Essa valorização do ouro está superando as altas anteriores – mas será que vai durar?

- O ouro atingiu US$ 4.000 por onça pela primeira vez, acumulando uma valorização de 50% neste ano e de 150% desde outubro de 2022.
- O estrategista do Bank of America, Michael Hartnett, alertou que a alta pode estar se tornando excessiva após nove semanas consecutivas de entrada de capital.
- Michael Hsieh, do Deutsche Bank, disse que os sinais técnicos apontam para uma possível pausa, e não para uma correção.
O ouro ultrapassou a marca de US$ 4.100 por onça esta semana, um recorde histórico que surpreendeu investidores em todos os mercados. A alta elevou seu ganho acumulado no ano para mais de 50%, enquanto o índice S&P 500 subiu apenas 14,5% no mesmo período.
Desde o início da alta em outubro de 2022, o metal valorizou cerca de 150%. Esse número é inferior ao aumento médio de 293% observado em ciclos de alta anteriores desde a década de 1970, segundo o Bank of America, mas este tem apresentado um crescimento muito mais rápido.
Os mercados de alta do ouro geralmente duram cerca de 43 meses, e este ciclo atingiu seu pico em apenas 36 meses.
Os fatores determinantes são claros: política monetária mais frouxa do Federal Reserve, queda do dólar americano e demanda atrelada ao que os investidores chamam de "comércio de desvalorização cambial". Mas alguns acreditam que a alta pode estar sendo exagerada.
Michael Hartnett, estrategista do Bank of America, afirmou em sua nota para o Flow Show que o burburinho se espalhou muito além das mesas de operações. Ele compartilhou:
"Meu cunhado me contou recentemente que estava almoçando com X e perguntou se deveria comprar ouro ou prata físicos, ou se já era tarde demais, visto que seus investimentos em vinho estão despencando."
Hartnett também destacou que o ouro registrou nove semanas consecutivas de entrada de capital, com um aporte de US$ 2,1 bilhões nesta semana. Mesmo assim, esse foi o menor fluxo em três semanas.
Analistas alertam para sinais de que a alta monstruosa do ouro está atingindo o pico
Michael Hsieh, estrategista do Deutsche Bank, analisou que os indicadores técnicos sugerem que a alta está prestes a atingir o pico. Nas palavras dele:
“Não vemos isso como um sinal de uma correção iminente. No máximo, pode indicar um período de comportamento mais neutro, como o ocorrido entre junho e agosto. O valor justo subiu juntamente com o ouro nos últimos dois meses.”
Isso significa que o mercado pode entrar em uma pausa em vez de entrar em colapso total.
A prata também está em alta, atingindo US$ 50 por onça pela primeira vez ontem, em reação à escassez de oferta em Londres. A prata armazenada em cofres, que supriu a demanda do mercado por anos, agora está praticamente esgotada. Essa escassez apertou o mercado físico, elevando os preços e impulsionando ainda mais a valorização do metal.
Alguns acreditam que a alta vai subir ainda mais. Randy Smallwood, CEO da Wheaton Precious Metals Corp., disse em entrevista à Bloomberg Television:
“Estoudent de que veremos o ouro acima de US$ 5.000 no próximo ano. É uma trajetória que poderia facilmente levá-lo a US$ 10.000 por onça antes do final da década. Não me surpreenderia nem um pouco.”
Randy também abordou a pressão sobre a prata. Ele disse: “Estamos operando em modo de defino mercado de prata há muito tempo. A prata armazenada em cofres tem alimentado o defi, mas agora esses cofres estão se esgotando.” A escassez reforçou a necessidade de os investidores recorrerem a metais preciosos, visto que a oferta permanece restrita.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.
















