O presidente do Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley, admitiu na terça-feira que o Congresso é impotente para impedir os cortes drásticos no orçamento governamental propostos por Elon Musk. "O Congresso não pode fazer nada além de reclamar", disse Grassley em uma coletiva de imprensa, segundo reportagem da RadioIowa.
Grassley também destacou que o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) de Elon Musk tem o apoio total dodent Donald Trump.
As demissões em massa em agências federais, que já dizimaram órgãos reguladores e organizações de fiscalização, são uma decisão do Poder Executivo, explicou . "A Constituição diz que todo o poder executivo do governo federal será investido... no cargo da presidência."
Trump e Elon Musk defendem os cortes na Fox News
Trump e Elon Musk vão abordar a reformulação do governo em uma entrevista pré-gravada para a Fox News, que deve ir ao ar em algumas horas. A conversa, gravada na sexta-feira com o apresentador Sean Hannity, é a primeira vez que os dois aparecem juntos desde que Trump retornou ao cargo no mês passado.
A Fox divulgou uma prévia da entrevista, mostrando Elon Musk discutindo sua mudança política do Partido Democrata para o Partido Republicano. "Eu costumava ser adorado pela esquerda", disse Elon. "Menos hoje em dia por causa do meu apoio a Trump."
Elon atribuiu o problema ao que chamou de "Síndrome de Transtorno de Trump", acrescentando: "Você não percebe o quão real isso é até que não consiga mais dialogar com as pessoas. É como se elas tivessem se tornado completamente irracionais."
Trump, falando ontem em uma coletiva de imprensa na Flórida, insinuou a entrevista, dizendo aos repórteres que alertou Elon Musk sobre potenciais conflitos de interesse entre suas empresas privadas e projetos governamentais. "Eu disse a Elon sem rodeios: você não pode trabalhar em projetos governamentais que interfiram em suas empresas", disse Trump, referindo-se à SpaceX de Elon, que temtraccom a NASA.
Elon Musk fecha agências e amplia seu controle
Elon Musk não perdeu tempo em desmantelar agências federais. Na semana passada, ele fechou o Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), uma agência criada após a crise financeira de 2008 para proteger os consumidores de fraudes bancárias e golpes de fintech.
Elon Musk anunciou o encerramento com uma única postagem no X: “CFPB RIP”, seguida de um emoji de lápide. Sua decisão efetivamente acaba com as proteções financeiras do consumidor, retirando a supervisão do setor fintech justamente quando a própria plataforma X de Elon garante um importante acordo bancário, algo que os democratas fizeram questão de destacar.
Dias antes de encerrar o CFPB, a X de Elon Musk fechou um acordo com a Visa para lançar a X Money Account, parte de sua estratégia para transformar a X em um "aplicativo para tudo". A plataforma agora oferecerá serviços bancários, redes sociais, suporte de IA e, como apontam os críticos, um refúgio para propaganda extremista — tudo em um só lugar.
Trump defendeu o poder irrestrito de Elon, dizendo que o bilionário está controlando seus próprios conflitos. "Elon está fazendo um trabalho fantástico", disse Trump aos repórteres. "Vocês podem confiar nele."
Uma reportagem do Financial Times afirma que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, esperava uma reunião de Estado formal quando visitou Washington na semana passada, mas, em vez disso, se viu sentado diante de três dos filhos de Elon Musk e uma de suas mães no que deveria ser uma discussão oficial sobre a expansão da Tesla e da SpaceX na Índia.

