A China pediu à Casa Branca, na sexta-feira, que pare de espalhar mentiras sobre as negociações comerciais. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que não há negociações em andamento, nenhuma reunião planejada e nenhuma comunicação em curso com os EUA sobre tarifas.
Isso aconteceu depois que odent Donald Trump disse a repórteres que os dois países estavam em negociações. Pequim classificou a declaração como falsa e pediu que ele parasse de confundir o público.
Segundo a Reuters, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou em uma coletiva de imprensa que "os Estados Unidos e a China não estão em consultas ou negociações sobre a questão das tarifas". Guo também disse desconhecer a possibilidade de a China isentar algumas importações americanas de tarifas.
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Os comentários de Guo não foram os únicos. O porta-voz do Ministério do Comércio, He Yadong, também afirmou que nada estava acontecendo.
“Atualmente, não há absolutamente nenhuma negociação sobre economia e comércio entre a China e os EUA”, disse ele a repórteres em mandarim. Ele também afirmou que quaisquer declarações sobre progresso devem ser descartadas.
“Se os EUA realmente querem resolver o problema, devem cancelar todas as medidas unilaterais contra a China”, acrescentou. As tarifas sobre produtos chineses estão agora em 145%. Em resposta, a China impôs uma tarifa de 125% sobre as importações americanas. Esses números não foram anunciados da noite para o dia.
A disputa começou em 2 de abril, quando Trump deu início a uma nova onda de tarifas de importação. Desde então, os dois países têm se atacado mutuamente. Agora, empresas globais estão em apuros e os mercados já nem sequer reagem.
Esta semana, o governo Trump afirmou que a situação não pode continuar assim. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que poderia haver espaço para reduzir as tarifas sobre alguns produtos chineses, dependendo da resposta de Pequim. Mas, mesmo com Trump e Bessent alegando progresso, o lado chinês afirmou que não houve nenhum.
Os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio concordaram em um ponto: os EUA estão mentindo. Disseram que a China só dialogaria se Washington abandonasse as manobras de poder e a tratasse como igual. Até lá, nada vai acontecer.
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Os principais líderes da China realizaram uma reunião de política externa esta manhã. O foco foi em como ajudar as empresas locais a sobreviverem ao que chamaram de "choques externos". Esses choques são o resultado direto da guerra tarifária.
Segundo relatos, as autoridades afirmaram que as empresas receberão auxílio para vender seus produtos no mercado interno, em vez de no exterior. O Ministério do Comércio declarou que o governo está ajudando os exportadores a venderem seus produtos internamente porque o mercado global se tornou muito instável.
A Reuters também afirma que a China está considerando isentar algumas importações americanas das tarifas de 125%, o que seria o sinal mais claro até agora de que Pequim está preocupada com os danos. Mas Guo Jiakun disse que não estava familiarizado com nada disso. Ele deixou claro que ninguém no ministério havia sido informado sobre o assunto.
A economista Yue Su, da Economist Intelligence Unit, afirmou que a China mudou sua estratégia. "Devido à inconsistência das políticas de Trump e à falta de clareza sobre o que ele realmente quer, a estratégia da China passou de se concentrar no 'que vocês precisam' para se concentrar no 'que eu preciso'". Ela disse que a pressão da China para que os EUA cancelem todas as tarifas "unilaterais" mostra que o país não se importa mais em agradar Washington.
A raiva de Pequim não se dirigia apenas às autoridades americanas. O país também advertiu outras nações a não fecharem acordos secretos com Washington que pudessem prejudicar os interesses da China. Su afirmou que este momento se tornou uma situação de "tudo ou nada" para Pequim. Se a situação se agravar novamente, disse ela, a China responderá com ainda mais força.
Diversos bancos americanos reduziram suas previsões de crescimento para a China nas últimas semanas. Os efeitos da guerra tarifária estão se acumulando e ninguém acredita que haja um fim à vista. Mas, dentro da Casa Branca, Trump ainda age como se as coisas estivessem melhorando.
Atualmente, os EUA são o maior parceiro comercial da China. Mas, em escala regional, o Sudeste Asiático ultrapassou a União Europeia e se tornou o principal parceiro comercial da China. Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela vem se consolidando nos últimos anos, à medida que Pequim começou a elaborar planos alternativos.

