A popularidade da inteligência artificial nos últimos meses reacendeu as discussões e o interesse em robôs humanoides. O fascínio pelas máquinas humanoides é inegável. No entanto, há muito debate sobre se realmente precisamos delas.
Robôs humanoides são robôs projetados para se assemelharem ao corpo humano em forma e movimento. Normalmente, são concebidos para interagir com humanos de maneira natural e intuitiva e são utilizados em diversas tarefas, desde processos de fabricação até o suporte na área da saúde.
Os desafios dos robôs humanoides
Na melhor das hipóteses, os robôs humanoides parecem atraentes, mas algumas pessoas acreditam que são apenas uma novidade que nunca será realmente prática. Diversas empresas investiram pesadamente em robôs humanoides, mas ainda não existe um protótipo viável pronto para o mercado.
A Tesla, de Elon Musk, é uma das principais empresas no campo dos robôs humanoides. A montadora de carros elétricos tem trabalhado no desenvolvimento de um robô humanoide chamado Optimus, por meio de sua divisão de robótica. O Optimus é concebido como um robô versátil, capaz de realizar uma ampla gama de tarefas, desde a fabricação até os afazeres domésticos.
No ano passado, Musk apresentou o Optimus durante o evento AI Day da Tesla. No entanto, a demonstração ao vivo das capacidades do robô deixou muitos especialistas desapontados. Os movimentos do Optimus eram lentos e desajeitados, e o robô teve dificuldades até mesmo para realizar tarefas simples. O desempenho insatisfatório gerou críticas de alguns especialistas em robótica, que questionaram se o Optimus algum dia se tornaria um produto comercial viável.
Neste ponto, o desenvolvimento de robôs humanoides pode parecer, por vezes, uma busca fútil. No entanto, muitos especialistas argumentariam que o objetivo não é apenas criar um produto comercialmente bem-sucedido, mas sim adquirir conhecimento e insights ao longo do processo.
“Não se trata apenas do seu design e funcionamento, mas também de como as pessoas reagem a eles e das tecnologias subjacentes essenciais para mobilidade, destreza, percepção e inteligência”, disse Marc Raibert, cofundador da Boston Dynamics.
Inicialmente, a Boston Dynamics fez experiências com robôs humanoides antes de desenvolver robôs com aparência canina, pelos quais a empresa é hoje mais conhecida. Segundo Raibert, a pesquisa com humanoides ajudou a definir as características do novo robô.
“Isso levou ao desenvolvimento de um novo robô que não era exatamente um humanoide, mas possuía diversas características de um”, disse Raibert. “Mas as mudanças resultaram em um novo robô capaz de manusear caixas mais rapidamente, trabalhar por mais tempo e operar em espaços confinados, como dentro de um caminhão. Portanto, a pesquisa sobre humanoides levou a um robô não humanoide útil.”
Haverá algum dia robôs humanoides?
Embora existam vários desafios a serem superados, não é impossível que robôs humanoides se tornem parte da vida humana. Eles podem não vir na forma de humanoides, mas sim de robôs centrados no ser humano, como o robô com aparência de cachorro da Boston Dynamics.
“Daqui a 10, 20 anos, você verá esses robôs em todos os lugares. [...] Para sempre, robôs centrados no ser humano como esses farão parte da vida humana. Isso é muito empolgante”, disse Damion Shelton, cofundador e CEO da Agility Robotics.
Esses robôs poderiam auxiliar em tarefas repetitivas em fábricas, armazéns, etc., como pegar e mover itens vazios. Recentemente, a Amazon anunciou planos para começar a usar o robô Digits, da Agility, com foco na interação humana, em seus armazéns. Isso destaca uma possível aplicação desses robôs no futuro.
Haverá algum dia robôs humanoides?
