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Os BRICS não tiveram impacto no dólar americano no ano passado. Será que o mesmo acontecerá este ano?

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
Os BRICS não tiveram impacto no dólar americano no ano passado. Será que o mesmo acontecerá este ano?
  • O BRICS+ fez grandes promessas de desafiar o dólar americano em 2024, mas mal conseguiu atingir dent.
  • Iniciativas como uma moeda lastreada em ouro e sistemas de pagamento locais careceram de execução e impacto.
  • As ameaças de Trump de impor tarifas de 100% podem levar os países do BRICS+ a agir mais rapidamente, mas também podem ter um efeito contrário.

O dólar americano atravessou 2024 como se fosse o dono do pedaço e, de muitas maneiras, ainda é. Apesar das grandes promessas e da retórica mais estridente, o BRICS+ — bloco agora formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, além dos novos membros Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos — não conseguiu desferir um golpe no dólar.

A campanha de desdolarização deles foi ambiciosa, sim, mas o ano passado mostrou que ambição não basta. Agora, com um novo ano pela frente, a pergunta é simples: será que este ano será diferente?

Em teoria, o BRICS+ deveria ser uma potência financeira. Esses países representam 45% da população mundial e controlam 42% das reservas cambiais globais dos bancos. Eles têm os números, os recursos e a motivação.

Mas o dólar não é um adversário fácil. Ele responde por 90% das transações cambiais globais e ainda domina o mercado de petróleo, com 80% das transações atreladas a ele. O BRICS+ falou muito sobre se libertar dessa dependência, mas a realidade não correspondeu às expectativas. Vamos analisar o porquê.

As ideias ousadas que não deram em nada

No ano passado, os líderes do BRICS+ reuniram-se em Kazan, na Rússia, para apresentar seu plano diretor. A cúpula foi repleta de grandes ideias e promessas ainda maiores. Em primeiro lugar, apresentaram a proposta de uma moeda lastreada em ouro, apelidada de "Unidade"

Supostamente, a moeda estrangeira deveria proporcionar estabilidade, lastreada em 40% de ouro e 60% de moedas locais dos países do BRICS+. A ideia? Criar uma alternativa viável ao dólar. Parece bom, não é? Só que ainda é apenas uma ideia. Sem prazos, sem estrutura, sem execução.

Depois, havia o sistema de pagamentos transfronteiriços. Esse plano permitiria que do BRICS+ negociassem em suas próprias moedas sem usar o dólar. Novamente, é ambicioso. Mas construir esse tipo de infraestrutura financeira não é um projeto para um fim de semana.

Esses países têm economias e prioridades completamente diferentes, o que torna a coordenação um verdadeiro pesadelo logístico. Mesmo em suas próprias cúpulas, a Rússia — uma das vozes mais estridentes no movimento anti-dólar — aconselhou os participantes a levarem dólares americanos ou euros para as transações. Que contradição!.

Os esforços para impulsionar as moedas locais não foram muito melhores. A Índia assinou acordos com os Emirados Árabes Unidos e a Malásia em 2023 para usar moedas locais no comércio, mas esses acordos representaram pequenos passos, não grandes avanços. No final de 2024, as transações de petróleo em moedas que não o dólar representavam apenas 20% do mercado. Isso é um progresso, sem dúvida, mas insuficiente para afetar o dólar.

Trump, tarifas e o domínio inabalável do dólar

Se há alguém que não está perdendo o sono por causa do BRICS+, esse alguém é odent Donald Trump. No ano passado, ele fez um alerta contundente aos países do BRICS+: tentem minar o dólar americano e vocês enfrentarão tarifas de 100%. "Digam adeus à próspera economia americana", declarou ele.

O retorno de Trump ao poder adiciona complexidade à saga da desdolarização. Analistas preveem que suas políticas, especialmente em relação às tarifas, impulsionarão ainda mais o dólar em 2025. A Nomura Securities espera umatrondemanda pela moeda americana, já que as preocupações com a inflação impedem o Federal Reserve de reduzir drasticamente as taxas de juros.

Mas a postura agressiva de Trump também pode ser contraproducente. Economistas alertam que isolar o BRICS+ pode acelerar seus esforços para contornar o dólar, especialmente à medida que a China e a Rússia aprofundam seus laços financeiros.

Odent russo Vladimir Putin tem se mostradotron, porém cauteloso em sua abordagem, como de costume. Ele insiste que o BRICS+ não visa destruir o dólar, mas sim reduzir a dependência dele. "Essas não são medidas anti-dólar", afirmou. "Trata-se de uma adaptação às mudanças nas condições econômicas."

No entanto, as ações da Rússia contam uma história diferente. Apesar de toda a conversa, elas permanecem profundamente ligadas às transações em dólar, especialmente no mercado de petróleo.

Será que Trump e Putin poderiam realmente cooperar?

É aqui que as coisas ficam estranhas. Por mais que Trump e Putin gostem de uma boa demonstração de poder, existe uma possibilidade crescente de cooperação entre os EUA e a Rússia. Por quê? Porque Trump acredita que pode acabar com a guerra na Ucrânia, e Putin diz estar disposto a conversar sobre isso.

Há relatos de que Putin estaria aberto a um cessar-fogo, embora com muitas condições. Se Trump conseguir, será um feito histórico. Poucas pessoas podem se gabar de ter realizado algo tão emblemático. Os dois têm uma relação de amizade incerta, e ninguém sabe se desta vez eles realmente se entenderão.

E aqui está o problema. Qualquer parceria entre EUA e Rússia prejudicaria os esforços do BRICS+ para desafiar o dólar. Se eles chegarem perto de concretizar essa parceria, isso também poderia estabilizar os mercados globais de maneiras que beneficiariam o dólar e deixariam o BRICS+ lutando para manter sua relevância.

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