Um novo relatório da Bain & Company, empresa global de consultoria que integra o grupo das três maiores consultorias do mundo, juntamente com a McKinsey & Company e o Boston Consulting Group (BCG), apontou as stablecoins como fundamentais para o futuro do setor bancário de atacado.
A Bain & Company publicou o relatório em 29 de abril, argumentando que as stablecoins e os depósitos tokenizados não são mais vistos como instrumentos criptográficos especulativos, mas sim como ferramentas estratégicas para movimentar dinheiro no setor bancário de atacado.
A Bain & Company, uma das três maiores empresas de consultoria do mundo, apoia as stablecoins
A Bain & Company publicou recentemente um relatório intitulado "Da Propaganda ao Valor Concreto: Stablecoins e a Grande Reconfiguração do Setor Bancário Atacadista". O relatório foi elaborado por uma equipe de seis pessoas, incluindo Ricardo Correia, Karim Ahmad e Philipp Grimmig.
No relatório, a Bain defia tendência atual do mercado como a “grande reestruturação do setor bancário de atacado”. A empresa argumenta que o sistema bancário tradicional enfrenta um “problema de atrito” devido à lentidão dos pagamentos internacionais.

Além disso, a gestão de garantias imobiliza bilhões em capital ocioso, e as operações de tesouraria são fragmentadas. As stablecoins, por outro lado, estão "sempre ativas" e são programáveis. As transações são liquidadas instantaneamente, em vez de em dias, e sem a necessidade de múltiplos intermediários.
A Bain argumentou que as stablecoins e os depósitos tokenizados se tornaram partes fundamentais da “arquitetura futura da movimentação de dinheiro” e devem ser tratados como prioridade por bancos de atacado e corporações globais.
A Bain recomenda que as instituições priorizem a conformidade e a integração operacional, com foco na liquidação de câmbio, na gestão de garantias de derivativos e na liquidez da tesouraria corporativa.
Por que a Lei CLARITY está paralisada?
O setor de stablecoins possui atualmente uma capitalização de mercado total de US$ 320 bilhões, segundo dados da DefiLlama. Para que bancos e emissores possam movimentar esse dinheiro com segurança, é necessária a aprovação da Lei CLARITY, que está atualmente paralisada. O projeto de lei tem como objetivo classificar claramente quais ativos digitais são valores mobiliários e quais são commodities.
O senador Thom Tillis (republicano da Carolina do Norte) confirmou à apresentadora do Crypto in America, Eleanor Terrett, que está pressionando para que o CLARITY Act seja votado em comissão em maio, mas as negociações estão atrasadas. O GENIUS Act, que se concentra especificamente em stablecoins, também está avançando em comissão.
Cryptopolitan noticiou que os lobistas dos bancos tradicionais não conseguem aceitar nenhuma regra que permita às plataformas de criptomoedas oferecer juros sobre stablecoins, argumentando que isso poderia retirar trilhões de dólares do sistema bancário tradicional.
Vale ressaltar que o governo Trump minimizou esse cenário em um documento de abril, conforme Cryptopolitan relatado.
Segundo informações, o senador Tillis ainda está trabalhando na finalização do texto legislativo. Ele afirmou que espera divulgar o texto de quatro a cinco dias antes da votação, para que as partes interessadas possam analisá-lo previamente.
Se o comitê não aprovar o projeto de lei até meados de maio, as chances de sua aprovação este ano diminuem significativamente devido ao calendário eleitoral. Sem essas leis, a reestruturação descrita por Bain não poderá ocorrer em larga escala.

