Frank Bisignano,dent presidente Donald Trump para chefiar a Administração da Previdência Social, foi interrogado por senadores na terça-feira durante uma audiência pública em Washington.
Eles exigiram respostas sobre seus laços com a DOGE, a unidade de "eficiência" apoiada pela Casa Branca que já está profundamente infiltrada em agências federais e enfrenta uma ordem de restrição federal.
Segundo informações da CNBC e registros do Congresso, o nome de Frank surgiu em diversas denúncias internas sobre a crescente influência da DOGE nas operações da Previdência Social.
A audiência da comissão ocorreu sob a presidência do Comitê de Finanças do Senado, liderado por Mike Crapo, com o senador do Oregon, Ron Wyden, à frente da oposição. O foco foi nas ações anteriores de Frank, incluindo sua suposta influência em contratações, acesso a bancos de dados internos e relações pessoais com figuras-chave já inseridas na Previdência Social.
Wyden afirma que o indicado teve participação na equipe e na supervisão do DOGE
Durante a audiência, Ron afirmou que a Previdência Social não está conseguindo fornecer serviços básicos desde que as mudanças do DOGE entraram em vigor. Ele atribuiu os atrasos da agência aos cortes de pessoal e ao fechamento de escritórios locais. "Os idosos estão se perdendo no sistema", disse ele, apontando para sites fora do ar e linhas telefônicas que tocam indefinidamente sem serem atendidas.
Ron disse aos presentes que a audiência era a oportunidade de Frank explicar "de que lado ele está". Frank atualmente atua como CEO da Fiserv, uma empresa financeira que movimenta cerca de US$ 2,5 trilhões em pagamentos diariamente. Na audiência, Frank afirmou que a Administração da Previdência Social lida com cerca de 74 milhões de pagamentos por mês, o que ele considerou um volume administrável em comparação com o que sua empresa processa.
Frank também disse que nunca conversou com Lee Dudek, o atual comissário interino da agência, mas admitiu conhecer Michael Russo, que é o diretor de tecnologia da informação. Ele descreveu Michael como um profissional de tecnologia com quem já trabalhou. "Não o conheço como alguém ligado à DOGE; conheço-o como diretor de tecnologia da informação", disse Frank quando questionado se Russo era uma das nomeações ligadas à DOGE.
Ron então leu uma declaração escrita de alguém que sedentcomo um "funcionário de altíssimo nível" que havia deixado recentemente a Previdência Social.
Essa pessoa alegou que Frank não só se manteve envolvido nas operações diárias antes da confirmação, como também exigiu a palavra final sobre novas contratações. "Esse denunciante afirmou que esse indicado será prejudicial para a agência e citou exemplos específicos", disse Ron.
Frank não negou envolvimento em algumas decisões de pessoal, mas rebateu as acusações de abuso de poder. Ele disse não entender o que significava "bloquear o acesso da DOGE" quando questionado sobre o corte do acesso deles a sistemas federais sensíveis. "Farei o que for necessário para proteger as informações que são privadas", respondeu.
Juiz federal impede DOGE de lidar com dados privados da SSA
Em 20 de março, a juíza federal Ellen Lipton Hollander emitiu uma ordem de restrição temporária proibindo a DOGE de acessar informações dedentpessoal armazenadas pela Administração da Previdência Social. O tribunal também ordenou que todos ostracligados à DOGE apagassem todos os dados que já possuíam.
A lista de dados restritos inclui números de Segurança Social, registos de emprego, arquivos de tratamento médico e de saúde mental, documentos fiscais, endereços, dados bancários e histórico de pagamentos de funcionários. Essa ordem judicial surgiu na sequência de queixas crescentes de que a DOGE tinha ignorado as salvaguardas internas e não estava a cumprir a lei federal de privacidade.
Em uma entrevista concedida à CNBC em fevereiro, Frank afirmou que planejava colaborar "100%" com a DOGE paradentfraudes e desperdícios na Previdência Social. "Sou fundamentalmente um defensor da DOGE", disse ele na ocasião. Na terça-feira, ele esclareceu esse comentário, dizendo: "Eu já me concentrava em eficiência antes mesmo de existir o termo DOGE"
O denunciante, cujo depoimento por escrito foi apresentado por Ron, afirmou que o envolvimento de Frank era mais profundo do que ele admitia. A declaração alegava que Frank frequentemente conversava com executivos seniores, solicitava informações sobre decisões internas importantes e até mesmo instruía os gerentes de contratação a não contratarem novos funcionários sem consultá-lo primeiro.
Eles também disseram que Frank ajudou a selecionar várias pessoas que agora trabalham sob a égide da agência, incluindo Michael Russo, o advogado Mark Steffenson, Scott Coulter e o engenheiro da DOGE, Akash Bobba. De acordo com o denunciante, Frank teve conversas privadas com esses indivíduos e aprovou suas funções. A pessoa afirmou que esse nível de envolvimento era incomum e arriscado para alguém ainda não confirmado.
O mesmo depoimento levantou suspeitas sobre o amplo acesso concedido a bancos de dados da Previdência Social por funcionários da DOGE, o que supostamente violava políticas internas e ignorava regras básicas de privacidade. "Essas ações prejudicarão os idosos", escreveu a pessoa.
O denunciante também nomeou 19 pessoas que poderiam corroborar seu relato, incluindo Lee, Michael e a ex-comissária interina Michelle King. Mas, até o momento, nenhum desses nomes se manifestou publicamente.
Quando o comitê solicitou um posicionamento da equipe de transição de Trump, Arjun Mody, um alto funcionário, enviou uma declaração. "Frank Bisignano não faz parte da agência [da Previdência Social] e não está envolvido em nenhuma tomada de decisão na agência", afirmou ele em um e-mail.
Apesar da negação de Arjun, os senadores não pareceram convencidos. Ron deixou claro sua preocupação com a combinação de poder, influência do setor privado de tecnologia e grupos externos como o DOGE direcionando as decisões dentro da Previdência Social. O comitê ainda não agendou uma votação para a confirmação de Frank.
Frank reiterou que não permitiria que pessoas não autorizadas visualizassem dados privados. Mas, quando questionado se impediria a DOGE de usar qualquer sistema da agência, ele não se comprometeu com uma resposta afirmativa ou negativa. A comissão encerrou a sessão sem uma resolução, deixando seu futuro incerto e as perguntas ainda sem resposta.
Frank continua sendo o indicado de Trump, mas se ele conseguirá o cargo ou não depende de como o comitê proceder. Por ora, a questão não se resume a um único homem. Trata-se da profunda influência que DOGE já exerce dentro do governo federal — e de quem vai impedi-la.

