Larry Fink é um gênio das finanças que dirige a maior empresa de gestão de ativos do mundo, administrando a impressionante quantia de US$ 11,5 trilhões. Isso é mais dinheiro do que o PIB da maioria dos países.
Durante anos, Larry não se interessou pelo Bitcoin, e não escondeu isso. Em 2018, ele o chamou de "um índice de lavagem de dinheiro" e o descartou como uma moda passageira. Avançando para 2024, ele não apenas mudou de opinião — ele está regendo a orquestra.
Mas seu súbito caso de amor com Bitcoin deveria assustar qualquer pessoa que se preocupe com o propósito original dessa criptomoeda.
Larry não acordou um dia e decidiu gostar de Bitcoin. Sua mudança é calculada e está ligada ao crescente domínio da BlackRock nos mercados financeiros. O ETF Bitcoin da empresa já arrecadou mais de US$ 51 bilhões.
Para se ter uma ideia, este ETF superou todos os outros produtos de investimento do planeta. É impressionante que não se fale mais sobre ele.
Larry é um verdadeiro crente?
Larry não foi o único a duvidar Bitcoin no passado. O mercado financeiro institucional, em sua maioria, o descartava como um brinquedo de nicho para entusiastas da tecnologia e anarquistas. Mas os tempos mudaram, e ele se adaptou. Durante uma teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre, em outubro, ele declarou Bitcoin “uma classe de ativos em si mesma”. Isso é enorme.
Vamos com calma. O objetivo principal do Bitcoin é a descentralização. Ele não foi projetado para ser gerenciado, influenciado ou controlado por ninguém, muito menos pelo CEO da empresa mais poderosa do mundo. E, no entanto, aqui estamos.
Uma simples pesquisa no Google sobre o histórico da BlackRock mostra que Larry e seu conselho adoram ter o controle. As chances de eles não tentarem centralizar Bitcoin à medida que suas reservas aumentam cada vez mais são mínimas, para não dizer nulas.
Até o momento, Larry não demonstrou nenhum sinal de ser um purista das criptomoedas, ao contrário de Michael Saylor, .
Uma faca de dois gumes
Vamos falar de números, porque Larry adora números. Bitcoin é volátil. Sempre foi. Na última década, sua volatilidade anualizada foi de 49%. Compare isso com os 14% do ouro e você entenderá por que os investidores institucionais têm sido cautelosos.
Em 10 de dezembro, o preço do Bitcoinflutuou entre US$ 97.499 e US$ 98.140. Essa variação é pequena para os padrões das criptomoedas, mas ainda assim muito maismatic do que a oscilação do ouro, que ficou entre US$ 2.685 e US$ 2.696. Larry não vê isso como um problema. Ele vê como uma oportunidade.
A volatilidade é o que dá Bitcoin o potencial para ganhos extraordinários. É também por isso que ele é arriscado. Larry argumenta que o crescimento do Bitcoinnão está ligado à regulamentação, mas sim à liquidez e à transparência. "Não acredito que seja uma questão de mais ou menos regulamentação", disse ele.
Isso é classic do Larry — focado no que move os mercados, não no que os governos pensam sobre eles. Mas não vamos fingir que isso é isento de riscos. O envolvimento da BlackRock pode estabilizar o preço do Bitcoinno curto prazo, mas ao custo da descentralização.
A questão é a seguinte: se a BlackRock acabar detendo um milhão Bitcoine os preços atingirem, digamos, US$ 250.000 por moeda, a empresa arrecadará US$ 2,5 bilhões anualmente em taxas. Todos os anos, para sempre. Esse é o tipo de poder que deveria fazer qualquer entusiasta de criptomoedas estremecer.
A estratégia de longo prazo da BlackRock: além Bitcoin
Bitcoin não é a única opção para Larry. A BlackRock está se expandindo agressivamente para os mercados privados. Por quê? Porque é aí que está o dinheiro de verdade. Investimentos em capital privado, crédito privado, imóveis e infraestrutura geram taxas mais altas do que as ofertas tradicionais de ações e títulos.
E Larry quer uma fatia desse bolo. Até agora, neste ano, a BlackRock fez duas aquisições gigantescas para reforçar suas capacidades no mercado privado. Em junho, comprou a Preqin, uma provedora de dados sobre ativos privados, por US$ 3,2 bilhões. Em outubro, concluiu um negócio de US$ 12,5 bilhões para adquirir a Global Infrastructure Partners.
Isso adicionou 35% ao total de ativos alternativos da BlackRock, elevando-o para US$ 450 bilhões. Embora ainda esteja atrás dos US$ 1,1 trilhão da Blackstone, coloca a BlackRock à frente da Apollo e da KKR.
Os mercados privados representam atualmente apenas 3% do total de ativos da BlackRock, mas contribuem com 11% de sua receita. É por isso que Larry está tão focado nessa área. Analistas acreditam que a BlackRock poderá em breve adquirir a HPS Investment Partners, uma gestora de crédito privado com US$ 100 bilhões em ativos.
Se isso acontecer, a BlackRock se tornará uma das maiores empresas de crédito privado de Wall Street. Como se a empresa precisasse de ainda mais poder.
A promessa original do Bitcoinera a liberdade de controle. Sem bancos. Sem CEOs. Sem membros de conselho assustadores. Sem intermediários. Mas Larry, embora visionário, ameaça essa visão.

