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O Brasil mantém a taxa básica de juros em 15%

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
  • O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15%, a mais alta em quase 20 anos.
  • Os responsáveis ​​políticos sinalizaram que as taxas de juro se manteriam elevadas por um período prolongado para reduzir a inflação.
  • Apesar da desaceleração do crescimento, o desemprego atingiu um mínimo histórico de 5,6%, mantendo a demandatron.

Mantendo os custos de empréstimo no nível mais alto em quase duas décadas, o Banco Central do Brasil manteve sua taxa básica de juros, a Selic, em 15%. A decisão, anunciada na quarta-feira, já era amplamente esperada por analistas e marcou a segunda vez consecutiva que as autoridades mantiveram as taxas inalteradas.

A medida está em consonância com a abordagem cautelosa do banco em relação à inflação, visto que se comprometeu a manter a taxa, um indicador fundamental da saúde da economia a curto prazo, em um nível muito baixo por um período prolongado. 

Eles deixaram em aberto a possibilidade de aumentar novamente a taxa de juros caso percebam um aumento das pressões inflacionárias. A declaração ressaltou o desejo do banco de reajustar as expectativas de curto prazo e, eventualmente, trazer a inflação de volta à sua meta de 3%. 

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, enfatizou a necessidade de vigilância, acrescentando que a política monetária é a chave e a primeira linha de defesa contra a inflação, e que ninguém deve esperar que ela seja afrouxada rapidamente.

A inflação apresenta sinais mistos

Dados recentes mostram que a inflação está começando a arrefecer, com os preços ao consumidor subindo 5,13% nos 12 meses até agosto, o segundo mês consecutivo de crescimento mais lento. A queda nos custos de eletricidade e alimentos ajudou a aliviar as despesas das famílias, mas a inflação de serviços permanece teimosamente alta. Economistas alertam que aumentos consecutivos na inflação geral ainda podem desestabilizar as expectativas de longo prazo.

Mas a inflação permanece bem acima da meta, e os preços dos serviços continuam subindo. Economistas temem que esses ganhos consecutivos possam contribuir para as expectativas de inflação a longo prazo.

Em sua pesquisa, o Banco do México prevê que a inflação atingirá 4,83% em 2025 e diminuirá para 4,30% em 2026. Ambos os níveis permanecem acima da meta do banco, de 3%, por isso ele tem se mostrado cauteloso até o momento em relação a cortes de juros muito agressivos.

O real brasileiro, que valorizou cerca de 5% desde a última reunião, também ajuda a conter os custos de importação. No entanto, as condições mundiais, desde as commodities até as mudanças na política do Federal Reserve dos EUA, colocam esses planos em risco.

O crescimento econômico perde força

A economia brasileira permanece estagnada cinco meses após o aperto no crédito. E com a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, os custos de empréstimo para empresas e consumidores estão extremamente altos. Os efeitos começam a aparecer em dados econômicos cruciais.

O índice IBC-Br do Banco Central do Brasil, um indicador do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,5% em julho em relação ao mês anterior. A queda foi maior do que a esperada pelos analistas e marcou o terceiro mês consecutivo de desaceleração. No entanto, economistas afirmaram que isso reflete a forma como os fortes aumentos das taxas de juros ao longo do último ano têm pressionado a demanda e o investimento.

Setores sensíveis ao crédito, como construção, varejo e pequenas empresas, também incorrem em custos de empréstimo mais altos. Os bancos afirmam observar uma menor demanda por novos empréstimos, e as empresas dizem estar adiando seus planos de crescimento. O poder de compra das famílias estagnou, afetando negativamente a confiança do consumidor.

Indícios recentes, no entanto, mostram que o mercado de trabalho brasileiro tem demonstrado uma resiliência surpreendente, apesar da crise. A taxa de desemprego caiu para 5,6% em julho, o menor índice desde que esse indicador começou a ser tracpelo Instituto Nacional de Estatística. Os salários dos trabalhadores da economia formal têm crescido a um ritmo sólido, impulsionados pelos setores de serviços e agricultura. A remuneração dos trabalhadores também aumentou consideravelmente, contribuindo para o aumento do consumo interno.

Essa resiliência torna o trabalho do banco central mais complexo. Um mercado de trabalho robusto, salários mais altos que sustentam o poder de compra das famílias e os dados sobre a relação entre a receita de vendas e as vendas no varejo, divulgados na terça-feira, ajudaram a garantir que as pressões inflacionárias permaneçam ativas, apesar de uma desaceleração generalizada no crescimento geral. Mas, se a inflação se mostrar persistente, o banco central poderá ser forçado a manter as taxas de juros elevadas por ainda mais tempo, o que, por sua vez, prejudicará o crescimento.

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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