O BCE anuncia que continuará reduzindo as taxas de juros até novo aviso

- O BCE planeia continuar a reduzir as taxas de jurodefipara baixar a inflação para a sua meta de 2%.
- A inflação diminuiu, mas ainda oscila acima da meta, com a inflação de serviços apresentando uma melhora significativa.
- A economia da zona do euro está em dificuldades, com fraco consumo das famílias e previsão de crescimento de apenas 1,1% no próximo ano.
O Banco Central Europeu (BCE) não está recuando. Os custos de empréstimo estão caindo na zona do euro e não há limite definido para onde irão cair. Por isso, Christine Lagarde, presidentedent BCE, deixou bem claro em um discurso que a inflação finalmente foi controlada — ou está perto o suficiente para tornar os cortes a nova realidade.
“Embora ainda não tenhamos chegado lá, estamos perto de atingir nossa meta”, disse ela. Para o BCE, a meta é simples: inflação de 2%. Após anos de aumentos descontrolados de preços, a inflação finalmente mostra sinais de contenção. No início deste ano, chegou a ficar brevemente abaixo da meta, mas desde então voltou a ultrapassá-la.
A zona do euro está acostumada a políticas de aperto monetário, mas o BCE mudou de rumo. A inflação no setor de serviços — um fator crucial para a pressão sobre os preços internos — diminuiu consideravelmente, e isso é apenas o começo.
O crescimento salarial, frequentemente apontado como o principal responsável pela manutenção da inflação, deverá desacelerar para 3% no próximo ano. "Esse é o nível que geralmente consideramos consistente com nossa meta", disse Lagarde.
Os mutuários saem ganhando, mas a zona do euro enfrenta dificuldades
Após quatro cortes, o BCE ainda não está pronto para declarar suas políticas monetárias frouxas. As taxas de juros permanecem altas o suficiente para restringir a atividade econômica, e a zona do euro está sentindo o impacto. As famílias estão controlando seus gastos e as empresas não estão exatamente gastando desenfreadamente.
Lagarde prevê que a economia da zona do euro crescerá apenas 1,1% no próximo ano — um número frágil num ambiente cada vez mais imprevisível.
Há também problemas globais. Conflitos, dramas políticos e a reeleição de Donald Trump nos EUA mergulharam o mundo num estado de inquietação. Para as famílias europeias, essa incerteza é devastadora.
Lagarde reconheceu o impacto, afirmando que o sentimento do consumidor é fortemente influenciado tanto pela inflação quanto pela geopolítica. "O pessimismo em relação à renda real deve se dissipar à medida que o episódio de alta inflação ficar para trás", disse ela.
O BCE não é o único a notar a mudança. Os investidores apostam em cortes consistentes nas taxas de juro, levando a taxa de depósito a um mínimo de 2% no próximo ano. E embora ninguém descarte a possibilidade de um corte maior no futuro, o BCE está a manter uma postura estável.
Autoridades sugeriram que a política monetária poderá atingir um nível "neutro" em meados de 2025 — um ponto em que não estimula nem restringe o crescimento econômico.
O debate sobre a taxa neutra se intensifica
Afinal, o que é exatamente a “taxa neutra”? Essa é a pergunta de um bilhão de dólares. O BCE vem reduzindo gradualmente a sua principal taxa de depósito, levando-a para 3% esta semana. Mas isso pode ser apenas a metade do caminho. Os mercados estão fervilhando de especulações sobre onde as taxas finalmente se estabilizarão.
Lagarde mencionou uma faixa de valores (entre 1,75% e 2,5%), mas ninguém está apostando no valor mais baixo ainda.
Robert Holzmann, do Banco Central da Áustria, conhecido por sua postura agressiva, deu sua opinião. Ele disse a jornalistas que não há "perigo" de novos cortes no próximo ano, desde que a economia se mantenha no traccerto. Dito isso, alguns membros do BCE defendem a adoção de uma política monetária abaixo do nível neutro caso o crescimento estagne e a inflação desacelere mais rapidamente do que o esperado.
O presidente do Banco Central da França, François Villeroy de Galhau, afirmou que taxas de juros abaixo do nível neutro podem ser consideradas caso os dados econômicos apontem nessa direção. Trata-se de um delicado equilíbrio: a inflação e o crescimento econômico continuam sendo acompanhados de perto, e qualquer passo em falso poderia comprometer os esforços de recuperação.
As últimas projeções da equipe do BCE não inspiram muita confiança. A inflação deverá ficar ligeiramente acima da meta de 2%, em média, em 2,1% em 2025, com aumentos de preços mais acentuados nos primeiros meses.
Cortes nas tarifas, mas por quanto tempo?
“Esses dados sugerem que há espaço para um ajuste para baixo na inflação de serviços e, consequentemente, na inflação doméstica, nos próximos meses”, afirmou Lagarde. Os formuladores de políticas também estão dando indícios de quão rapidamente os cortes poderiam ocorrer.
Em uma reunião em Frankfurt, o Conselho de Governadores do BCE debateu um corte maior, de meio ponto percentual, mas acabou concordando com uma redução de um quarto de ponto percentual.
Os economistas do Deutsche Bank já apostam em taxas de juros abaixo do nível neutro até 2025. Sua previsão básica? Uma subida constante para 1,5% por meio de cortes menores. Mas eles também não descartam mudanças mais drásticas.
Nem todos estão convencidos. A Moody's Analytics prevê que o BCE diminuirá o ritmo de seus cortes após março do próximo ano. "Acreditamos que, após março, a batalha sobre até que ponto as taxas de juros devem ser reduzidas começará de fato", afirmaram, prevendo o último corte até junho e a estabilização das taxas em 2,25%.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
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