Proibição de criptomoedas: o Banco Central da Nigéria está certo?

Resumo resumido
- O Banco Central da Nigéria impõe proibição às criptomoedas.
- Há especulações de que a proibição possa ter uma motivação política.
- Alguns países também impuseram uma proibição total às criptomoedas em suas tentativas de proteger seus cidadãos e sua economia.
O crescente setor de criptomoedas na Nigéria sofreu um revés significativo recentemente, quando o Banco Central da Nigéria (CBN), otronbanco do país, enviou uma circular às instituições financeiras lembrando-as de que as criptomoedas continuam proibidas no país. O banco advertiu veementemente essas instituições para que encerrassem as contas de usuários vinculadas a criptoativos, sob pena de sofrerem severas sanções regulatórias. E, prontamente, essas instituições informaram seus clientes sobre suas tentativas de se adequarem à política regulatória.
O banco central citou um memorando anterior que havia redigido nesse sentido e também mencionou os riscos envolvidos nas transações com criptomoedas como justificativa para a sua decisão de proibir as criptomoedas. Para contextualizar, o Banco Central da Nigéria acredita que está tentando proteger a economia do país e impedir o uso desses ativos para atividades ilegais, como o financiamento do terrorismo.
Os entusiastas de criptomoedas no país, em sua maioria jovens, começaram a expressar seu descontentamento nas principais redes sociais, mas nada podem fazer em relação à decisão do banco.
Por que o Banco Central da Nigéria impôs uma proibição às criptomoedas?
Conforme mencionado acima, o Banco Central da Nigéria não apresentou nenhuma razão convincente para a proibição das criptomoedas. Limitou-se a fazer alusão ao que já se sabe sobre os riscos do setor e afirma que essa regulamentação está em vigor desde 2017. No entanto, especula-se sobre o motivo pelo qual o Banco Central decidiu implementar a proibição das criptomoedas agora.
Uma das razões mais divulgadas é a queda acentuada nas remessas para o país em 2020 e o esforço do banco central em controlar as taxas de câmbio entre a moeda fiduciária do país, o naira, e o dólar americano. O governo liderado por Buhari havia prometido aos cidadãos restaurar a posição do naira em relação ao dólar.
No entanto, essa promessa permaneceu em grande parte não cumprida, com o valor da Naira caindo em relação ao dólar americano. Assim, o banco central enfrentou a difícil tarefa de estancar essa queda livre, razão pela qual o país implementou algumas políticas de remessas que considera mais eficazes na proteção da moeda.
O fracasso dessas políticas pode ter forçado os cidadãos a buscar uma alternativa viável. Aliado a algumas práticas bancárias deficientes, muitos encontraram nas criptomoedas uma alternativa viável, especialmente para transações internacionais.
Embora isso seja, no mínimo, especulativo, dados disponíveis da Nairametrics, um site de análise financeira do país, indicam que as remessas por canais oficiais caíram de US$ 2,05 bilhões em janeiro de 2020 para US$ 54,4 milhões em setembro de 2020, o que representa uma queda de 97,3%. Ninguém, contudo, consegue afirmar categoricamente o motivo dessa queda acentuada. Alguns atribuem a culpa à pandemia, que, segundo eles, afetou o poder de compra dos nigerianos na diáspora. Já outra corrente de pensamento defende que a causa seja a busca por uma alternativa nas criptomoedas.
Os dados de volume de transações de empresas de criptomoedas que operam na Nigéria mostram que isso é muito provável, já que cerca de US$ 1,5 bilhão foram processados somente em 2020.
Com isso em mente, o banco central pode ter visto uma proibição total de criptomoedas como uma forma de aumentar o volume de remessas e permitir uma margem maior para valorizar o Naira em relação ao Dólar.
Bitcoin e outras criptomoedas agora são ilegais na Nigéria?
Outra especulação é que a proibição possa ter alguma motivação política. Durante os protestos liderados por jovens contra a brutalidade policial, eles receberam doações em criptomoedas, sobre as quais as autoridades não tinham controle, para apoiar os protestos que aconteciam no país na época. Essa falta de controle sobre esse canal pode ter influenciado a decisão das autoridades.
Tecnicamente, as autoridades não proibiram completamente as criptomoedas no país. O Banco Central da Nigéria apenas ordenou que as instituições financeiras do país não ofereçam seus serviços para transações com criptomoedas, o que significa que os entusiastas de criptomoedas ainda podem realizar transações, desde que não utilizem nenhuma das instituições regulamentadas pelas autoridades.
O que está dizendo a comunidade cripto?
Embora a notícia tenha causado um grande impacto na indústria de criptomoedas na Nigéria e na África em geral, com muitos entusiastas condenando a proibição, os nigerianos nas redes sociais, especialmente no Twitter, rapidamente expressaram suas preocupações sobre o que isso significaria para as startups de fintech e as corretoras de criptomoedas no país.
