Paul Atkins comparecerá perante o Comitê Bancário do Senado em 27 de março para sua audiência de confirmação como o próximo presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), de acordo com um comunicado divulgado pelo comitê na quinta-feira.
Essa audiência está acontecendo em Washington e, se confirmada, Atkins substituirá Mark Uyeda, que ocupa o cargo interinamente desde janeiro.
Atkins já atuou como comissário da SEC de 2002 a 2008. Após sua passagem pela agência, fundou a Patomak Global Partners, uma empresa de consultoria com sede em Washington, D.C. Seu retorno à SEC ocorre em um momento em que a agência já atravessa grandes transformações, muitas das quais afetam o setor de criptomoedas. Caso seja confirmado, espera-se que Atkins reduza as medidas de fiscalização e facilite a abertura de capital de empresas privadas.
Senado analisará indicações relacionadas a criptomoedas juntamente com Atkins
A audiência de confirmação não se limitará apenas a Atkins. O comitê do Senado também analisará a indicação de Jonathan Gould, sócio da Jones Day, para chefiar o Escritório do Controlador da Moeda (OCC). Gould trabalhou anteriormente como conselheiro-chefe e vice-controlador sênior do OCC antes de ingressar no escritório de advocacia. O comitê também considerará a indicação de Luke Pettit para o cargo de secretário-adjunto para instituições financeiras do Departamento do Tesouro dos EUA.
O foco principal recai sobre Atkins devido à nova direção da SEC, especialmente no que diz respeito às criptomoedas. A presidente interina, Uyeda, já implementou diversas mudanças este ano, enquanto Atkins aguarda a confirmação. Desde janeiro, a SEC arquivou mais de 10 processos relacionados a criptomoedas, incluindo casos envolvendo Kraken, Gemini, Robinhood e TRON. A agência também encerrou litígios ligados às normas de relatórios climáticos e permitiu que as empresas bloqueiem facilmente propostas de acionistas com as quais não concordam.
Outra grande novidade veio esta semana, quando a SEC desistiu de prosseguir com o recurso no processo contra Ripple. O caso se arrasta há quatro anos e três meses, segundo Brad Garlinghouse, CEO da empresa. Ele disse na quarta-feira, durante a Digital Assets Summit em Nova York: "Já se passaram quase quatro anos e três meses desde que a SEC nos processou inicialmente, certamente uma jornada dolorosa em muitos aspectos". Ele acrescentou: "Eu realmente acreditava que estaríamos do lado certo da lei e do lado certo da história"
Garlinghouse não se conteve. Ele disse à multidão: “O sistema parece estar quebrado. Tivemos que lutar por essa causa no setor e a SEC atacou o setor, particularmente no caso Ripple . Não houve vítimas, não houve prejuízo para os investidores. Eles simplesmente não agiram de boa fé.”
Após o anúncio, XRP teve uma alta de 10%, chegando a US$ 2,49. Este é o mais recente de uma série de retrocessos nas ações da SEC em 2025. Nenhuma das empresas envolvidas — Kraken, Gemini, Robinhood ou TRON— teve que pagar multas nos casos arquivados.
Também na quinta-feira, a SEC confirmou publicamente que a mineração por Prova de Trabalho (PoW) não se enquadra nas leis de valores mobiliários dos EUA. Isso se aplica a atividades em redes como Bitcoin, Litecoine Bitcoin Cash. A Divisão de Finanças Corporativas da SEC emitiu um esclarecimento formal afirmando que a mineração PoW não atende ao Teste de Howey, o que significa que não é considerada umtracde investimento e não exige registro sob a Lei de Valores Mobiliários.
O esclarecimento aplica-se apenas a redes blockchain públicas e somente a atividades relacionadas à mineração. A comissão declarou que indivíduos e pools de mineração não precisam registrar nenhuma transação relacionada à mineração. Essa medida oferece clareza jurídica aos mineradores pela primeira vez e elimina o receio de serem punidos por violações de leis de valores mobiliários apenas por operarem plataformas de mineração.
Essa notícia surgiu após a SEC confirmar que as memecoins não são consideradas valores mobiliários. Essa posição, combinada com o arquivamento de processos relacionados a criptomoedas e a confirmação mais recente sobre a mineração PoW, sinaliza uma mudança radical na forma como a SEC está lidando com criptomoedas sob a gestão de Uyeda — e potencialmente também sob a gestão de Atkins.
Se o Senado confirmar Atkins, espera-se que ele dê continuidade a essa trajetória. Isso inclui reduzir a fiscalização, agilizar as aprovações de IPOs e elaborar regras claras para criptomoedas em vez de simplesmente processar as empresas. Todas as ações deste ano apontam para uma abordagem mais flexível e baseada em regras, e não para a antiga estratégia de regulamentação por meio de processos judiciais.
Com sua experiência em consultoria financeira, seu tempo na SEC e o fato de ser investidor Bitcoin desde 2011, Atkins é visto como alguém que entende o funcionamento interno da agência. Mas desta vez, seu trabalho não será mantê-la funcionando. Será mudá-la — e rápido.
A audiência no Senado, em 27 de março, determinará se esse plano seguirá adiante.

