Odent Donald Trump finalmente disse em voz alta o que Pequim e Wall Street estavam esperando ouvir. Ele declarou a jornalistas na quinta-feira que as tarifas de importação de 145% impostas à China desde seu retorno à Casa Branca provavelmente serão reduzidas.
“Não dá para subir mais. Está em 145, então sabemos que vai baixar”, disse ele em uma coletiva de imprensa onde também revelou um acordo tarifário separado com o Reino Unido.
Segundo a BBC, este foi o sinal mais tron até agora de que as duas maiores economias do planeta estão se preparando para diminuir o ritmo da disputa comercial que vem afetando os mercados globais há meses
A reunião para discutir a redução das tarifas acontecerá neste fim de semana na Suíça, com ambos os lados enviando autoridades de alto escalão. Os EUA enviarão o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, enquanto a China será representada pelo Vice-Primeiro-Ministro He Lifeng, principal responsável pela política econômica do país.
Embora a primeira rodada seja técnica, todos os envolvidos sabem que isso não será possível sem a intervenção dos dois líderes. "Acho que todos reconhecem que qualquer acordo final exigirá o engajamento ativo de ambos osdent", disse Stephen Olson, ex-negociador comercial dos EUA.
Trump diz que o encontro com a China será "amigável"
No mesmo evento em que apresentou o acordo comercial com o Reino Unido, Trump descreveu as próximas negociações com a China como pacíficas. "Acho que será um encontro muito amigável. Eles esperam conduzi-lo de forma elegante", disse ele. Do lado chinês, a vice-ministra das Relações Exteriores, Hua Chunying, demonstrou o mesmo entusiasmo.
Hua afirmou que Pequim tem "plena confiança" em sua capacidade de administrar as tensões comerciais com Washington. Ambos os lados têm sofrido com a crescente pressão econômica, e analistas dizem que estão começando a agir de acordo com isso.
Dan Wang, consultora de risco político do Eurasia Group, disse à BBC que os sinais mais recentes sugerem que ambos os governos estão abertos a um acordo. "Os sinais recentes de ambos os lados sugerem que uma desescalada transacional está em discussão", afirmou.
Mas isso não significa que os problemas centrais estejam perto de serem resolvidos. "Os atritos sistêmicos entre os EUA e a China não serão resolvidos tão cedo", alertou Olson. Olson também acredita que quaisquer tarifárias resultantes da próxima reunião serão mínimas. "Quaisquer cortes de tarifas como resultado desta reunião provavelmente serão pequenos", acrescentou.
Eswar Prasad, ex-chefe da divisão da China do FMI, corroborou essa afirmação, dizendo que mesmo que Trump recue nas últimas tarifas, os dois países ainda têm um longo caminho a percorrer. "Um objetivo realista seria, na melhor das hipóteses, uma redução das altíssimas tarifas bilaterais, mas isso ainda deixaria em vigor altas barreiras tarifárias e várias outras restrições", disse Prasad.
As exportações da China caem à medida que aumenta a pressão de ambos os lados
Na sexta-feira, o Ministério do Comércio da China divulgou dados comerciais referentes a abril, mostrando que as exportações para os EUA caíram mais de 20% em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o total das exportações chinesas subiu 8,1%, superando as expectativas dos analistas.
Isso demonstra que a China está conseguindo transferir o comércio para outros mercados, mesmo sofrendo com a perda de negócios com os EUA. Para Trump, esses números podem reforçar a necessidade de uma rápida desescalada, especialmente às vésperas de sua campanha de reeleição em 2025.
A reunião com a Suíça acontecerá dois dias depois de o governo Trump ter fechado um novo acordo tarifário com o Reino Unido, tornando-se o primeiro país a firmar um acordo formal no âmbito da nova rodada de impostos de importação.
Nos termos do acordo, os EUA reduzirão as tarifas sobre um conjunto específico de carros britânicos e permitirão a entrada de um lote de aço e alumínio sem tarifas. Algumas outras indústrias do Reino Unido também receberão alívio temporário das novas tarifas de Trump, em vigor desde janeiro.

