O polo industrial de Singapura planeja o maior parque de data centers verdes da Ásia

- Singapura destina 300 hectares na Ilha Jurong para projetos de energia verde e planeja o maior parque de data centers de baixo carbono da Ásia.
- A Ilha Jurong abrigará usinas de energia a hidrogênio e amônia capazes de gerar 65 megawatts, além de criar mais de 1.000 novos empregos.
- Singapura aumentou a produção de produtos sustentáveis em 1,4 vezes desde 2019.
A poderosa região industrial de Singapura, a Ilha Jurong, está passando por uma grande transformação rumo à sustentabilidade, dedicando quase 300 hectares de terra – aproximadamente 10% de toda a ilha – a projetos de energia limpa e tecnologias verdes.
A transformação em larga escala foi anunciada no domingo pela JTC Corporation e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico durante a conferência Singapore International Energy Week. O espaço alocado, equivalente a mais de 400 campos de futebol, abrigará novas soluções energéticas, incluindo instalações movidas a hidrogênio e amônia.
Além disso, a ilha abrigará o maior parque de data centers de baixo carbono, com 20 hectares reservados especificamente para esse fim. Essa área, equivalente a cerca de 25 campos de futebol, pode suportar até 700 megawatts de capacidade de energia para instalações de computação.
O Ministro Tan See Leng, responsável pelas políticas de energia e ciência, informou aos presentes que as empresas de especialidades químicas estão demonstrando crescente interesse em expandir suas operações em Singapura. Essa tendência reflete a crescente demanda regional por produtos de maior qualidade.
“A Ilha Jurong será um campo de testes global para novas energias e tecnologias de baixo carbono”, disse o Dr. Tan. Ele explicou que essas tecnologias incluem combustíveis como amônia e hidrogênio, que não liberam dióxido de carbono quando queimados, além de sistemas de captura de carbono.
O governo planeja divulgar sua estratégia de pesquisa e inovação para 2030 em 2026, com o objetivo de expandir significativamente os esforços de desenvolvimento para reduzir as emissões de carbono nos setores de energia e indústrias.
“Todos esses esforços garantem que a Ilha Jurong continue sendo sede de grandes empresas e crie oportunidades de carreira significativas na crescente economia verde”, acrescentou o ministro.
Novos projetos de energia ganham destaque
Entre os projetos planejados, está uma usina de energia a gás natural preparada para hidrogênio e a primeira instalação de Singapura a utilizar amônia importada tanto para geração de eletricidade quanto para reabastecimento de navios. No início deste mês, autoridades anunciaram que a Keppel lidera um grupo que planeja importar amônia, um combustível mais limpo, e construir uma usina de energia com capacidade para produzir até 65 megawatts de eletricidade. Essa produção seria suficiente para abastecer mais de 90.000 apartamentos de quatro cômodos em habitações populares durante um ano inteiro.
As áreas designadas para centros de dados e novos projetos de energia estão localizadas principalmente nas regiões sudoeste e noroeste da ilha, com algumas porções ainda contendo florestas.
A transformação ocorre em um momento crítico. Cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa de Singapura tem origem no setor de refino e petroquímica, que emprega mais de 27.000 pessoas em mais de 100 empresas na Ilha Jurong.
A indústria petroquímica global enfrenta desafios decorrentes do excesso de oferta e de regulamentações climáticas mais rigorosas. Autoridades governamentais afirmam que essas regulamentações e a crescente demanda por produtos sustentáveis estão acelerando os esforços de descarbonização.
“Com seu ecossistema integrado etronbase industrial, a Ilha Jurong está bem posicionada para ser um campo de testes de primeira linha para o desenvolvimento, teste piloto e ampliação de novas energias e tecnologias de baixo carbono”, afirmaram as agências.
A expansão dos data centers impulsiona a infraestrutura verde
Para o parque de data centers, os operadores podem aproveitar a infraestrutura existente na ilha, incluindo sistemas compartilhados de armazenamento de energia e serviços públicos, além de fontes emergentes de energia limpa. Singapura opera atualmente mais de 70 data centers.
Em 2024, a cidade-estado anunciou planos para aumentar a capacidade de seus data centers em mais de um terço, a fim de atender à crescente demanda por computação impulsionada pelo desenvolvimento da inteligência artificial. No entanto, os novos operadores de data centers precisam adotar cada vez mais práticas sustentáveis, visto que essas instalações consomem quantidades enormes de eletricidade e água.
Pelo menos 300 megawatts de data center serão adicionados em Singapura nos próximos anos, com capacidade adicional para operadoras que utilizam energia verde. As instalações podem reduzir seu impacto ambiental utilizando equipamentos energeticamente eficientes, adotando combustíveis de baixo carbono, como a amônia, e elevando com segurança as temperaturas de operação para 26 graus Celsius, a fim de diminuir o consumo de energia do ar-condicionado.
No próximo ano, a Ilha Jurong completa 25 anos. Em 2021, as autoridades lançaram um plano para transformar a ilha em um polo de energia e produtos químicos sustentáveis, estabelecendo metas para 2030 visando aumentar a produção de bens sustentáveis, melhorar a eficiência energética nas refinarias e unidades de craqueamento locais e implementar tecnologia de captura de carbono.
Em uma atualização sobre o progresso, a JTC e a EDB relataram que a produção de produtos sustentáveis aumentou 1,4 vezes em relação aos níveis de 2019, colocando Singapura no traccerto para atingir um aumento de 1,5 vezes até 2030.
Exemplos incluem os polímeros da empresa francesa Arkema, feitos a partir de sementes de mamona, e o material de embalagem de alimentos reciclável da empresa japonesa Kuraray, cuja produção começa em 2026.
Desde 2021, o EDB concedeu financiamento a 35 projetos industriais por meio do programa Resource Efficiency Grant for Emissions. Empresas como a fabricante alemã de produtos químicos Evonik, a gigante petrolífera americana ExxonMobil, a Linde e a Air Liquide receberam financiamento para projetos que exploram soluções de eficiência energética e descarbonização.
Prevê-se que estes 35 projetos, quando concluídos, reduzam mais de 340 quilotons de dióxido de carbono anualmente – o equivalente a retirar 80.000 carros das estradas.
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Shummas Humayun
Shummas é um ex-redator de conteúdo técnico e pesquisador.
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