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A ameaça de tarifas de Trump desencadeia batalha pela soberania no Supremo Tribunal Federal do Brasil

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • Trump ameaçou impor tarifas de 50% ao Brasil, a menos que as acusações contra Bolsonaro sejam retiradas.

  • O Supremo Tribunal Federal do Brasil se recusou a recuar e manteve o caso em andamento durante o recesso.

  • Os EUA revogaram vistos de juízes brasileiros enquanto aliados de Trump faziam lobby em Washington.

A mais recente manobra de política externa de Donald Trump esbarrou no Brasil em 9 de julho, quando odent americano ameaçou impor tarifas de 50%, a menos que os tribunais do país retirassem as acusações contra seu aliado político, Jair Bolsonaro. 

A ação pegou de surpresa o Supremo Tribunal Federal do Brasil, que nem sequer estava em sessão naquele mês. Vários juízes estavam fora do país, mas isso não os impediu de atender aos chamados de emergência assim que o alerta de Trump foi divulgado, segundo reportagem da Bloomberg.

Em vez de se apressar para acalmar os ânimos, Alexandre de Moraes, o juiz responsável pelo caso de Bolsonaro, juntou-se a outros membros da Suprema Corte para planejar uma resposta. Eles queriam contestar a alegação de Trump de que Bolsonaro era vítima de uma “caça às bruxas”

Mas a ideia de falar primeiro foi abandonada depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, conversou diretamente com odent Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o lado político deveria dar o primeiro passo.

Naquela mesma noite, Lula emitiu uma resposta contundente: “O Brasil é um país soberano com instituiçõesdent ”. A mensagem visava demonstrar que os poderes Executivo e Judiciário não estavam trabalhando em conjunto nesse caso e que odent dos EUA havia ultrapassado os limites ao tentar pressionar o sistema legal. A pressão de Trump para encerrar o julgamento, na verdade, havia provocado o efeito contrário.

Juízes mantêm caso em aberto durante o recesso

Thiago de Aragão, presidente da Arko International, afirmou que a estratégia se mostrou contraproducente. "Se havia alguma expectativa de que as ameaças gerassem algum receio no Supremo Tribunal Federal, o efeito foi o oposto", disse ele. "A disposição deles em levar isso até o fim é muito maior."

E eles não esperaram até agosto para agir. Apesar do recesso, Moraes manteve o caso ativo. Em 14 de julho, a Procuradoria-Geral da República apresentou suas alegações finais pedindo a condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe de 8 de janeiro. Espera-se um veredicto logo após o retorno do tribunal às atividades em agosto.

Enquanto isso, Trump reiterou sua posição em uma carta pública endereçada a Bolsonaro. "Espero sinceramente que o Governo do Brasil mude de rumo, pare de atacar opositores políticos e acabe com seu ridículo regime de censura", escreveu ele. "Estarei acompanhando de perto."

A Suprema Corte do Brasil respondeu ordenando que Bolsonaro usasse uma tornozeleira eletrônica, argumentando que ele representava risco de fuga. O governo dos EUA também não recuou. O Departamento de Estado revogou os vistos americanos de Moraes e de vários outros ministros envolvidos no caso.

Aliados de Trump intensificam a pressão em Washington

A tensão não começou da noite para o dia. No início deste ano, diplomatas americanos alertaram a justiça brasileira de que a continuidade da investigação sobre se Bolsonaro tentou reverter sua derrota nas eleições de 2022 poderia afetar as relações comerciais.

Na época, o tribunal ignorou a mensagem. Eles não esperavam que Washington se envolvesse em uma questão jurídica interna. Mas, após o retorno de Trump à Casa Branca, perceberam rapidamente que haviam avaliado mal a situação.

Ao longo do último ano, Moraes ordenou a remoção de contas que disseminavam desinformação em plataformas como X, Facebook e Rumble, inclusive durante uma discussão pública com Elon Musk. Veículos de mídia e políticos de direita o atacaram, alegando que ele pratica censura. O filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, passou meses fazendo lobby nos EUA para que sanções fossem impostas ao juiz.

Eduardo viajou a Washington D.C. na semana passada com Paulo Figueiredo, comentarista conservador e neto de um ex-ditador militar brasileiro. Eles alegaram ter se reunido com autoridades do Departamento de Estado e da Casa Branca, e saído de lá com uma advertência.

“A posição de todos foi unânime: não haverá um milímetro de concessão a menos que o Brasil dê o primeiro passo”, disse Figueiredo. “O aviso que ouvimos foi: 'Se as coisas continuarem nesse ritmo, odent Trump poderá tomar medidas adicionais, que podem até envolver o mercado financeiro'.”

No Brasil, a posição da Suprema Corte não mudou. Para os ministros, trata-se de defender a democracia, especialmente após milhares de apoiadores de Bolsonaro invadirem o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o Paláciodentem 8 de janeiro de 2023. As cenas foram semelhantes ao ataque ao Capitólio em Washington em 6 de janeiro, mas a resposta jurídica foi completamente diferente.

Em 2023, o tribunal eleitoral, composto por ministros rotativos do Supremo Tribunal Federal, proibiu Bolsonaro de concorrer a cargos eletivos por oito anos, devido à disseminação de mentiras sobre o sistema eleitoral. Quando a Polícia Federal recomendou a abertura de processo por golpe de Estado em novembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal a aprovou em poucos meses e se preparou para o julgamento.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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