O deficomercial dos EUA em bens atingiu um recorde histórico de US$ 162 bilhões em março de 2025, ultrapassando em muito os US$ 92,8 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
Esses dados foram divulgados pelo Departamento do Censo dos EUA e representam o maior déficit comercial mensal desde que o governo começou tracesses números no início da década de 1990.
O aumento repentino ocorreu pouco antes da entrada em vigor das novas tarifas de Trump. Empresas em todo o país correram para comprar mercadorias — especialmente itens que não se deterioram rapidamente, como carros, peças industriais e bens de consumo — para não serem afetadas pelos aumentos de preços.
Essa onda de compras por pânico fez com que as importações disparassem, enquanto as exportações permaneceram praticamente estáveis. E agora, o resultado é um déficit comercial maior do que qualquer outro visto em mais de três décadas.
As tarifas impostas por Trump em abril impulsionaram o aumento das importações
Em 2 de abril, odent Donald Trump anunciou o que chamou de "tarifas recíprocas", com o objetivo de punir países que, segundo ele, estão se aproveitando dos Estados Unidos.
Logo após o anúncio, as ações despencaram e o custo do financiamento da dívida do governo americano aumentou, à medida que os mercados reagiram aos temores de uma recessão iminente e de um impacto negativo no comércio global.
Dois dias depois, em 4 de abril, o governo decidiu adiar a maioria das novas tarifas por 90 dias, mas isso não ajudou muito. Uma tarifa base de 10% permaneceu, juntamente com uma tarifa altíssima de 145% sobre a maioria dos produtos chineses. Economistas afirmam agora que a taxa tarifária efetiva é a mais alta em mais de cem anos.
Oliver Allen, economista sênior da Pantheon Macroeconomics, afirmou que o aumento repentino das importações foi claramente uma resposta às ameaças de tarifas de Trump. "O cenário para [o primeiro trimestre de 2025] continua sendo o de que as ameaças de tarifas dodent Trump desencadearam uma corrida para comprar bens agora, em vez de enfrentar preços mais altos mais tarde, provocando um aumento surpreendente nas importações", disse Allen.
Essa onda de importações ocorre justamente quando os números do PIB do primeiro trimestre estão prestes a ser divulgados. Analistas da Reuters esperam que o relatório — com previsão de publicação para quarta-feira — mostre um crescimento de apenas 0,3%, bem abaixo dos 2,4% registrados no último trimestre de 2024. No entanto, alguns economistas afirmam que o número do PIB pode ser enganoso.
Economistas alertam que os dados do PIB serão distorcidos
Isabelle Mateos y Lago, economista-chefe do BNP Paribas, afirmou que o número do PIB não contará toda a história. "Ele estará cheio de ruído e refletirá, em grande medida, a soma das importações", disse Isabelle. "Será preciso analisar os detalhes para entender o que realmente está acontecendo."
Outros, como James Knightley, economista-chefe internacional do ING Bank, já se preparam para notícias ruins. "Os números [do comércio] de hoje realmente destacam o risco de que o PIB possa ser negativo, e isso obviamente nos coloca em uma situação muito frágil em 2025", disse James.
Ele explicou que as empresas estavam simplesmente estocando mercadorias para evitar as tarifas, e agora essa corrida acabou. "Esperamos que isso se normalize em breve: os dados dos portos já estão diminuindo."
Essa desaceleração está sendo sentida nos portos da Costa Oeste. Los Angeles tem relatado uma queda no tráfego de cargas nas últimas semanas. Alguns navios que transportam produtos da costa leste da China estão até mesmo retornando.
Além disso, já circulam rumores sobre a escassez de materiais de construção e bens industriais vindos da China, tudo relacionado ao caos tarifário.
Embora o déficit comercial e as tarifas dominem as manchetes, há outra história envolvendo dinheiro se desenrolando sob a gestão de Trump que está irritando os democratas no Congresso.
A senadora Patty Murray, de Washington, e a representante Rosa DeLauro, de Connecticut, afirmaram na terça-feira que o governo Trump está congelando verbas já aprovadas pelo Congresso. Esse montante chega a US$ 436,87 bilhões, dinheiro que deveria ser usado em praticamente todas as principais agências federais.
Quase US$ 42 bilhões destinados ao Departamento de Estado estão congelados ou cancelados. Isso inclui o financiamento da USAID, que agora está bloqueado. Mais de US$ 62 bilhões em subsídios para o Departamento de Transportes também não serão liberados.
Além disso, há US$ 943 milhões congelados para o programa de educação infantil Head Start e mais de US$ 10 bilhões retidos do Serviço de Conservação de Recursos Naturais. Os democratas consideram a decisão imprudente, alegando que ela prejudica serviços e programas essenciais em um momento em que a economia já se encontra em situação instável.