Segundo o senador Iheyen, presidentedent Associação de Partes Interessadas em Tecnologia Blockchain da Nigéria (SiBAN), essa nova regulamentação é chocante. Em sua opinião, a falha do banco central em consultar amplamente antes de impor essa proibição de criptomoedas deixa um gosto muito amargo na boca. Ele afirma que o banco tomou uma decisão unilateral sem envolver as principais partes interessadas do setor.
Os entusiastas de criptomoedas no país também destacam o fato de a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) ter declarado seu compromisso em regulamentar as criptomoedas de forma a não sufocar a inovação nem dificultar o uso da tecnologia. Isso significa, na prática, que a comissão busca criar um mercado eficiente para esses ativos digitais.
No entanto, com esse novo desenvolvimento, ninguém sabe o que o futuro reserva para a negociação de criptomoedas no país mais populoso da África.
Outros países que impuseram uma proibição às criptomoedas
A Nigéria não é o único país a impor uma proibição às criptomoedas. O governo indiano também está atualmente tentando acelerartracde um projeto de lei que levaria à proibição de todas as "criptomoedas privadas no país". Outros países, como China, Marrocos, Reino Unido, Bangladesh, Bolívia, Arábia Saudita, Irã e muitos outros, já impuseram, em algum momento, proibições às criptomoedas.
A maioria desses países proíbe esses criptoativos porque alega que essas moedas virtuais não são consideradas moeda corrente. Em contrapartida, alguns argumentam que o anonimato proporcionado por essas moedas digitais poderia facilitar atividades ilegais, como a lavagem de dinheiro, em seus países.
Assim como a FCA no Reino Unido, alguns órgãos reguladores afirmam que a volatilidade do setor de criptomoedas o torna perigoso para os consumidores. A FCA também emitiu um alerta severo aos investidores, dizendo que eles devem estar "preparados para perder todo o seu dinheiro". Em essência, a principal razão por trás da maioria dessas proibições é a tentativa da autoridade de manter o controle do sistema financeiro.
Efeitos da proibição de criptomoedas na Nigéria
Em um mundo digital em constante evolução e ritmo acelerado, as criptomoedas e a tecnologia blockchain são inovações que vieram para ficar. As semelhanças que compartilham com a internet, como uma rede descentralizada, tornam-nas imutáveis.
Embora alguns países já reconheçam isso, seus esforços estão voltados para a regulamentação do setor, em vez de uma proibição total. Isso porque, inegavelmente, a proibição das criptomoedas sufocaria a inovação e afetaria o crescimento da economia.
Para um país como a Nigéria, líder africano no mercado de criptomoedas, essa proibição afetaria o futuro das startups do setor no país. Significa também que os cidadãos não poderiam usar criptomoedas com a mesma segurança de antes.
E como as autoridades não conseguem controlar as criptomoedas, elas não podem ser efetivamente banidas. Um banimento apenas aumenta o risco de atividades fraudulentas envolvendo criptoativos. Isso porque mais pessoas que utilizavam canais oficiais e públicos recorrerão a canais privados, o que pode deixá-las à mercê de fraudadores que queiram se aproveitar dessa falta de regulamentação.
O que o futuro reserva para as transações com criptomoedas no país?
Diversas corretoras de criptomoedas e empresas fintech sediadas ou atuantes na Nigéria já deixaram de oferecer serviços de negociação de criptomoedas. No entanto, isso não significa o fim das criptomoedas na Nigéria. Pelo contrário, pode significar o começo.
As regulamentações do Banco Central da Nigéria (CBN) proibiram apenas a participação de instituições financeiras regulamentadas no mercado de criptomoedas. Isso significa que os negociadores de criptomoedas ainda podem realizar atividades de negociação, embora agora seja mais difícil e arriscado.
Especialistas preveem que essa proibição aumentará as transações ponto a ponto (P2P), que são a base fundamental das criptomoedas. É provável também que as empresas de criptomoedas passem a oferecer serviços ponto a ponto. Isso garantiria, assim, que a troca P2P se tornasse mais segura e eficiente.
Poucas plataformas de câmbio de criptomoedas já possuem recursos P2P, e provavelmente veremos mais em breve se o Banco Central da Nigéria não reverter sua decisão.
Conclusão
Embora a regulamentação do setor de criptomoedas pareça necessária, uma proibição total é um passo na direção errada, pois coloca o país em um patamar inferior em relação a essas inovações financeiras.
Ainda existe muita esperança de que o Banco Central da Nigéria (CBN) possa um diatracsuas ações e encontrar uma alternativa melhor que beneficie a todos a longo prazo.

Bruno Johnson
Bruno é apaixonado pelo universo das criptomoedas. Ele acredita no poder transformador Bitcoin e da tecnologia Blockchain. Tem interesse em compartilhar conhecimento e ideias. Quando não está escrevendo, gosta de conhecer novas pessoas e experimentar coisas novas.
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