Odent Donald Trump está pressionando fortemente por um ienetronforte nas negociações comerciais com o Japão, e essa demanda já se intrometeu em uma negociação que deveria ser sobre tarifas.
O encontro começou na quarta-feira em Washington, onde o ministro da Economia do Japão, Ryosei Akazawa, reuniu-se com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e com o representante comercial Jamieson para dar início às discussões bilaterais.
A reunião tomou um rumo inesperado quando Trump entrou sem avisar e exigiu que a política cambial fosse discutida diretamente. Isso ocorreu após sua acusação pública, no mês anterior, de que o Japão estaria enfraquecendo intencionalmente o iene para obter uma vantagem injusta sobre os exportadores americanos.
Kato nega manipulação cambial antes de viagem a Washington
A agenda oficial já havia sido moldada pela Casa Branca de Trump, que insistiu em colocar a manipulação da taxa de câmbio no centro das atenções. Isso ocorreu depois que Trump acusou Tóquio de usar sua moeda de forma desonesta para obter uma vantagem comercial desproporcional.
Embora Akazawa tenha afirmado posteriormente que o iene não foi discutido naquele dia, ele também disse que tais assuntos seriam mais adequados para outra mesa — especificamente, aquela para a qual o Ministro das Finanças, Katsunobu Kato, se dirigirá na próxima semana.
Kato tem viagem marcada para Washington para as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, onde poderá ter um encontro a sós com Bessent. Ele respondeu às acusações sobre a moeda na sexta-feira, durante um discurso no parlamento, refutando diretamente a alegação de Trump de que o Japão enfraquece o iene propositalmente.
“O Japão não manipula o mercado cambial para enfraquecer intencionalmente o iene, como demonstra nossa ação mais recente de compra de ienes”, disse Kato quando questionado por parlamentares sobre os comentários de Trump. Ele reconheceu o interesse dos EUA em discutir as taxas de câmbio, mas afirmou que nenhuma data havia sido definida para um possível encontro com Bessent.
Espera-se que essas reuniões bilaterais sejam o principal fórum onde os EUA e o Japão irão discutir os detalhes técnicos das disputas cambiais, inseridas no contexto mais amplo das negociações tarifárias.
Mas a mera menção da exigência de Trump já gerou tensão entre analistas financeiros e observadores do mercado. Muitos deles afirmam que qualquer mudança forçada no equilíbrio entre o iene e o dólar pode ter consequências negativas para ambos os países.
alertam que parte do risco está embutido na frágil recuperação do Japão. Forçar o Banco do Japão a aumentar as taxas de juros mais rapidamente para impulsionar o iene poderia sufocar essa recuperação e atropelar completamente a independência do banco central.
Outra decisão arriscada seria vender dólares americanos para valorizar o iene. Mas isso implicaria o Japão cash bilhões dos mercados de dívida dos EUA justamente quando a situação está instável, criando ripple que nenhum dos dois países pode suportar.
Wall Street fica atenta à ameaça de desvalorização do dólar
Os analistas do Citigroup já estão acompanhando a situação de perto. Em uma nota divulgada esta semana, Osamu Takashima, estrategista de câmbio do banco, alertou que o Japão provavelmente será um dos principais alvos caso o governo Trump tente promover uma desvalorização global do dólar.
Esse plano, que foi apelidado extraoficialmente de "Acordo de Mar-a-Lago", teria como objetivo baratear os produtos americanos no exterior.
“Neste momento, não vemos um 'Acordo de Mar-a-Lago' como um risco concreto”, escreveu Takashima. “No entanto, países como o Japão, que possuem reservas consideráveis de moeda estrangeira e cuja moeda está subvalorizada, tenderiam a ser o alvo neste caso.”
O iene já vem se valorizando devido à especulação de que os EUA poderiam envolver o Japão em um plano de realinhamento cambial. Operadores e economistas acreditam que Trump busca reduzir o enorme deficomercial dos EUA, e atacar o iene é uma das maneiras de fazer isso.
Em seu discurso em março, Trump afirmou ter alertado o Japão e a China para que não continuassem a desvalorizar suas moedas. "Eles não poderiam continuar reduzindo o valor de suas moedas, pois isso seria injusto para os Estados Unidos", disse ele na ocasião.

