Polônia adota lei controversa sobre criptomoedas

• Parlamento polonês aprova legislação sobre criptomoedas.
• A nova lei foi criticada por regulamentar excessivamente o mercado.
• O setor alerta que as regras e os custos causarão um êxodo de empresas de criptomoedas.
Os legisladores da Polônia aprovaram um projeto de lei destinado a regulamentar o mercado de criptomoedas do país de acordo com as normas mais recentes da UE.
Os críticos, no entanto, afirmam que a legislação vai além dos requisitos europeus, gerando controvérsia não apenas na comunidade cripto, mas também na política polonesa.
Lei sobre criptomoedas aprovada em meio a preocupações com regulamentação excessiva
O Sejm, a câmara baixa do parlamento polonês, aprovou uma nova lei que implementa as regulamentações da União Europeia sobre Mercados de Criptoativos (MiCA) no estado membro da UE.
A legislação, que já estava em desenvolvimento há algum tempo, visa impor ordem no mercado de criptomoedas da Polônia, possivelmente o maior da Europa Central e Oriental.
No entanto, a medida foi criticada por tentar regulamentar em excesso o setor de criptomoedas do país, sufocando a inovação e ameaçando acabar com os negócios de empresas nacionais que trabalham com ativos digitais.
Na sexta-feira, 230 membros da câmara votaram a favor do projeto de lei, outros 196 o rejeitaram, sem abstenções. A Lei de Criptoativos seguirá agora para o Senado, a câmara alta do parlamento polonês.
A lei, patrocinada pelo governo, deve garantir a proteção dos consumidores e demais participantes do mercado contra o que foi descrito como "entidades desonestas", informou a agência de notícias polonesa PAP.
A lei introduz responsabilidade criminal para certas violações, como a prestação de serviços de criptomoedas e a emissão de tokens digitais sem autorização, e defias obrigações das plataformas aprovadas.
Suas disposições estipulam que a Autoridade de Supervisão Financeira da Polônia (KNF) será encarregada de supervisionar o setor e estará equipada com as ferramentas apropriadas para realizar a fiscalização.
A KNF será responsável por registrar violações das novas regras e atividades fraudulentas envolvendo operações com criptomoedas.
Os autores dos crimes mais graves enfrentarão penas severas, incluindo multas de até 10 milhões de zlotys poloneses (US$ 120.000) e até mesmo prisão de até dois anos.
O projeto de lei regulamenta as corretoras de criptomoedas online, que voltarão a ser supervisionadas pela KNF. Elas serão obrigadas a manter contas individuais de clientes, o que deverá proteger os fundos dos usuários, detalhou o PAP.
Segundo dados oficiais divulgados no início deste ano, 18% dos poloneses já investiram em criptoativos, conforme noticiado pela Cryptopolitan.
Em julho, o vice-ministro das Finanças da Polônia, Jurand Drop, insistiu que as regulamentações propostas são cruciais para fortalecer a proteção ao investidor. Ele também observou a falta de mecanismos para combater a fraude, apontando:
“20% dos investidores neste mercado declaram ter sido vítimas de algum tipo de fraude ou abuso.”
A lei polonesa sobre criptomoedas foi alvo de críticas e reações negativas
A tão aguardada legislação não foi bem recebida pelos membros da comunidade cripto do país e pela oposição parlamentar, que a criticaram durante toda a sua análise no Sejm.
Embora a transposição da MiCA para a legislação nacional "pareça inocente", a lei cripto é um "verdadeiro horror" para os empreendedores do setor, escreveu o portal de notícias sobre criptomoedas Bitcoinem um artigo no sábado.
Destacando alguns dos poderes concedidos ao regulador financeiro da Polônia, que agitaram o setor no fim de semana, o portal polonês comentou:
“A lei sobre criptoativos concede à KNF permissões que se assemelham mais a um aparato de repressão do que à supervisão do mercado.”
Elas vêm acompanhadas de “taxas que podem simplesmente acabar com as pequenas empresas” e as “diretrizes claras” são apenas restrições e exigências caras que sufocarão a inovação, explicou o site, acrescentando:
“Essa lei pode representar um golpe fatal para as empresas nacionais que atuam no setor de criptomoedas.”
O êxodo de empresas polonesas de criptomoedas pode já ter começado, com a XTB, uma das maiores corretoras da Polônia, sinalizando que pode buscar uma licença no Chipre.
Jakub Bartoszek,dent da corretora de criptomoedas Cash, enfatizou que a implementação polonesa do MiCA é uma das mais abrangentes, impondo altos custos de entrada e multiplicando barreiras.
O empreendedor de criptomoedas expressou a esperança de que odent polonês Karol Nawrocki "ouça a voz do mercado e vete a lei em sua forma atual", algo que o chefe de Estado já indicou que poderá fazer.
Durante os debates no Sejm, Bitcoin e ex-dentcandidato Sławomir Mentzen também pediu a Nawrocki, que assumiu o cargo em agosto, que interrompesse o projeto de lei.
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