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Suíça oferece investimento em refino de ouro para amenizar o impacto das tarifas de 39% de Trump

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • A Suíça está se oferecendo para investir em operações de refino de ouro nos EUA para pressionar odent Trump a eliminar uma tarifa de importação de 39%.
  • Refinarias suíças planejam transferir operações de baixa margem, como a fusão de barras de chocolate londrinas, para barras de 1 quilo, preferidas em Nova York.
  • Políticos como Lisa Mazzone e Nick Hayek estão defendendo novos impostos sobre as exportações de ouro em meio a críticas aos riscos do setor.

De acordo com informações da Bloomberg, a Suíça está oferecendo injetar dinheiro em refinarias de ouro nos EUA numa tentativa de convencer odent Donald Trump a revogar a taxa de importação de 39% imposta aos seus produtos no mês passado.

Esse imposto, o mais alto entre os países desenvolvidos, já está afetando as exportações suíças e reduzindo as previsões de crescimento. Depois de uma tentativa anterior dadent suíça, Karin Keller-Sutter, de se opor a Trump ter fracassado, as autoridades agora estão mudando de tática. Estão oferecendo incentivos fiscais nos setores de energia, agricultura e, agora, ouro.

A oferta feita ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ao Representante Comercial, Jamieson Greer, inclui a transferência para os Estados Unidos das atividades de refino menos lucrativas da Suíça. Isso significa transferir o processo de derretimento de grandes barras de ouro de Londres para barras menores, preferidas em Nova York — um trabalho que rende às refinarias apenas alguns dólares por barra, mesmo quando os preços ultrapassam US$ 3.800 a onça. O governo suíço não quis entrar em detalhes, mas afirmou ter "otimizado sua oferta aos EUA para chegar a um acordo rápido". Acrescentou ainda que as negociações continuarão com o objetivo de reduzir as novas tarifas o mais rápido possível.

Exportações suíças de ouro e prata inundam os EUA, provocando reação política

Tudo começou quando a ameaça de tarifas de Trump criou uma oportunidade para os negociadores de ouro. Eles agiram rapidamente para despejar ouro nos Estados Unidos antes que qualquer medida oficial fosse tomada. Essa estratégia de curto prazo se transformou em um problema quando o ouro representou mais de dois terços do superávit comercial da Suíça com os EUA somente no primeiro trimestre. O cantão de Ticino, lar das maiores refinarias de ouro do mundo, tornou-se o epicentro de tudo. Com as refinarias suíças operando sem parar para fundir e refundir barras de ouro, o excedente explodiu. Esse desequilíbrio gerou reações negativas de todo o espectro político suíço.

Nick Hayek, CEO do Swatch Group, e Lisa Mazzone,dent do Partido Verde, defenderam a taxação das exportações de ouro. Hayek chegou a sugerir que a Suíça deveria impor uma taxa de 39% sobre as barras de ouro destinadas aos EUA, seguindo o exemplo de Trump. Essa declaração veio após Trump afirmar que as importações de ouro dos EUA estavam isentas de suas tarifas, o que acirrou ainda mais a polêmica. Mazzone argumentou que o refino de ouro acarreta sérios riscos à reputação do país e não traz retorno econômico suficiente. "O setor representa um risco para a reputação, mas não traz um grande benefício líquido para a economia", disse ela. "Se esse setor custa tanto para a Suíça, principalmente agora por causa da disputa tarifária, então deveria contribuir mais."

As preocupações de Mazzone traca décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, bancos suíços aceitaram ouro saqueado pelos nazistas. Em 1968, três desses bancos criaram o Zurich Gold Pool, impulsionando a Suíça à dominância no mercado de ouro ao refinar enormes quantidades do metal, inclusive provenientes da África do Sul da era do apartheid. O professor Mark Pieth, autor do livro " Lavagem de Ouro" (Gold Laundering), detalhou esse passado obscuro. A propriedade do setor mudou desde então, mas os lucros modestos permanecem. Mesmo hoje, as refinarias lucram apenas alguns dólares por barra, apesar dos preços recordes do ouro.

Refinarias reagem enquanto a indústria questiona a expansão nos EUA

As refinarias não estão exatamente correndo para se instalar nos EUA. Christoph Wild, presidentedent Associação Suíça de Produtores e Comerciantes de Metais Preciosos, afirmou que o sistema atual — em que o ouro do Reino Unido passa pela Suíça antes de chegar aos mercados americanos — é ineficiente. Ele disse que isso poderia ser resolvido com o aumento da capacidade de refino nos EUA, embora isso só faça sentido se houver demanda local suficiente. "Todos os nossos membros do setor de refino têm planos de médio a longo prazo para investir ainda mais nos EUA", disse Wild. Mas acrescentou que não sabia "se é possível administrar esse negócio de forma econômica sem subsídios do governo suíço ou do governo americano".

Uma fonte próxima às negociações confirmou que pelo menos uma refinaria suíça já está buscando acelerar os investimentos nos EUA. Enquanto isso, outros alertam que obrigar esse setor a pagar impostos ou a se realocar poderia destruí-lo. Wild afirmou: "Ninguém pagaria um ágio de sequer 1% pelo ouro quando se pode comprá-lo ao preço de mercado". Uma taxa eliminaria os lucros e acabaria com o comércio da noite para o dia.

Para Simone Knobloch, diretora de operações da Valcambi SA, os números não fecham. A empresa, que refina até 2.000 toneladas de metais anualmente em Balerna, na fronteira com a Itália, não tem presença nos EUA e não planeja construir uma. "Se eu analisar a viabilidade do negócio, não faz sentido", disse Knobloch. O mercado americano já está saturado e as margens são muito baixas para justificar a expansão. Ainda assim, com Trump novamente na Casa Branca e a pressão aumentando sobre os políticos suíços, a indústria do ouro pode não ter mais a opção de escolher o que faz sentido.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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