As últimas medidas de Trump para pressionar a China, restringindo suas exportações através de terceiros países, podem prejudicar grande parte das exportações chinesas para os Estados Unidos e minar seu crescimento econômico.
Analistas da Bloomberg Economics afirmam que a China tem dependido mais de outras nações para produzir bens acabados ou componentes destinados ao mercado americano. Essa tendência ganhou força após o início das guerras comerciais de Trump e a imposição de restrições mais severas à China.
A pesquisa deles mostra que a parcela da produção industrial da China ligada a bens destinados aos EUA, mas que passam por parceiros como o México e o Vietnã, subiu para 22% em 2023, ante 14% em 2017.
Caso o governo Trump leve adiante seus planos de impor tarifas adicionais ou regras rígidas na cadeia de suprimentos para esses transbordos, isso poderá ameaçar cerca de 70% das exportações da China para os Estados Unidos.
Isso, por sua vez, colocaria mais de 21% do PIB da China em risco, segundo estimativas de analistas. Eles também alertam que os danos podem se alastrar ainda mais se os países ficarem receosos de negociar com a China.
“Os fluxos comerciais via países terceiros são substanciais e ajudaram a amortecer o impacto das tarifas americanas existentes”, escreveram os especialistas da Bloomberg Economics, Chang Shu, David Qu e Rana Sajedi, em uma nota de pesquisa divulgada na terça-feira. “Controles mais rígidos sobre essas remessas aumentariam os danos da guerra comercial e poderiam corroer as oportunidades de crescimento a longo prazo.”
As remessas indiretas da China enfrentarão medidas mais rigorosas
A Casa Branca sinalizou medidas mais rigorosas em relação ao que considera remessas indiretas de mercadorias chinesas. Nas últimas semanas, autoridades americanas enviaram cartas a diversos governos alertando que, a menos que novos acordos comerciais bilaterais sejam firmados até 1º de agosto, eles enfrentarão tarifas mais altas sobre produtos transbordados da China.
Embora as cartas forneçam poucos detalhes, elas sugerem que o governo pode ampliar a abrangência da fiscalização para incluir muitos outros produtos fabricados na China que entram nos EUA sob a bandeira de outras nações.
México e Vietnã lideram a lista de países que a China utiliza para abastecer os EUA com mercadorias, sendo a UE também uma importante rota de entrada. Essas conexões podem remodelar as próximas negociações dos EUA com seus parceiros. Por exemplo, o acordo comercial EUA-Reino Unido, assinado no início deste ano, inclui cláusulas destinadas a garantir a segurança das cadeias de suprimentos e limitar o controle estrangeiro em áreas sensíveis.
Ainda assim, a equipe da Bloomberg observa que permanece incerto o quão rigorosamente Washington poderá aplicar as novas regras de transbordo. defido governo americano sobre o que se considera produto fabricado localmente são vagas, e os métodos para verificar a origem não foram especificados.
As exportações chinesas de terras raras para os EUA aumentaram 660%
Entretanto, as exportações chinesas de ímãs para os EUA aumentaram matic em junho, após um acordo comercial histórico entre os dois países. Dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostraram que as remessas desses minerais críticos subiram para 353 toneladas métricas no mês passado, um aumento de 660% em comparação com as 47 toneladas métricas do mês anterior.
O aumento ocorreu depois que Washington e Pequim chegaram a um acordo em junho para resolver os entraves em torno das exportações de terras raras e ímãs. Como parte dessas negociações, a fabricante de chips Nvidia afirmou que retomará as vendas do chip de IA H2O.
A China, que fornece mais de 90% dos ímãs permanentes do mundo, adicionou vários desses itens a uma lista de controle de exportação no início de abril, em resposta às tarifas americanas. No geral, as empresas chinesas exportaram 3.188 toneladas de ímãs permanentes para todo o mundo em junho, um aumento de 157,5% em relação às 1.238 toneladas de maio, embora esse total ainda esteja 38,1% abaixo das 5.160 toneladas exportadas em junho de 2024.

