As ações da Cerebras disparam 190% em sua estreia na bolsa, com valor de mercado ultrapassando US$ 100 bilhões

- A Cerebras abriu cotada a US$ 350 após precificar seu IPO em US$ 185 por ação.
- A empresa arrecadou US$ 5,55 bilhões, tornando-se o maior IPO de tecnologia dos EUA desde o Uber.
- A Cerebras chegou a ultrapassar brevemente a marca de US$ 100 bilhões em valor de mercado, antes de recuar para cerca de US$ 95 bilhões.
A Cerebras (CBRS) estreou na Nasdaq na quinta-feira com um grande volume de negociações, abrindo a US$ 350 após vender ações do IPO a US$ 185 cada e ultrapassar imediatamente a marca de US$ 100 bilhões em valor de mercado.
As ações da CBRS chegaram a ultrapassar os US$ 385, mas recuaram no meio da tarde para cerca de US$ 310, deixando a empresa avaliada em quase US$ 95 bilhões após a euforia inicial ter diminuído.
Na noite de quarta-feira, a Cerebras vendeu 30 milhões de ações e arrecadou US$ 5,55 bilhões com a oferta pública inicial (IPO). Isso a tornou o maior IPO de uma empresa de tecnologia dos EUA desde a abertura de capital da Uber Technologies (UBER) em 2019. Os bancos que intermediaram a operação podem comprar mais 4,5 milhões de ações, caso exerçam integralmente sua opção. Isso elevaria o valor total arrecadado para cerca de US$ 6,38 bilhões.
A estreia também ocorreu após um período fraco para os IPOs de tecnologia, que começou depois da queda do mercado em 2022, quando a inflação disparou e os investidores públicos se tornaram muito mais cautelosos com empresas de crescimento caras.
A Cerebras entra na Nasdaq enquanto a demanda por chips de IA impulsiona as ações de semicondutores
Os gastos com inteligência artificial impulsionaram grande parte do setor de semicondutores este ano, com os investidores ainda buscando empresas ligadas a centros de dados, treinamento de modelos e inferência.
A Intel (INTC), a Advanced Micro Devices (AMD) e a Micron Technology (MU) devem ter valorizado mais de 100% em 2026.
O ETF de semicondutores da VanEck (SMH) também valorizou 58% este ano, demonstrando a amplitude do setor.
O aumento no número de agentes de inteligência artificial (IA) explica por que os chips continuam sendo tão requisitados. A IA requer menos intervenção humana para realizar algumas operações, o que leva a uma maior necessidade de poder computacional.
A Nvidia tem se beneficiado enormemente disso, com suas GPUs impulsionando muitos aplicativos relacionados à IA. É também um desenvolvimento positivo para CPUs comuns, já que os data centers exigem diversos hardwares para fornecer os serviços necessários.
Com esse IPO, a Cerebras a maior empresa focada exclusivamente em inteligência artificial a abrir capital na bolsa de valores. Além disso, marca o retorno de Wall Street ao setor de tecnologia após vários meses sem IPOs desse segmento.
A empresa pode abrir seu capital antes de outras ofertas de IA, incluindo a da SpaceX, que ocorreu após a parceria com a xAI em fevereiro. É provável que a OpenAI e a Anthropic também abram capital este ano, caso os investidores continuem comprando ações de empresas de IA.
Do ponto de vista dos fundamentos, os negócios da Cerebras apresentaram um bom desempenho mesmo antes da abertura de capital. Por exemplo, as vendas da empresa dispararam 76%, atingindo US$ 510 milhões.
Como resultado, a empresa reportou um lucro líquido de US$ 88 milhões, apesar de ter registrado um prejuízo de US$ 481,6 milhões no ano fiscal anterior. Essa mudança no desempenho da Cerebras proporcionará um contexto mais favorável para o IPO.
A Cerebras estrutura sua estratégia para desafiar a Nvidia em torno de seus próprios chips em escala de wafer
A principal concorrente em hardware é a Nvidia (NVDA), que atualmente detém o título de empresa mais valiosa do mundo. A Cerebras argumenta que seus sistemas seriam capazes de superar as GPUs da Nvidia tanto em velocidade quanto em custo, devido à diferença em suas arquiteturas.
Eles utilizam chips Wafer-Scale Engine, que não são GPUs da Nvidia. É importante mencionar que o referido chip Wafer-Scale Engine está no núcleo de sua arquitetura.
Em outras palavras, ao vender o sistema CS-3, a Cerebras visa as plataformas DGX B200 e Blackwell da Nvidia. Assim, o ponto crucial aqui é que a capacidade de computação central não depende da Nvidia.
Em outras palavras, seus sistemas não utilizam GPUs da Nvidia ou CUDA como sua principal capacidade de processamento. Isso se deve ao fato de que CUDA é uma tecnologia proprietária desenvolvida pela Nvidia e, portanto, a Cerebras não pode utilizá-la em seus produtos.
No entanto, é possível que cada cliente em particular construa sua arquitetura de IA de forma a incorporar alguns componentes da GPU da Nvidia ou da tecnologia de IA em seu sistema. Especificamente, eles podem treinar algum modelo de IA nos sistemas da Nvidia e realizar inferências nos sistemas da Cerebras.
Além disso, eles podem usar software baseado em CUDA e adaptá-lo às suas soluções. Em resumo, embora o produto principal não incorpore GPUs da Nvidia ou CUDA, os clientes ainda podem integrá-los de alguma forma em seu fluxo de trabalho.
O processo de abertura de capital não foi nada fácil. Primeiro, a empresa anunciou seu IPO em setembro de 2024. No entanto, cerca de um ano depois, a Cerebras cancelou os planos de IPO devido ao risco de problemas de concentração de clientes associados à G42, uma empresa de IA dos Emirados Árabes Unidos liderada pela Microsoft.
Posteriormente, em abril, a Cerebras abriu um novo capital com números atualizados. De acordo com o documento, a G42 gerou apenas 24% da receita no ano passado, enquanto anteriormente contribuía com 85% em 2024. Ao mesmo tempo, uma universidade afiliada ao governo dos Emirados Árabes Unidos contribuiu com até 62%.
Não se limite a ler notícias sobre criptomoedas. Compreenda-as. Assine nossa newsletter. É grátis.

Jai Hamid
Jai Hamid é uma escritora profissional com seis anos de experiência trabalhando com diversas empresas de mídia focadas em blockchain, como AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale. Ela possui bacharelado em Administração de Saúde e já participou de um dos principais canais de TV da África para compartilhar informações sobre criptomoedas.
CURSO
- Quais criptomoedas podem te fazer ganhar dinheiro?
- Como aumentar a segurança da sua carteira digital (e quais realmente valem a pena usar)
- Estratégias de investimento pouco conhecidas que os profissionais utilizam
- Como começar a investir em criptomoedas (quais corretoras usar, as melhores criptomoedas para comprar etc.)














