O Tribunal Superior de Singapura rejeitou o plano de reestruturação proposto pela WazirX após o ataque cibernético que resultou no prejuízo de US$ 234,9 milhões em julho de 2024. Na quarta-feira, o tribunal citou preocupações com a transparência da empresa controladora, Zettai Pte Ltd, que apresentou a petição.
O mais recente revés do Tribunal Superior de Singapura deixou a WazirX, que atende 4,4 milhões de usuários indianos, lutando para manter suas operações no país que havia escolhido para uma resolução judicial mais rápida após o ataque cibernético de julho de 2024.
A WazirX informou agora ao Tribunal de Singapura que planeja transferir sua sede para o Panamá sob uma nova empresa chamada 'Zensui'.
De acordo com vários peticionários e fontes que participaram da audiência online, a Comissária Judicial Kristy Tan indeferiu o pedido de reestruturação apresentado pela Zettai Pte Ltd, que buscava aprovação para compensar os credores (usuários) em 85% de seus fundos congelados, conforme alegado pela WazirX.
Embora a decisão do juiz tenha sido proferida oralmente, espera-se que a ordem escrita completa seja emitida dentro de 3 a 4 dias.
WazirX vai se mudar para o Panamá sob o novo nome 'Zensui' em meio a um revés legal
Segundo o contador Sonu Jain, um dos autores da petição contra a WazirX, o Tribunal Superior de Singapura havia agendado o dia 4 de junho para proferir seu veredicto sobre o pedido de reestruturação da corretora, tendo em vista a proximidade do prazo da moratória, em 6 de junho.
Jain observou que a decisão foi tomada pouco depois de o governo de Singapura ter emitido uma nova diretiva exigindo que as empresas que oferecem serviços de criptomoedas a clientes estrangeiros se registrem formalmente.
Jain relatou ainda que o Juiz Tan questionou o advogado da WazirX sobre se a Zettai havia solicitado uma licença para operar em Singapura. Em resposta, o advogado afirmou que não tinham intenção de obter tal licença e que, em vez disso, planejavam se mudar para o Panamá, onde uma empresa já havia sido registrada em 10 de março.
A juíza expressou descontentamento pelo fato de a WazirX ter mantido o tribunal alheio a esse desenvolvimento por meses, revelando-o apenas quando questionada diretamente. Segundo Jain, a juíza Tan também comentou que duvidava da disposição da administração em devolver os fundos dos usuários.
Entretanto, em 5 de junho, a WazirX enviou por e-mail aos seus usuários documentos judiciais com trechos omitidos, anunciando sua mudança de nome para Zensui e uma alteração em suadentjurídica.
Muitos usuários da WazirX expressaram satisfação com o veredicto do tribunal, criticando a gestão da exchange pela forma como lidou com a crise do ataque hacker nos últimos 10 meses. Numerosos usuários entraram com petições nos tribunais superiores e na Suprema Corte da Índia, exigindo intervenção urgente na reestruturação, acusando a administração de decisões arbitrárias. No entanto, esses pedidos foram negados, pois não havia um arcabouço regulatório para criptomoedas na Índia.
Vítimas comemoram veredicto como uma vitória moral e pedem regulamentação urgente de criptomoedas na Índia
Esta decisão recente do Tribunal de Singapura é uma vitória legal e um acerto de contas moral, afirma Romy Johnson, vítima do ataque hacker à WazirX e defensora da justiça e da regulamentação das criptomoedas na Índia.
A vítima descreveu o ocorrido como uma vitória monumental para todos os indianos que foram enganados, lesados e roubados por esses supostos custodiantes de criptomoedas.
Johnson enfatizou que a Índia precisa prestar atenção: enquanto os tribunais em outros países fazem justiça, a lacuna regulatória no país permite que fraudes ocorram. O advogado acrescentou que, se existe algum teste para a regulamentação de criptomoedas na Índia, não é amanhã, mas hoje, e a justiça não deve ser terceirizada, mas sim feita internamente.
A WazirX emitiu um comunicado oficial na noite de quarta-feira em resposta ao veredicto do Tribunal de Singapura, afirmando que seu principal objetivo é iniciar a distribuição dos fundos dos usuários o mais rápido possível.
A WazirX afirmou que respeita, mas não concorda com a decisão do Tribunal Superior de Singapura de rejeitar seu plano de reestruturação proposto, considerando o resultado surpreendente para a bolsa.
A empresa afirmou que pretende cumprir todas as obrigações legais e regulamentares, acrescentando que a liberação dos fundos dos usuários é a prioridade. A WazirX também mencionou que está consultando todos os assessores sobre as opções legais contra a decisão judicial e que planeja contestá-la.

