O mercado de criptomoedas recebeu um alerta desagradável após a divulgação dos últimos dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA. Bitcoin e Ethereum, as duas principais criptomoedas do mundo, viram os investidores correrem para vender suas posições assim que os números foram divulgados.
Todos esperavam que o índice de preços ao consumidor (IPC) revertesse a situação, e não decepcionou — só que não da maneira que os otimistas esperavam.
Com os números da inflação em linha com as expectativas, o mercado rapidamente começou a precificar uma maior probabilidade de um corte de 25 pontos base na taxa de juros, saltando de 47,5% para 62,5%.
A reação? Caos absoluto.
Logo após a divulgação do relatório do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), as criptomoedas e as ações registraram um breve pico, mas foi como uma faísca que se apagou antes mesmo de começar.
Grande parte disso se deveu ao governo dos EUA ter injetado 10.000 BTC na Coinbase Prime e à Jump ter se desfeito de 17.000 ETH. Essa repentina inundação de oferta atingiu o mercado como um caminhão.
A volatilidade inicial Bitcoin e do Ether despencou, perdendo cerca de 10 pontos percentuais, enquanto as reversões de risco caíram para -8 para o ETH e -6 para o BTC.
As consequências pós-IPC
Toda essa situação deixou os investidores apreensivos, e com razão. O mercado de criptomoedas já é extremamente líquido e altamente alavancado, o que significa que qualquer movimento de preço é como jogar gasolina na fogueira.
O mercado de opções, que geralmente é um bom indicador de para onde as coisas podem estar caminhando, está dando fortes indícios de que mais dificuldades podem estar a caminho.
A onda de vendas foi rápida, com a nova oferta de BTC e ETH atingindo um mercado que já estava nervoso. É como assistir a um efeito dominó: quando o primeiro cai, os outros o seguem.
E neste momento, os investidores estão se esforçando para se antecipar à tendência, temendo que isso possa ser apenas o começo de um período de baixa mais prolongado.
Os analistas da QCP Capital apontaram que essa reação era praticamente o que eles esperavam. Com os EUA despejando 10 mil BTCs e a Jump fazendo o mesmo com uma enorme quantidade de ETHs, não é de se admirar que os investidores estejam apertando o botão de venda.
Os ETFs permanecem imperturbáveis
Apesar do caos, nem tudo é ruim. Ontem, os ETFs (fundos negociados em bolsa) Bitcoin à vista registraram uma entrada líquida de US$ 11,11 milhões.
Isso é bastante interessante, especialmente quando consideramos que o Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) registrou saídas de US$ 25,03 milhões durante o mesmo período. É uma contradição estranha que demonstra o quão dividido está o mercado atualmente.
As saídas de capital do GBTC estão em consonância com a recente decisão da Arca, plataforma de negociaçãotronda Bolsa de Valores de Nova York, de retirar uma proposta de alteração de regras.
Essa mudança teria permitido a negociação de GBTC e outros ETFs de criptomoedas, mas, com essa possibilidade descartada, parece que os investidores estão retirando seu dinheiro.
Os fluxos de entrada em ETFs são um ponto um pouco positivo, mas não são suficientes para compensar o sentimento pessimista generalizado que está tomando conta do mercado.
Enquanto isso, o Ether está passando por um momento difícil. Mesmo estando cotado 25% acima de sua mínima de oito meses, de US$ 2.112, atingida durante a infame queda de 5 de agosto, a perspectiva não é exatamente otimista.
A segunda maior criptomoeda em valor de mercado tem apresentado uma tendência de alta, com ganhos de 13% nos últimos sete dias, mas os analistas ainda estão em alerta, avisando que os riscos de queda para Ethereum permanecem bastante presentes.

