Nações da UE pressionam por negociações urgentes com a equipe de Trump para evitar consequências comerciais

- Os líderes da UE querem conversações urgentes com a equipe de Trump para impedir que as tarifas prometidas por ele destruam suas economias.
- O bloco está se preparando para retaliar com tarifas represálias caso Trump leve adiante suas políticas protecionistas.
- O euro caiu para o seu nível mais baixo em dois anos, com os investidores apostando em cortes agressivos nas taxas de juros do BCE para salvar a economia em dificuldades.
Os países da União Europeia estão em pânico com a iminente administração de Donald Trump. Eles querem iniciar negociações com sua equipe agora para evitar um desastre comercial completo.
O sujeito deixou claro que está totalmente comprometido com políticas protecionistas, e a Europa não está exatamente disposta a surpresas vindas de seu maior parceiro comercial. Alguns diplomatas da UE dizem que o bloco deve estar preparado para tudo, inclusive para impor tarifas retaliatórias sobre produtos americanos caso Trump cumpra suas ameaças.
Na quinta-feira, ministros do comércio de toda a UE se reuniram para traçar sua estratégia. O tema principal? A promessa de Trump de tarifas generalizadas que variam de 10% a 20%. Isso não é uma mera advertência — é um golpe econômico devastador para a Europa.
Mas nem tudo está perdido. A UE acredita que pode encontrar um meio-termo, como aumentar as importações de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA ou unir forças com Washington para combater as práticas comerciais questionáveis da China. Dito isso, um plano B está em discussão. A Comissão está elaborando uma lista de produtos americanos que podem ser alvo de sanções caso a situação se agrave.
A retaliação está pronta, mas a cooperação vem em primeiro lugar
Valdis Dombrovskis, chefe do comércio da UE, resumiu a situação da seguinte forma: "Se virmos novas disputas ou medidas que visem a economia europeia, reagiremos de forma coordenada, precisa e proporcional."
Durante a reunião de quinta-feira, os diplomatas da UE concordaram em um ponto: eles precisam permanecer unidos se quiserem lidar com tudo o que Trump lançar contra eles.
Eric Mamer, porta-voz da Comissão Europeia, tentou acalmar os ânimos, afirmando que já estão em contato com a equipe de Trump. É claro que estão limitados pelos protocolos de transição dos EUA, mas pelo menos os canais de comunicação estão abertos. Isso, porém, não é suficiente para alguns líderes da UE.
A Polônia, que assume a presidência rotativa da UE em janeiro, está pressionando fortemente por laçostronfortes com Washington. O vice-ministro polonês, Ignacy Niemczycki, afirmou que a UE precisa ser proativa e apresentar soluções, em vez de apenas reagir às ações da equipe de Trump.
Enquanto a União Europeia decide seus próximos passos, os mercados não estão esperando. O euro caiu para US$ 1,0335 na sexta-feira, seu menor nível em dois anos. Os investidores estão em pânico com a possibilidade de tarifas americanas severas afetarem as economias europeias, fortemente dependentes de exportações.
E não se trata apenas de Trump. A Alemanha e a França (as potências do bloco) estão lidando com seus próprios desastres políticos, o que não ajuda em nada.
Matthew Landon, estrategista de mercado global do JP Morgan, não suavizou a situação. "Isso coloca em jogo um corte de 50 pontos-base na taxa de juros", disse ele, referindo-se à possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) reduzir as taxas de juros para impulsionar a economia.
Isso representa um grande salto em relação aos 15% de probabilidade em que os investidores apostavam apenas um dia antes.
Consequências econômicas se aproximam enquanto os mercados se preparam para o impacto
Os problemas da zona do euro não param por aí. A moeda tem sido uma das de pior desempenho no G10 nos últimos três meses. A situação é tão ruim que os investidores acreditam que o euro pode chegar à paridade com o dólar. Isso só aconteceu duas vezes desde o lançamento da moeda em 1999. E agora, o custo para se proteger contra novas perdas está no nível mais alto dos últimos cinco meses.
Os dados econômicos vindos da Europa também não inspiram muita confiança. Na sexta-feira, a atividade empresarial na Alemanha e na França despencou. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu para 48,1, abaixo do limite de 50 pontos que separa o crescimento datrac.
Os analistas não esperavam muito, mas mesmo assim ficaram chocados com a gravidade dos números. O setor de serviços, que vinha se mantendo estável, encolheu pela primeira vez desde janeiro.
O BCE enfrenta uma decisão difícil. Deve cortar as taxas de juros agressivamente para impulsionar a economia ou adotar uma postura cautelosa para evitar o aumento da inflação? Os rendimentos dos títulos alemães com vencimento em dois anos caíram para 1,98% na sexta-feira, o menor nível desde 2022, com os investidores apostando em cortes nas taxas. Alguns chegam a prever um afrouxamento monetário de até 150 pontos-base no próximo ano.
Nem todos estão convencidos de que essa seja a decisão correta. O vice-dent do BCE, Luis de Guindos, pediu cautela no início desta semana, afirmando que não se deve precipitar em decisões com tanta incerteza no ar. O aumento das tensões comerciais, os conflitos globais e a disparada dos preços do gás natural tornam a situação ainda mais complexa.
Entretanto, Christian Mueller-Glissmann, do Goldman Sachs, pintou um quadro sombrio. "A Europa precisa de taxas de juro mais baixas, mas há muitos fatores a pesar sobre a região neste momento", afirmou. O aumento dos salários e dos custos da energia está a dificultar a redução das taxas de juro pelo BCE sem risco de inflação.
A guerra em curso entre a Ucrânia e a Rússia está lançando uma longa sombra sobre as perspectivas econômicas da região. O conflito está elevando os preços da energia e aumentando a incerteza que já deixa os investidores apreensivos.
E não nos esqueçamos da China. A UE está tentando descobrir como se unir aos EUA para lidar com as práticas comerciais chinesas, mas isso é mais fácil dizer do que fazer. Alinhar-se com Washington parece bom no papel, mas é uma situação delicada quando a Europa também depende da China para a produção e o comércio.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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