O Supremo Tribunal Federal do Brasil acaba de tomar uma medida que endurece a regulamentação das plataformas de mídia social. A decisão obrigará essas plataformas a serem legalmente responsáveis pelas publicações feitas pelos usuários nelas.
Graças à nova decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil, plataformas de mídia social como Facebook, TikTok e X terão que tomar medidas imediatas para remover conteúdo como discurso de ódio, incitação à violência ou “atos antidemocráticos”, sem necessidade de autorização judicial prévia.
O Brasil tem se mostrado cada vez mais sensível a conteúdos digitais nocivos, especialmente seu impacto sobre os jovens, e essa decisão judicial é uma consequência disso.
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Decisão do Supremo Tribunal Federal exige ação preventiva
Desde que a notícia sobre a decisão foi divulgada, críticos se manifestaram com avaliações contundentes, alguns alertando que ela pode levar à censura preventiva por parte dos grupos de tecnologia que visa.
Existe também a possibilidade de a decisão acirrar as tensões com o governo dodent Donald Trump, que já ameaçou impor restrições de visto a qualquer estrangeiro que seja considerado culpado de censurar empresas e cidadãos americanos.
Apenas no mês passado, o secretário de Estado Marco Rubio disse que Washington estava considerando sancionar um juiz do Supremo Tribunal Federal brasileiro com base na Lei Magnitsky, que visa autoridades estrangeiras por corrupção ou violações de direitos humanos.
O juiz Alexandre de Moraes foi alvo de críticas por ter banido temporariamente o X, antigo Twitter, no ano passado, depois que seu proprietário bilionário se recusou a cumprir as ordens judiciais que exigiam a suspensão de determinadas contas.
A decisão de quinta-feira abre oficialmente o caminho para que cidadãos brasileiros possam processar plataformas digitais caso estas se recusem a remover conteúdo ilegal que lhes tenha sido denunciado.
No passado, aplicativos e sites só assumiam responsabilidade civil por danos causados por publicações de terceiros quando se recusavam a cumprir ordens judiciais para remover o conteúdo ofensivo.
Oito dos 11 juízes decidiram que a regra anterior "já não é suficiente para proteger os direitos fundamentais e a democracia", daí a nova decisão.
Conservadores estão preocupados com a crescente demanda brasileira por regulamentações mais rígidas da internet
Nos últimos tempos, tem havido apelos por uma regulamentação mais rigorosa da internet no Brasil , especialmente após os distúrbios em Brasília em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente de extrema-direita dent Bolsonaro invadiram prédios do governo, pressionando por um golpe militar.
Isso preocupa os conservadores na nação sul-americana, que afirmaram que a decisão, que entrará em vigor assim que for oficialmente publicada, terá um impacto considerável na liberdade de expressão.
O deputado de direita Coronel Chrisóstomo declarou à emissora local Jovem Pan que o Congresso terá que intervir se quiserem resistir à censura.
Grupos de tecnologia também reagiram com frieza. A Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, expressou preocupação com as implicações que a decisão terá sobre a liberdade de expressão, bem como sobre os milhões de empresas que dependem de seus aplicativos para crescimento e geração de empregos no Brasil.
“[Isso] gera incertezas jurídicas e terá consequências significativas para a liberdade de expressão, a inovação e o desenvolvimento da economia digital, aumentando consideravelmente o risco de se fazer negócios no Brasil”, disse Meta.
O Google expressou sentimentos semelhantes, afirmando que já havia manifestado "preocupações com mudanças que poderiam impactar a liberdade de expressão e a economia digital", antes de acrescentar que estava analisando a decisão.

