Governo da Polônia admite que 18% dos poloneses investiram em criptomoedas em debate sobre projeto de lei Bitcoin

- Segundo informações divulgadas em Varsóvia, um quinto dos poloneses já possui criptoativos.
- O parlamento polonês discutiu um projeto de lei que implementa as regulamentações MiCA da UE.
- A legislação do governo foi criticada por ameaçar os negócios locais de criptomoedas.
Cerca de 18% dos cidadãos poloneses já investiram em criptoativos, de acordo com estimativas da própria cidade de Varsóvia, divulgadas durante um debate parlamentar sobre a futura regulamentação de criptomoedas na Polônia.
Membros do Sejm, a câmara baixa do parlamento polonês, estão analisando um projeto de lei patrocinado pelo governo que visa regulamentar criptomoedas como Bitcoin no país e a economia construída em torno desses ativos digitais.
O projeto de lei nº 1424 foi apresentado em 26 de junho e submetido à primeira leitura na câmara em 7 de julho, informou na quarta-feira o portal de notícias sobre criptomoedas polonês Bitcoin. Em 22 de julho, os deputados iniciaram o tão aguardado debate sobre as regulamentações propostas, acompanhados por representantes do poder executivo em Varsóvia.
Um quinto dos poloneses já investiu em criptomoedas, diz o governo
Dirigindo-se aos parlamentares da maioria governista e da oposição, o vice-ministro das Finanças, Jurand Drop, defendeu a proposta do gabinete, ressaltando que o país da Europa Central ainda não adotou regras que ofereçam proteção aos investidores em criptomoedas.
“20% dos investidores neste mercado declaram ter sido vítimas de algum tipo de fraude ou abuso”, destacou o funcionário do governo, enfatizando ainda:
“Na Polônia, 18% das pessoas já têm experiência em investir em criptoativos. Essas regulamentações são cruciais para fortalecer a proteção de investidores e consumidores no mercado de criptoativos.”
O setor de criptomoedas polonês teme que projeto de lei possa provocar um êxodo de empresas
A nova legislação, que visa transpor o regulamento da União Europeia sobre Mercados de Criptoativos (MiCA) para a legislação nacional, tem sido motivo de profunda preocupação entre os membros da comunidade cripto local.
Uma medida preocupante para eles é a decisão de confiar a supervisão à Autoridade Polonesa de Supervisão Financeira (KNF), "que é notória por sua atitude pouco favorável em relação às criptomoedas", como Bitcoinem seu artigo.
Outro momento controverso foi a proposta de impor uma taxa de 0,5% sobre as receitas das corretoras de criptomoedas polonesas, o que não é exigido pela MiCA, enquanto as plataformas de negociação sediadas no exterior são cobradas apenas uma taxa única de cerca de US$ 5.000.
Representantes da indústria de criptomoedas da Polônia reclamaram que isso prejudicaria sua capacidade de competir com corretoras sediadas no exterior. Pode até mesmo levar empresas polonesas a se mudarem para jurisdições mais favoráveis, a fim de continuarem atuando em seu próprio mercado.
Parlamentares da oposição destacaram esses e outros problemas com o projeto de lei. Janusz Kowalski, do partido conservador de direita Lei e Justiça (PiS), sugeriu que tais cobranças fossem limitadas e criticou a ideia de conceder poderes de supervisão à KNF.
“A Polônia tem um enorme potencial no setor de inovação em criptoativos. Mas, em vez de aproveitá-lo, o Ministério das Finanças quer sufocar o desenvolvimento de criptoativos, o que representa uma inversãomatic das tendências globais”, afirmou Kowalski em uma publicação no X, após a sessão parlamentar.
🔹Polska ma ogromny potencjał w sektorze innowacji kryptoaktywów. Ale zamiast go wykorzystać, @MF_GOV_PL que zablokować rozwój kryptoaktywów, com jest dramatycznym odwróceniem światowych trendów.
🔹Chcemy jako @pisorgpl, aby polscy informatycy pracowali dla polskich firm, w… pic.twitter.com/ZRTTbMuAW5
- Janusz Kowalski 🇵🇱 (@JKowalski_posel) 22 de julho de 2025
“Como PiS, queremos que os especialistas de TI polacos trabalhem para empresas polacas, na Polónia — e não na República Checa, em Malta ou na Alemanha — e que a Polónia seja o principal destino de investimento em criptoativos”, insistiu, argumentando ainda:
“Portanto, precisamos de regulamentações simples e sensatas em relação aos criptoativos, e não da lei excessivamente regulamentada proposta pelo governo do [Primeiro Ministro] Donald Tusk.”
Em declarações ao principal jornal polonês, Gazeta Wyborcza, Kowalski anunciou recentemente que, caso o Sejm não altere o documento, o presidente eleito Karol Nawrocki, apoiado pelo PiSdentque assumirá o cargo no início de agosto, vetará a legislação.
“O projeto de lei do governo não cumpre o princípio fundamental que deve ser aplicado na implementação da legislação da UE: 'UE+zero'”, afirmou, rejeitando as regras adicionadas pelos políticos polacos. Estas últimas “bloqueariam o desenvolvimento de criptoativos na Polónia durante anos”, alertou Kowalski.
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