O fundador e presidente da Microstrategy, Michael Saylor, reuniu-se com a recém-criada Força-Tarefa de Criptomoedas da SEC em Washington na sexta-feira, 21 de fevereiro, em uma reunião focada inteiramente em definir como os ativos digitais como Bitcoin, tokens, NFTs e stablecoins devem ser regulamentados nos Estados Unidos.
A força-tarefa da SEC iniciou seus trabalhos apenas um mês antes, em 21 de janeiro, sob a presidência interina de Mark Uyeda, e é liderada pela comissária Hester Peirce.
A conversa de Michael com a força-tarefa da SEC abordou especificamente a necessidade de categorias claras e fáceis de entender para os criptoativos. O objetivo era criar regras simples para que emissores, investidores e pessoas comuns saibam exatamente o que podem e o que não podem fazer com ativos digitais. A força-tarefa busca regulamentações que incentivem a inovação, em vez de atrasá-la.
A SEC está trabalhando arduamente na regulamentação das criptomoedas
Na reunião, o grupo de trabalho compartilhou uma proposta de estrutura, chamada "Taxonomia", para categorizar diferentes ativos digitais.
De acordo com os detalhes da discussão, isso incluiria seis tipos básicos de ativos: commodities digitais, títulos digitais, moedas digitais, tokens digitais, NFTs digitais e tokens lastreados em ativos digitais (ABTs). Cada tipo tem um significado muito específico.
As commodities digitais, como Bitcoin não têm um emissor por trás delas, o que significa que nenhuma empresa as controla diretamente. Os títulos digitais, por outro lado, têm emissores claros que os respaldam, como ações, títulos de dívida outracderivativos.
As moedas digitais são emitidas e lastreadas diretamente por moeda fiduciária, como o dólar americano. Os tokens digitais são ativos com um emissor, criados para oferecer utilidade online.
NFTs (tokens não fungíveis) são ativos digitais únicos emitidos por criadores, artistas ou marcas. Por fim, ABTs digitais são ativos emitidos, mas lastreados em itens físicos como ouro, petróleo ou produtos agrícolas.
Segundo a conversa de Michael com a SEC, a força-tarefa também discutiu a definição clara dos direitos e responsabilidades de emissores, corretoras de criptomoedas e proprietários de ativos.
O objetivo de criar regras claras de responsabilidades é permitir que todos no mercado de criptomoedas negociem, possuam ou emitam ativos digitais com segurança e sem confusão.
Para os emissores, a SEC propôs direitos claros para a emissão de ativos digitais, mas enfatizou que as empresas devem divulgar todos os fatos relevantes e se comportar de maneira ética.
As corretoras também receberam diretrizes muito específicas: elas têm o direito de custodiar ativos digitais, negociá-los e transferi-los entre clientes ou outras corretoras. Ao mesmo tempo, as corretoras devem divulgar abertamente informações sobre seus ativos, manter o dinheiro dos clientes em segurança e sempre evitar conflitos de interesse.
Os proprietários comuns também obtiveram direitos diretos, incluindo a autogestão de seus bens, a possibilidade de negociá-los livremente e a responsabilidade de cumprir as leis locais onde quer que residam.
Michael confirmou que um dos principais temas da reunião foi que ninguém tem o direito de trapacear, mentir ou roubar, e que todos enfrentarão consequências civis e criminais se o fizerem.
O grupo de trabalho da SEC também disse a Michael que deseja regras de conformidade práticas que não adicionem burocracia desnecessária ou custos extras. Uma ideia fundamental discutida foi a criação de divulgações padronizadas.
De acordo com esse plano, cada ativo digital teria um conjunto de dados simples e padronizado, indicando claramente seus detalhes, riscos e finalidade. Para facilitar, as corretoras poderiam coletar e publicar esses dados como um serviço gratuito para o setor. O controle de custos foi outro tópico importante abordado na reunião de Michael.
O plano da SEC estabeleceria limites rígidos para os custos de conformidade. Os emissores não poderiam gastar mais de 1% de seus ativos sob gestão (AUM) para emitir um novo criptoativo.
Manter um criptoativo listado anualmente custaria às empresas menos de 0,1% ao ano. O grupo de trabalho também quer afastar os reguladores do processo direto de emissão de ativos, permitindo que as corretoras lidem diretamente com a maioria das tarefas rotineiras de conformidade.
A conversa de Michael com a SEC também abordou a ideia de um processo de emissão mais rápido e barato para atrair mais empresas para o setor de criptomoedas e ativos digitais. Em vez de levar meses ou anos, novos ativos digitais poderiam ser emitidos em horas ou dias.
Os custos para o lançamento de novos ativos digitais, que atualmente variam de US$ 10 milhões a US$ 100 milhões, cairiam drasticamente para apenas US$ 10.000 a US$ 100.000 sob o sistema proposto.
A SEC disse a Michael que a redução desses custos e a simplificação das regras poderiam abrir os mercados de capitais americanos para muito mais empresas. Atualmente, apenas cerca de 4.000 empresas nos Estados Unidos têm acesso aos mercados de capitais públicos tradicionais.
Se as novas regras para ativos digitais entrarem em vigor, cerca de 40 milhões de empresas — desde pequenos comércios familiares a empresas de médio porte, pequenos artistas, celebridades ou empreendedores — poderão captar recursos diretamente por meio de ativos digitais tokenizados.
Michael também foi informado de que as novas regras poderiam dar aos investidores comuns acesso a milhares de novos ativos digitais lastreados em bens tangíveis, como imóveis, obras de arte, itens colecionáveis, times esportivos, propriedade intelectual, marcas e muito mais.
Eles também teriam acesso a instrumentos financeiros digitais, como ações, títulos, instrumentos de dívida, derivativos e moedas tokenizadas. A SEC quer que os investidores comuns tenham diversas opções de ativos digitais diretamente vinculados a produtos e serviços que realmente lhes interessam.
“Uma política estratégica para ativos digitais pode fortalecer o dólar americano, neutralizar a dívida nacional e posicionar os Estados Unidos como líder global na economia digital do século XXI”, disse Michael.
A SEC explicou que a criação de regras claras para ativos digitais poderia expandir esses ativos para além Bitcoin, impulsionando seu mercado global dos atuais cerca de US$ 1 trilhão para aproximadamente US$ 590 trilhões no futuro, com os EUA dominando esse setor.

