Os BRICS se preparam para lançar uma bolsa de metais preciosos em meio à volatilidade do mercado de ouro

- A coligação BRICS está a trabalhar para criar a sua própria bolsa de metais preciosos.
- A notícia surge em meio ao aumento da volatilidade nos mercados de ouro e prata.
- A Rússia afirma que o grupo planeja alternativas para tudo o que os EUA conseguirem bloquear.
Membros do BRICS planejam estabelecer uma nova bolsa de metais preciosos, revelou um diplomata russo de alto escalão.
A notícia surge num contexto de crescente volatilidade nos mercados de ativos como o ouro e a prata, após recentes aumentos nos seus preços.
O BRICS está construindo uma plataforma de negociação de metais preciosos
Os países membros do grupo BRICS de economias em desenvolvimento estão trabalhando para criar uma bolsa de valores dedicada a metais preciosos, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, à mídia estatal russa.
Em declarações à TASS, Ryabkov observou que, além de uma plataforma comum de investimento, o BRICS deseja ter uma “plataforma concebida para funcionar em zonas econômicas especiais”, que praticamente todos os países participantes já possuem.
Segundo trechos de sua entrevista à agência de notícias oficial da Rússia, publicados no sábado, o diplomata afirmou ainda:
“Há também uma iniciativa recente, mas muito importante, para criar uma bolsa de metais preciosos, juntamente com uma bolsa de grãos.”
O relatório lembrou que a Federação Russa foi a origem de diversas iniciativas que foram propostas e adotadas quando Moscou presidiu a organização em 2024.
Estas incluem propostas para plataformas de pagamento, mecanismos de liquidação em moedas nacionais e facilidades de resseguro para o comércio dentro do grupo e com os seus parceiros.
A criação de uma bolsa de grãos e de uma nova plataforma de investimentos, discutidas recentemente pelo superior de Ryabkov, Sergey Lavrov, também estavam entre as sugestões de Moscou.
“Existem todos os motivos e pré-requisitos para que algo concreto surja”, insistiu o vice-ministro, comentando esses projetos, sem fornecer mais detalhes.
A ideia de uma troca por metais preciosos ganha destaque após os preços desses ativos registrarem um crescimento notável ao longo do último ano.
O ouro ultrapassou os US$ 5.600 em janeiro, e essa máxima histórica foi seguida por uma maior volatilidade do mercado, com o preço por onça caindo para perto de US$ 4.600 no início de fevereiro.
Segundo dados compilados pela Trading Economics, o índice voltou a ultrapassar os US$ 5.000 no final deste mês. Após uma queda de mais de 3% na última quinta-feira, recuperou-se na sexta-feira, chegando a pouco mais de US$ 5.000.
BRICS oferecerá alternativa a tudo o que os Estados Unidos possam bloquear
Reconhecendo o peso da pressão que os Estados Unidos podem exercer, o BRICS pretende criar uma alternativa a tudo o que Washington pode interromper "com o apertar de um botão", enfatizou Ryabkov.
“Acho que ninguém está subestimando os riscos associados à política americana, tanto às sanções quanto às tarifas. Mas isso não significa que todos estejam dispostos a ceder à pressão”, disse o funcionário russo, enfatizando:
“O BRICS foi criado precisamente para oferecer uma alternativa a tudo aquilo que pode ser desligado com o apertar de um botão, como já vimos.”
“Estamos buscando e encontrando soluções para os problemas que este ambiente internacional cada vez mais tóxico está criando”, acrescentou, observando que isso inclui esforços dentro do BRICS e em colaboração com países dispostos a trabalhar com a organização.
O representante russo enfatizou a importância da implementação de "métodos e sistemas digitais" nesse sentido, bem como o uso de moedas nacionais para transações.
No mês passado, o Banco Central da Índia, membro fundador do BRICS, propôs a vinculação das moedas digitais emitidas por seus países para simplificar o comércio internacional e reduzir a dependência do dólar americano.
No entanto, em novembro de 2025, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, admitiu que a iniciativa do seu país para um sistema de pagamentos internacionais no grupo está sendo dificultada pela insistência dos parceiros no dólar americano.
O crescimento do comércio dentro dos BRICS supera a média global
Sergey Ryabkov também destacou alguns dos resultados da integração dos BRICS, apontando que o comércio entre seus membros está crescendo mais rapidamente do que o comércio global e explicando:
“As estatísticas mostram que o crescimento do comércio entre os países do BRICS supera significativamente tanto a taxa de crescimento geral do comércio global quanto o crescimento do comércio entre os membros do BRICS e outros parceiros.”
O diplomata russo está convencido de que "isto é simplesmente um indício de que os BRICS – sem serem uma espécie de 'varinha mágica' – podem realmente ajudar a enfrentar os desafios"
“Precisamos expandir esse potencial, e existe vontade política para isso”, enfatizou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia.
O BRICS foi originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China em 2009, com a África do Sul aderindo no ano seguinte. Desde então, o organismo intergovernamental aceitou Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos como membros plenos.
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