Lá vamos nós de novo, pessoal.
Parece que a disputa entre a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) acaba de ganhar um novo episódio, e desta vez o assunto é a KuCoin. Caroline Pham, da CFTC, deu o primeiro passo ao insinuar que a mais recente ação da comissão contra a corretora de criptomoedas KuCoin pode estar invadindo o território da SEC.
Ora, se você pensava que as agências reguladoras se davam bem como unha e carne, esta história vai lhe mostrar o contrário.
Vamos direto ao ponto, sem rodeios. A CFTC, conhecida por monitorar de perto os mercados de derivativos de commodities, decidiu acusar a KuCoin de uma série de irregularidades. Trata-se de inúmeras violações da Lei de Bolsa de Mercadorias (CEA) e das regulamentações da CFTC, além de acusações criminais do Departamento de Justiça dos EUA. E sim, tudo isso aconteceu no mesmo dia, 26 de março, tornando-se um dia péssimo para a KuCoin .
Em rota de colisão com a SEC?
Agora, Pham, da CFTC, não costuma usar meias palavras. Ela destacou que a recente ação da CFTC pode confundir ainda mais a distinção entre o que é considerado um valor mobiliário e o que não é. Segundo ela, o simples fato de negociar derivativos não significa que você possua as ações subjacentes. Essa distinção é crucial, pois é essencialmente o que separa a área de atuação da CFTC da área de atuação da SEC.
Não se trata apenas de uma disputa sobre quem regulamenta o quê. É uma questão fundamental sobre como entendemos os instrumentos e atividades financeiras. Durante décadas, os EUA mantiveram uma distinção bastante clara entre títulos e commodities. Mas agora, com a ascensão das criptomoedas, a situação está se tornando confusa. Ethereum, por exemplo, tornou-se um ponto de discórdia. É uma commodity ou um título? A CFTC parece acreditar que seja o primeiro, mas se a SEC decidir que é o segundo, poderemos ver um impacto significativo no mercado de criptomoedas, especialmente em relação aos pedidos de ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de Ether.
KuCoin mantém sua posição
Em meio a toda essa confusão regulatória, a KuCoin deixou claro que, para eles, tudo continuava normalmente. Apesar das acusações, garantiram aos seus usuários que seus ativos estavam seguros. Chegaram até a ter a audácia de twittar sobre terem encontrado “100x CryptoGems” em sua plataforma, em meio a toda a polêmica legal. Que exemplo de tranquilidade!.
Mas não podemos nos esquecer das sérias acusações envolvidas. Os cofundadores da KuCoin, Chun Gan e Ke Tang, estão em maus lençóis com o Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York (SDNY), acusados de operar um negócio de transferência de dinheiro sem licença e de burlar as leis de combate à lavagem de dinheiro. A cereja do bolo? A suposta política de não verificação de identidade (KYC) da KuCoin, que, segundo os promotores, foi fundamental para o seu crescimento, permitindo mais de US$ 9 bilhões em transações suspeitas. É como se dissessem: “Regulamentos? Nunca ouvi falar disso.”
De meados de 2019 a meados de 2023, a KuCoin supostamente ofereceu e executou transações que deveriam tê-la levado a se reportar à CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities). No entanto, de acordo com as acusações, a empresa não se preocupou em verificar o endereço IP para bloquear usuários dos EUA. Essa negligência (ou ignorância deliberada, dependendo do ponto de vista) agora a colocou diretamente na mira dos reguladores americanos.

