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Wall Street analisa até que ponto os gráficos Bitcoin podem cair abaixo dos principais níveis de suporte

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
Wall Street analisa até que ponto os gráficos Bitcoin podem cair abaixo dos principais níveis de suporte
  • Bitcoin está sendo negociado em torno de US$ 63.000, uma queda de quase 40% em relação ao seu pico próximo a US$ 126.000.
  • Analistas alertam que o preço pode cair para US$ 45.000, US$ 35.200 ou até mesmo US$ 58.000, com base em quedas anteriores.
  • Os fluxos de entrada em ETFs se inverteram, com saídas de quase US$ 4 bilhões em três meses.

As mesas de negociação de Wall Street não estão mais falando sobre sonhos de alta. O assunto agora é o quanto os gráficos Bitcoin podem cair se as vendas continuarem se acumulando.

Segundo dados do TradingView, o preço do Bitcoinestá agora em alarmantes US$ 63.500, após cair de US$ 70.000 esta manhã, perder US$ 13.000 em 6 dias e permanecer bem abaixo do pico próximo a US$ 126.000 visto meses atrás. Uma queda de cerca de 40% obrigou os investidores a pararem de acreditar em grandes promessas e começarem a analisar os gráficos linha por linha.

Muitas declarações otimistas ruíram simultaneamente. Os indicadores de momentum estão em zonas de sobrevenda, mas ainda assim não conseguem gerar compras. A demanda por ETFs (fundos negociados em bolsa) tornou-se irregular. O ativo também não conseguiu servir como proteção durante a crise global.

O histórico de ciclos aponta para riscos de queda acentuados para Bitcoin

John Roque, da 22V Research, analisa ciclos longos, não esperança. Ele afirma que Bitcoin passou por cinco grandes mercados de baixa desde 2011.

A queda média nesses ciclos foi de cerca de 80%. A menor queda ainda eliminou 72% do valor. Se o ciclo atual atingir esse nível menor, o preço cairia para cerca de US$ 35.200. Por enquanto, John mantém uma meta mais próxima de US$ 60.000, mas apenas enquanto essa linha se mantiver.

Michael Purves, da Tallbacken Capital, vê perigo em sinais de longo prazo. Ele destacou um cruzamento mensal do MACD que ocorreu em novembro. Segundo ele, o sinal tem um excelente histórico de tracpara grandes quedas. Nas últimas quatro vezes em que apareceu, as perdas chegaram a 60% a 65%. Michael também apontou para o preço de US$ 76.000, que corresponde ao custo médio de aquisição da estratégia de Michael Saylor, a maior detentora corporativa do ativo. Esse preço já falhou.

Esta semana, Michael reiterou a meta de US$ 45.000, o que implica uma queda adicional de cerca de 33% em relação aos níveis atuais. "Bitcoin acelerou", disse.

Os principais níveis dos gráficos continuam a falhar

Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co., está acompanhando de perto os níveis detrac. Ele afirmou que a zona logo abaixo de US$ 70.000 é importante porque coincide com atracde 50% da alta iniciada após as mínimas de 2022. Abaixo desse nível, seu próximo foco é US$ 65.000, associado àtracde 50% da mínima da pandemia registrada em 2020.

Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital, tracas médias móveis de longo prazo. Nos últimos três mercados de alta, Bitcoin encontrou suporte na média móvel de 50 semanas. Assim que essa linha falhou, o preço recuou para a média móvel de 200 semanas. No momento, a criptomoeda está sendo negociada abaixo da linha de 50 semanas, e a média de 200 semanas está próxima de US$ 58.000.

Alex também escreveu que, com exceção de 2017, uma queda de 40% em relação a um pico histórico nunca parou por aí. Em todos os casos, as perdas chegaram a 50% ou mais em três meses.

Pressão sobre as avaliações e mercados de apostas demonstram receio

Os antigos argumentos de avaliação também estão perdendo força. Estrategistas do JPMorgan afirmam que Bitcoin agora é negociado bem abaixo de seu custo de produção estimado em cerca de US$ 87.000. Se o preço permanecer abaixo desse nível por um longo período, mineradores não lucrativos poderão abandonar o mercado, o que impactaria ainda mais a economia da produção.

Esse cenário não está afastando os compradores. O comportamento das negociações parece mais uma venda de ativos de risco no setor de tecnologia do que uma busca por pechinchas.

Na Polymarket, as probabilidades de o preço fechar abaixo de US$ 55.000 subiram para cerca de 60%. As probabilidades de uma recuperação para US$ 100.000 caíram para 54%, ante 80% no início do ano. As apostas de curto prazo são ainda mais pessimistas. Um mercado de fevereiro agora precifica uma probabilidade de 72% de que Bitcoin seja negociado abaixo de US$ 70.000 até 1º de março. Esse aumento foi de mais de 35 pontos percentuais neste mês, impulsionado por cerca de US$ 1,7 milhão em apostas.

Os fluxos de ETFs já não ajudam. Dezenas de bilhões de dólares foram investidos em fundos no ano passado, impulsionando os preços. Esse suporte, porém, desapareceu. Os ETFs de criptomoedas listados nos EUA registraram saídas de quase US$ 4 bilhões nos últimos três meses, segundo dados da Bloomberg. Pesquisas da Glassnode e da K33 mostram que o investidor médio agora está no prejuízo.

Isso contrasta com as previsões otimistas que ainda circulam em Wall Street. Tom Lee previu em novembro que Bitcoin poderia atingir entre US$ 150.000 e US$ 200.000, o que não aconteceu. Mesmo após reduzirem suas projeções, empresas como Standard Chartered e Bernstein ainda preveem US$ 150.000 até o final do ano. Os gráficos e as apostas indicam que a disputa está longe de terminar.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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