em vez de recorrerem à dívida conjunta para financiar despesas militares, indicou o chefe da Defesa da União. Andrius Kubilius declarou à Euronews que o bloco não está preparado para emitir eurobônus para esse fim.

Antes das discussões sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (MFP), a comissária enfatizou que a União Europeia terá de gastar uma parte significativa do seu orçamento de longo prazo para pagar a dívida relacionada com a pandemia, a menos que seja encontrada outra solução.

A UE precisa decidir primeiro como cobrir a dívida resultante das subvenções de recuperação emitidas na sequência da Covid-19. Prevê-se que os reembolsos anuais variem entre 25 mil milhões e 30 mil milhões de euros (mais de 32 mil milhões de dólares), o que corresponde a 20% dos cerca de 1,2 biliões de euros do Fundo Monetário Europeu, que representam 1% do PIB da UE.

“Os eurobônus significam que a União Europeia terá uma dívida maior, que precisará ser paga novamente por todos os Estados-membros, e agora temos, de certa forma, um desafio sobre como pagar a dívida existente”, explicou Kubilius, ex-primeiro-ministro da Lituânia e ex-líder do partido conservador União da Pátria.

A Comissão Europeia (CE) apresentou seu plano “Rearmando a Europa” no início deste mês e, posteriormente, renomeou-o para “Preparação 2030” após objeções da Itália e da Espanha. Seus primeiros-ministros defenderam a ampliação do escopo do termo para abranger áreas além da simples aquisição de armamentos, como segurança cibernética, antiterrorismo, inteligência artificial e telecomunicações.

A iniciativa visa reforçar as capacidades de defesa dos Estados-Membros da UE e expandir a produção militar em todo o Velho Continente. O seu principal objetivo é mobilizar até 800 mil milhões de euros para a defesa e segurança nos próximos quatro anos.

A UE ambiciona que os gastos com defesa nos Estados-Membros representem 3,5% do PIB

A maior parte desse total, cerca de 650 mil milhões de euros, deverá provir do aumento das despesas de defesa dos Estados-Membros para até 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para atingir esse objetivo, a Comissão apresentou um conjunto de propostas, incluindo a flexibilização das regras orçamentais e atracde capital privado.

“Nos próximos quatro anos, em um cenário ideal, os Estados-membros começarão a gastar 3,5% do PIB, o que representará um gasto de € 2,4 trilhões em defesa. A questão é: isso será suficiente para todas as necessidades?”, comentou Andrius Kubilius, que espera ter mais clareza sobre o assunto nos próximos meses.

Os restantes 150 mil milhões de euros deverão ser assegurados por um novo instrumento financeiro de empréstimo denominado Ação de Segurança para a Europa (SAFE). Este permitirá ao órgão executivo em Bruxelas emitir obrigações e contrair empréstimos nos mercados de capitais para financiar os países da UE.

No âmbito do SAFE, a Comissão Europeia exige que pelo menos 65% do valor de alguns itens, como mísseis, pequenos drones e munições, sejam adquiridos dentro da UE, da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), do Espaço Econômico Europeu (EEE) ou da Ucrânia devastada pela guerra. "Queremos incentivar os Estados-Membros a gastarem mais dinheiro na produção europeia", destacou Kubilius.

A Comissão estimou que a União Europeia precisará de centenas de bilhões de euros em novos investimentos até o final da década para se manter competitiva no cenário global, combater as mudanças climáticas e atender às crescentes necessidades de defesa.

Na semana passada, a Comissão Europeia apresentou um plano para direcionar parte dos € 10 trilhões em poupanças dos cidadãos para os mercados de capitais. Enquanto isso, a potência econômica da Europa, a Alemanha, removeu seu "freio da dívida" constitucional para poder contrair empréstimos para projetos de infraestrutura, clima e defesa.

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