O Camboja finalmente abriu as portas para as criptomoedas — mais ou menos. Pela primeira vez, o Banco Nacional do Camboja (NBC) está permitindo que bancos comerciais e empresas de pagamento lidem com stablecoins e outras criptomoedas lastreadas em ativos do mundo real.
Mas se você é um Bitcoin ou do Ether, não se anime muito. Essas criptomoedas continuam proibidas e o governo não pretende mudar essa posição. Essa medida foi anunciada em 27 de dezembro, após uma diretiva emitida no dia anterior.
Essa nova lei dá sinal verde para as stablecoins, mas vem com uma série de condições. As instituições financeiras precisam seguir as regras do Banco Nacional da China (NBC).
A conturbada história do Camboja com as criptomoedas
O Camboja sempre teve aversão às criptomoedas. Antes, negociá-las era estritamente ilegal. As autoridades atribuíam a proibição a riscos como lavagem de dinheiro, golpes e transações obscuras no mercado negro. Essas moedas são consideradas inimigas públicas há anos.
Mas não é como se eles não tivessem percebido o boom global das criptomoedas. À medida que as criptomoedas ganhavam tracem todo o mundo, o Banco Nacional da China (NBC) decidiu que precisava acompanhar o ritmo sem perder o controle. Surgiram então os "prakas" de dezembro — uma abordagem ponderada e rigorosamente regulamentada para a adoção de criptomoedas.
A natureza descentralizada das criptomoedas as torna um pesadelo para a regulamentação, tributação e trac. Ainda assim, ele admitiu que os bancos poderiam arrecadar receitas por meio de taxas de usuários se entrassem no mercado de criptomoedas. Em 2020, o Banco Nacional da China (NBC) lançou o Bakong, sua própria moeda digital de banco central (CBDC).
O objetivo do Bakong era reduzir a dependência do país em relação ao dólar americano e oferecer à população um sistema de pagamento digital local. No final de 2024, o Bakong supostamente contava com 200 mil usuários ativos e havia processado 1,4 milhão de transações, totalizando US$ 500 milhões.
Mas só este ano, o governo bloqueou o acesso a 16 das principais corretoras de criptomoedas, incluindo Binance e Coinbase, por não possuírem as licenças adequadas. Mesmo assim, o Camboja está entre os 20 países com maior uso de criptomoedas per capita no mundo.
Cerca de 70% das transações acontecem por meio de corretoras centralizadas, o que demonstra que os cambojanos estão encontrando maneiras de adotar as criptomoedas, mesmo com toda a burocracia. A Statista estima que o mercado de criptomoedas do Camboja gerará US$ 8 milhões em receita até o final de 2024. No entanto, espera-se que o crescimento desacelere em 2025, à medida que as regulamentações se tornam mais rigorosas e a concorrência de empresas globais aumenta.
Os desafios das criptomoedas no Camboja
Nem tudo são flores para o experimento com criptomoedas no Camboja. As regras rígidas do governo são motivadas pelo medo. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime chegou a apontar o Camboja como um foco de golpes com criptomoedas.
Existe também uma enorme lacuna de conhecimento. O Banco Nacional do Camboja (NBC) enfatizou a importância da educação pública sobre os riscos das criptomoedas, mas isso é mais fácil dizer do que fazer. Sem a devida conscientização, os cambojanos continuam sendo vítimas de golpes.
E depois há o problema da infraestrutura. Embora a Bakong tenha preparado o terreno para os pagamentos digitais, não é suficiente. Plataformas como a Royal Group Exchange (RGX) ainda estão em fase inicial, operando sob um ambiente regulatório experimental (sandbox) estabelecido pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários do Camboja (SERC).
O ambiente de testes permite que as empresas testem serviços sob rigorosa supervisão governamental, mas expandir esses esforços exigirá tempo, dinheiro e confiança. Por enquanto, o Banco Nacional da China (NBC) parece satisfeito em manter as stablecoins.

