De acordo com a Reuters, a Coreia do Sul se reunirá com os Estados Unidos em Washington esta semana para realizar negociações comerciais solicitadas pelos EUA.
As reuniões ocorrerão durante os encontros de primavera do FMI e do Banco Mundial, e acontecem em um momento em que as tensões em torno de tarifas, exportações e volatilidade cambial continuam a pressionar a economia da Coreia.
O Ministro das Finanças, Choi Sang-mok, e o Ministro do Comércio, Ahn Duk-geun, liderarão a delegação coreana. Eles realizarão consultas com o Representante Comercial, Jamieson Greer, e com o Secretário do Tesouro, Scott Bessent. O Ministério do Comércio da Coreia divulgou a programação no domingo.
Choi e Ahn estão viajando para pressionar contra a tarifa "recíproca" de 25% anunciada pelo presidente dent Trump. Essa tarifa foi suspensa temporariamente, mas Seul quer que ela seja reduzida ou eliminada completamente antes que prejudique ainda mais as frágeis exportações do país. A declaração não apresentou uma agenda completa nem confirmou outros assuntos que serão discutidos. Ahn parte para Washington na quarta-feira.
O banco central da Coreia do Sul congela as taxas de juros e alerta que o crescimento ficará abaixo das previsões
O Banco da Coreia do Sul (BOK) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 2,75% na quinta-feira. O banco afirmou que precisa de mais tempo para observar as mudanças internas e globais, especialmente com a alteração das tarifas e a implementação de medidas de estímulo. Essa decisão está em consonância com a previsão de uma recente pesquisa com economistas da Reuters.
Em seu comunicado sobre política monetária, o Banco da Coreia (BOK) afirmou enfrentar grande incerteza e que ainda não pode fazer previsões claras sobre as perspectivas. O banco também alertou que o crescimento econômico provavelmente ficará abaixo da previsão de 1,5% feita em fevereiro. A queda esperada está ligada à desaceleração das exportações, à fraca demanda das famílias e à instabilidade política persistente.
Em 15 de abril, a Coreia do Sul apresentou um orçamento emergencial de 12 trilhões de won (US$ 8,45 bilhões). O pacote incluía maior apoio ao setor de semicondutores, uma das indústrias mais importantes do país. Mesmo com esse reforço, o banco central afirmou que manteria sua política de corte de juros, embora não tenha definido um prazo. Essa decisão dependerá tanto das mudanças na política interna quanto das condições do comércio exterior.
O Banco da Coreia (BOK) também afirmou estar cauteloso em relação às oscilações cambiais e ao possível retorno dos problemas de endividamento das famílias caso as condições monetárias frouxas permaneçam por muito tempo. A moeda coreana, o won, tem apresentado instabilidade desde o discurso de Trump sobre o "dia da libertação" em 3 de abril. A moeda se valorizou para 1.429,52 por dólar em 4 de abril, e despencou para 1.487,3 em 9 de abril, atingindo a mínima em 16 anos. Uma semana depois, em 16 de abril, o won se valorizou novamente para 1.411,39 — seu maior valor desde dezembro de 2024.
Com as eleições se aproximando e as tarifas americanas ainda representando uma ameaça, a liderança coreana está tentando ganhar tempo. Choi declarou ao parlamento na terça-feira que o país tentaria adiar ao máximo a implementação das tarifas. "Queremos adiar a implementação das tarifas o máximo possível", afirmou Choi. Ele acrescentou que o objetivo era dar mais estabilidade às empresas coreanas em um mercado global caótico.

