A Autoridade Monetária de Singapura (MAS) poderá receber poderes ampliados caso o parlamento aprove o Projeto de Lei de Instituições Financeiras (Emendas Diversas) de 2024. Essa alteração legislativa deverá impactar consideravelmente as empresas de criptomoedas, em especial aquelas que possuem Licenças de Serviços de Mercado de Capitais (CMSL).
Poderes reforçados para a Autoridade Monetária de Singapura (MAS) sobre atividades comerciais não regulamentadas
O projeto de lei visa especificamente os detentores de CMSL (Licenças Comerciais de Mercado Aberto) que se envolvem em atividades comerciais não regulamentadas. De acordo com a nova legislação, a MAS (Autoridade Monetária de Singapura) pode emitir diretrizes relativas aos padrões e salvaguardas para essas atividades. Este é um desenvolvimento notável, visto que os detentores de CMSL frequentemente se envolvem na oferta de produtos como futuros Bitcoin e outros derivativos de tokens de pagamento, que atualmente não são regulamentados e são negociados em bolsas estrangeiras. Os riscos potenciais que esses produtos representam para suas atividades regulamentadas têm sido uma preocupação, motivando esta resposta legislativa.
A MAS já havia orientado sobre a mitigação de riscos ao lidar com investidores de varejo em negócios não regulamentados. O projeto de lei proposto, no entanto, dá um passo além, permitindo que a MAS imponha padrões mínimos por meio de diretrizes escritas. Essa mudança reforça o compromisso da autoridade em manter uma estrutura regulatória robusta, especialmente no cenário dinâmico e em constante evolução das corretoras de criptomoedas e das Instituições de Pagamento Principais (MPIs).
Desenvolvimentos regulatórios recentes e cooperação internacional
Essa medida surge na sequência de diversas ações da MAS (Autoridade Monetária de Singapura) com o objetivo de coibir investimentos especulativos em criptomoedas. Em novembro, a MAS implementou uma série de medidas para desencorajar essa especulação. Além disso, em agosto, a MAS revisou seu marco regulatório para stablecoins, o que levou à concessão de licenças MPI (Multiple Payments) para a Circle e Ripple . A Paxos também recebeu aprovação para emitir uma stablecoin lastreada em dólar americano em novembro. Esses desenvolvimentos refletem a abordagem proativa da MAS na gestão dos riscos associados às moedas digitais.
O projeto de lei também propõe fortalecer as capacidades investigativas da MAS. A autoridade poderá obrigar indivíduos a fornecer informações, comparecer a interrogatórios e entrar em propriedades sem mandado judicial.
Além disso, a MAS estará autorizada a executar ordens judiciais para apreensão de provas e a aprovar agentes nomeados por reguladores estrangeiros para inspecionar instituições financeiras de Singapura. Este aspecto do projeto de lei destaca a ênfase na supervisão abrangente e na cooperação internacional na regulação financeira.
Implicações para o setor de criptomoedas
Espera-se que as alterações legislativas propostas tenham implicações de longo alcance para o setor de criptomoedas em Singapura. Ao expandir os poderes da MAS (Autoridade Monetária de Singapura), o projeto de lei visa garantir que as atividades dos detentores de licenças CMSL (Licença de Serviços de Manufatura de Criptomoedas) e dos licenciados MPI (Investidores de Portfólio de Criptomoedas) sejam conduzidas dentro de uma estrutura que priorize a estabilidade financeira e a proteção do consumidor. Essa medida provavelmente influenciará as estratégias operacionais das corretoras de criptomoedas e entidades relacionadas, obrigando-as a aderir a padrões e práticas mais rigorosos.
O foco do projeto de lei em atividades comerciais não regulamentadas aborda uma área de grande preocupação no mercado de criptomoedas, frequentemente criticado pela falta de transparência e supervisão regulatória. A MAS visa promover um ambiente mais seguro e confiável para investidores e participantes do mercado, estabelecendo padrões e salvaguardas mínimos.

