Novos dados da Visa e da empresa de análise de blockchain Allium mostram que as transações com stablecoins ultrapassaram US$ 5 trilhões em um bilhão de pagamentos neste ano.
Esses tokens agora conjuntamente 47% a mais, atingindo um valor de US$ 255 bilhões desde que Donald Trump foi declarado vencedor da eleição presidencial dos EUA dent novembro passado. Analistas atribuíram esse aumento ao entusiasmo dos investidores, à maior clareza regulatória e a novos casos de uso corporativos.
As stablecoins estão finalmente cumprindo sua promessa há muito anunciada : oferecer uma alternativa mais rápida, simples e barata aos sistemas de pagamento obsoletos. Essa mudança é especialmente transformadora para países marginalizados pelos grandes bancos e redes de pagamento, onde transferências que antes levavam dias agora podem ser concluídas em minutos — abrindo novas oportunidades tanto para consumidores quanto para empresas.
Apesar da grande expectativa, as stablecoins não resolveram os custos de câmbio que têm afetado os pagamentos internacionais há anos.
Mesmo a conversão de uma moeda fiduciária em outra — por exemplo, euros para dólares de Hong Kong — ainda envolve spreads, taxas de conversão, taxas de intermediários e derrapagem. Esses custos também se aplicam a transferências baseadas em criptomoedas, principalmente durante a entrada e saída de fundos entre a blockchain e as contas bancárias tradicionais.
Mike Robertson, CEO da AbbeyCross, provedora de infraestrutura de câmbio, afirmou que o setor de criptomoedas frequentemente assume que a tecnologia pode resolver todos os problemas, o que ele descreveu como uma visão ingênua quando se trata de câmbio. Ele observou que cada moeda opera sob dinâmicas diferentes e ressaltou que, se há geração de renda em uma determinada área, seu valor se mantém. Robertson acrescentou que a maioria dos bancos e provedores de pagamento obtém receita com câmbio, e não com taxas de transação.
Esse fato continua a prejudicar um dos principais atrativos das stablecoins: a capacidade de oferecer transações internacionais genuínas e baratas.
Startups miram rotas 'exóticas'
A startup de pagamentos BVNK, com sede em Londres, está focando em canais frequentemente negligenciados, como transferências do Sri Lanka para o Camboja. Sagar Sarbhai, diretor administrativo da empresa para a região Ásia-Pacífico, explicou que essas rotas normalmente exigem vários intermediários, tornando-as caras e lentas. Ele afirmou que as stablecoins simplificam o processo, observando que, embora não sejam baratas, são mais rápidas e exigem menos capital. Atualmente, a BVNK processa cerca de US$ 15 bilhões anualmente.
Outras empresas, como a Thunes em Singapura e a Aquanow no Canadá, estão trabalhando para conectar as transações em blockchain com o fornecimento de "última milha" para moedas e carteiras locais, por meio de parcerias com emissores de stablecoins ou grandes corporações.
A regulamentação estimula o crescimento institucional
A questão é se o setor está caminhando para um futuro moldado pela Lei GENIUS, sancionada nos EUA em 18 de julho de 2025. A equipe Secure da Circle, empresa por trás da proposta USDC21 para regulamentar as stablecoins, está acompanhando de perto os desdobramentos. Esta semana, uma nova legislação que oferece garantia federal para as stablecoins foi apresentada tanto na Câmara quanto no Senado. A proposta exige que as stablecoins sejam totalmente lastreadas em ativos de alta qualidade na proporção de 1:1, passem por auditorias regulares e mantenham transparência consistente.
Os bancos responderam rapidamente. No curto prazo, o Bank of America prevê que essas regras poderão adicionar entre US$ 25 bilhões e US$ 75 bilhões à oferta de stablecoins. A gigante de pagamentos Visa está estudando os "sanduíches de stablecoins" — tokens entre duas moedas fiduciárias para evitar redes como a SWIFT e liquidar em minutos. A plataforma, lançada pela Visa em outubro de 2024, permite que os bancos gerem, resgatem, emitam e queimem tokens lastreados em moeda fiduciária (incluindo stablecoins).
As empresas também estão começando a se movimentar. Ripple compra a plataforma de pagamentos em stablecoin Rail por US$ 200 milhões, o que amplia o ecossistema transfronteiriço. A Thunes, com sede em Singapura e que captou US$ 150 milhões em abril, pretende se integrar mais profundamente às redes de stablecoins.
Líderes do setor preveem um aumento expressivo no uso de NFTs à medida que a regulamentação, a infraestrutura e a participação institucional avancem rumo à adoção em massa. Sagar Sarbhai, da BVNK, afirmou que o crescimento exponencial está apenas começando, observando que a base levou cinco anos para ser construída, mas poderá se expandirmaticnos próximos 12 meses.

