O gigante chinês da tecnologia Alibaba Group Holding Ltd. está perto de fechar um acordo para comprar os 13 andares superiores do One Causeway Bay, um edifício comercial de luxo em Hong Kong. O negócio estaria avaliado em US$ 900 milhões, segundo o jornal Hong Kong Economic Times.
Se concretizada, a transação representaria uma das maiores investidas de uma empresa de tecnologia no mercado imobiliário de luxo de Hong Kong nos últimos anos. Ela também reforça a estratégia da Alibaba para uma expansão de longo prazo na cidade, mesmo diante dos desafios enfrentados pelo mercado imobiliário comercial, como alta vacância e queda nos aluguéis.
Isso ocorre no momento em que a gigante chinesa do comércio eletrônico planeja levantar US$ 3,2 bilhões com a venda de títulos conversíveis de cupom zero para financiar a expansão internacional e aprimorar suas capacidades de computação em nuvem. Conforme relatado recentemente pelo Cryptopolitan , este é agora o maior negócio de títulos conversíveis do ano, superando em muito o negócio de US$ 2,75 bilhões da DoorDash em maio.
Aproximadamente 80% dos recursos serão destinados à expansão de data centers, aprimoramento tecnológico e melhoria dos serviços em nuvem para atender à crescente demanda. O restante deverá ser alocado para o fortalecimento das operações de e-commerce da empresa e para o aprimoramento de sua presença no mercado.
Alibaba expande-se para o setor imobiliário de Hong Kong
A Alibaba já aluga 10 andares no Times Square, uma das torres mais importantes de Causeway Bay. Seu contrato de locação está garantido até 2028. No entanto, o aluguel tem suas limitações, já que a empresa depende da renovação dos contratos e enfrenta custos de aluguel mais altos. A compra de andares no One Causeway Bay transformaria a Alibaba de inquilina em proprietária, proporcionando-lhe estabilidade a longo prazo na cidade.
O momento desta compra é estratégico, visto que o mercado de escritórios de Hong Kong está atualmente em recessão. As taxas de vacância dispararam para quase 17%, aproximando-se de um pico histórico. Empresas multinacionais têm reduzido ou adiado expansões, e muitos proprietários estão com dificuldades para preencher seus espaços disponíveis. Isso fez com que as avaliações caíssem e os preços dos imóveis de primeira linha despencassem. Para empresas como o Alibaba, com cash para investir, a desaceleração representou uma oportunidade de adquirir imóveis de primeira linha com desconto.
Analistas afirmam que o Alibaba está capitalizando essa oportunidade. A propriedade também permitiria à empresa gerenciar custos de forma mais eficaz a longo prazo e mitigar os riscos associados a aumentos de aluguel. Além disso, daria ao grupo a capacidade de personalizar o design de seus escritórios e controlá-los, garantindo que o espaço seja adequado às necessidades de negócios em constante mudança, desde o uso tradicional de escritórios até laboratórios de inovação ou espaços de coworking para suas afiliadas.
O One Causeway Bay é um empreendimento atraente por si só. Construída pelo Mandarin Oriental Hotel Group, a torre de 29 andares combina escritórios e lojas em um dos distritos comerciais mais movimentados de Hong Kong.
Alibaba busca consolidar sua presença no mercado
O Alibaba tem aumentado sua presença em Hong Kong nos últimos anos. Seu braço fintech, o Ant Group, também tem expandido suas operações na cidade, já que ambas as empresas buscam crescimento além da China continental.
A possível aquisição é vista como uma clara demonstração de compromisso a longo prazo. A compra do edifício criaria uma base sólida em um período de incertezas, enquanto o grupo continua a desenvolver sua estratégia de negócios internacionais. Também consolidaria sua presença em um dos maiores centros financeiros da Ásia.
Se concretizado, o negócio de 900 milhões de dólares representaria um ponto positivo em um mercado imobiliário apático que tem deixado muitos investidores receosos. Sinalizaria que as empresas de tecnologia de ponta ainda estão dispostas a dar grandes passos, apesar dos reveses econômicos da cidade.
A Alibaba e os vendedores ainda não confirmaram publicamente o acordo. As negociações continuam e especialistas do setor preveem que mais detalhes poderão surgir nas próximas semanas.

