Os reguladores dos EUA impuseram uma multa de US$ 4,7 bilhões a Alexander Mashinsky e o baniram permanentemente dos setores de criptomoedas e serviços financeiros, em uma das ações de fiscalizaçãotrondesde o colapso do setor em 2022.
A medida da Comissão Federal de Comércio acrescenta uma multa civil significativa à pena de prisão de 12 anos que Mashinsky já está cumprindo.
O valor não é arbitrário. Quando a Celsius Network entrou com pedido de falência, devia aos clientes cerca de US$ 4,7 bilhões — o que faz com que a multa seja um reflexo direto das perdas dos usuários.
Uma juíza de Nova York, Denise Cote, aprovou a ordem. A maior parte do valor está suspensa. Mashinsky deve pagar US$ 10 milhões, que podem ser cobertos por meio de fundos já vinculados a uma ordem de confisco separada.
Mas a suspensão acarreta riscos.
Caso os reguladores constatem posteriormente que ele ocultou bens, os US$ 4,7 bilhões poderão ser integralmente restituídos.
“Um tiro de advertência” para as criptomoedas
Fontes da indústria afirmam que a proibição vitalícia pode ter consequências mais graves do que a multa financeira.
Outros veem isso como parte de uma reformulação mais ampla da confiança nos ativos digitais.
A ordem vai além de simplesmente proibir Mashinsky de administrar uma empresa de criptomoedas.
Ele está proibido de promover, oferecer ou operar qualquer serviço que envolva depósitos, investimentos ou transferências de ativos. A restrição abrange tanto criptomoedas quanto finanças tradicionais.
Ele também estará sujeito a obrigações de prestação de contas e cumprimento de normas por até 18 anos.
O colapso que abalou a indústria
A Celsius congelou os saques em 2022, desencadeando uma onda de pânico nos mercados de criptomoedas.
Posteriormente, a empresa entrou com pedido de falência, revelando um grande rombo em seu balanço patrimonial. Os clientes ficaram com cerca de US$ 4,7 bilhões em créditos a receber.
Mashinsky se declarou culpado de fraude de commodities — conduta enganosa ou manipuladora nos mercados financeiros — e de manipular o preço do token CEL da empresa, que era usado para aumentar os retornos dos usuários.
Em 2025, o juiz John G. Koeltl condenou a 12 anos de prisão, classificando o caso como uma das maiores fraudes da história das criptomoedas, conforme relatado pela Cryptolitan. Os esforços para recuperar os fundos dos usuários ainda estão em andamento.
Um consórcio apoiado pela VanEck e pela GXD Labs afirmou que a Tether concordou em pagar quase US$ 300 milhões para resolver as reivindicações relacionadas ao colapso.
A ordem da FTC não aumenta imediatamente os pagamentos. Mas preserva o direito de indenização vinculado às perdas totais e mantém a pressão sobre os ativos remanescentes.
O que acontece a seguir?
A questão crucial é se a pena suspensa será alguma vez aplicada na íntegra.
Isso depende das divulgações financeiras de Mashinsky nos próximos anos. Por ora, os reguladores garantiram uma penalidade que reflete a dimensão do dano — e removeram uma figura central do setor para sempre.

