Um candidato às eleições municipais de 2024 em Minas Gerais, Brasil, foi intimado pelo Tribunal Regional a declarar sua Bitcoin antes de se candidatar ao cargo. A notícia foi divulgada inicialmente pelo portal de notícias local Livecoins, que informou que o candidato comprou BTC em 2024.
Segundo a reportagem , o Tribunal Regional de Minas Gerais enviou uma intimação ao candidato não identificado em 5 de março, concedendo-lhe três dias para responder. O candidato havia concorrido ao cargo de vereador no município de Perdos nas eleições de 6 de outubro de 2024.
A intimação baseou-se em um relatório preliminar de um auditor de contas eleitorais, que descobriu que o candidato não só ocultou a compra de Bitcoin, como também forneceu informações imprecisas sobre seus gastos de campanha. O candidato agora terá que explicar suas razões.
A intimação dizia:
“Tendo em conta esta análise preliminar, o prestador de serviços será notificado para expressar/justificar, no prazo de 03 (três) dias, as possíveis irregularidades/impropriedades acima apontadas.”
De acordo com a legislação brasileira, os candidatos devem declarar seus bens ao concorrerem a um cargo público. Embora essas regras se aplicassem apenas a bens tradicionais, agora elas se estendem às criptomoedas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também proíbe que candidatos aceitem doações em criptomoedas.
Embora o tribunal esteja investigando o caso ativamente, ainda não há detalhes sobre como os ativos em BTC chegaram ao conhecimento do tribunal ou quanto o candidato e seus associados possuem. No entanto, observou-se que a aquisição de BTC ocorreu em agosto de 2024, e o tribunal provavelmente obteve essa informação de corretoras de criptomoedas e instituições bancárias que oferecem negociação de criptomoedas no estado.
Se considerado culpado, o candidato poderá enfrentar sanções severas. Casos anteriores em que candidatos políticos foram considerados culpados de ocultação de bens resultaram emtracou na devolução dos bens ao governo. Em casos mais graves, os candidatos podem ser impedidos de concorrer a cargos públicos ou, caso já estejam em exercício, a condenação pode resultar em uma ordem de renúncia.
Adoção de criptomoedas cresce no Brasil
Enquanto isso, o caso eleitoral destaca o crescimento da adoção de criptomoedas no Brasil e o reconhecimento dos ativos digitais por parte dos candidatos políticos em suas declarações financeiras. Nos últimos anos, o Brasil se tornou um dos 10 principais países do mundo em termos de adoção de criptomoedas.
Segundo uma pesquisa recente da YouGov , quase 15% dos brasileiros preferem usar criptomoedas em vez de bancos, o que demonstra uma crescente aceitação de ativos digitais no país latino-americano. No entanto, cerca de 40% dos entrevistados dent mesma pesquisa consideram as criptomoedas pouco confiáveis.

Outros indícios dessa adoção surgiram recentemente, com a Fundação Cardano firmando parceria com a empresa de software Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO). A SERPO é uma importante parceira tecnológica do governo brasileiro, sendo responsável por mais de 90% das soluções digitais do governo federal.
Com a parceria, Cardano Academy estará disponível para os 8.000 funcionários da SERPO, enquanto as duas entidades se concentram na educação em blockchain e na integração da tecnologia à infraestrutura do setor público. Cardano firmou parceria com a Petrobras, petrolífera estatal brasileira, em 2023.
A adoção de criptomoedas no Brasil não está acontecendo apenas no âmbito governamental. Diversas empresas no país, incluindo bancos tradicionais e neobancos, já oferecem suporte a transações com criptomoedas. A fintech brasileira Meliuz recentemente adotou uma reserva Bitcoin e comprou 45,72 BTC por US$ 4,1 milhões.

