O Banco Central Europeu (BCE) poderá reduzir as taxas de juros pelo menos mais duas vezes este ano, de acordo com Gediminas Simkus, membro do Conselho de Governadores.
Simkus relatou na sexta-feira, durante as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional em Washington, que a fragilidade do comércio global, causada em grande parte pelas novas tarifas americanas, representa uma nova ameaça para a economia europeia.
Ele também observou que a inflação já estava em declínio e poderia desacelerar ainda mais nos próximos meses.
A taxa de depósito foi reduzida pela sétima vez desde junho do ano passado, para 2,25%. No entanto, Simkus acredita que ainda há espaço para flexibilizar a política monetária sem gerar instabilidade financeira ou superaquecer a economia.
Simkus afirmou que não havia motivos para permanecer no atual cenário financeiro e que não descartava mais dois cortes neste ano, considerando os dados disponíveis. No entanto, acrescentou que seriam necessárias mais surpresas negativas para que as projeções fossem ainda menores.
Suas declarações refletem o que o mercado já esperava. Os investidores apostam em pelo menos mais dois cortes nas taxas de juros este ano. Alguns analistas, incluindo os do Bank of America, preveem que a taxa de depósito poderá cair 1,25% até dezembro, o que sugere mais quatro pequenos cortes.
Simkus também enfatizou que a abordagem do BCE continuava flexível e disse não acreditar que eles estivessem atrasados no corte das taxas de juros.
Tarifas americanas e eurotronprejudicam a expansão
Novas evidências apontam para uma desaceleração da recuperação econômica da zona do euro. No início desta semana, o Fundo Monetário Internacional reduziu sua previsão para o PIB da zona do euro, citando o aumento das tensões comerciais e o aperto das condições financeiras como fatores-chave.
Simkus admitiu que os formuladores de políticas foram "excessivamente otimistas" ao prever a rapidez com que a economia se recuperaria. Ele acrescentou que o crescimento salarial mais lento em toda a zona do euro tornou-se um sintoma de arrefecimento da demanda.
Ele também citou a recente valorização do euro em relação a outras moedas, o que torna as exportações europeias menos competitivas no exterior. As tarifas americanas, por sua vez, têm direcionado mais produtos chineses para a Europa, aumentando a pressão deflacionária.
É provável que esses fatores se reflitam no próximo conjunto de projeções econômicas do BCE, que devem ser publicadas em junho. Segundo Simkus, os novos números “devem incluir um crescimento econômico mais fraco e uma inflação mais lenta do que as premissas” feitas na previsão anterior.
No entanto, Simkus descartou reduções ainda mais substanciais nas taxas de juros, a menos que a economia enfraqueça drasticamente. Por ora, o BCE provavelmente manterá seus aumentos habituais de 0,25 ponto percentual.
A CE B dita o ritmo da ação, sem depender de acordos
Simkus também enfatizou que o BCE não ficará de braços cruzados esperando até que as negociações comerciais com os EUA estejam iminentes.
A espera de 90 dias imposta pela administração dodent Trump foi uma tentativa de adotar algumas tarifas como opções binárias para viabilizar acordos comerciais com os principais parceiros comerciais.
Mesmo com os ultimatos dos EUA a alguns países, Simkus alertou que a incerteza em relação à política comercial provavelmente persistirá.
Diversos membros do BCE compartilharam opiniões semelhantes na semana passada, citando dados mais fracos do setor manufatureiro e um crescimento mais lento no setor de serviços.
Agora, os mercados estão atentos aos dados econômicos e aos comentários dos dirigentes do BCE até a próxima reunião de política monetária do banco, em junho.
Caso a economia permaneça fraca, um novo corte nas taxas de juros poderá ocorrer já nessa reunião, mantendo o BCE firmemente em seu curso atual de flexibilização cautelosa, porém constante.

