Segundo a Bloomberg, a OPEP+ chegou a um acordo preliminar para aumentar a produção de petróleo em 548 mil barris por dia a partir de setembro.
Espera-se que o plano seja formalmente aprovado quando a aliança se reunir virtualmente no domingo. Esse aumento é a peça final para reverter o corte de 2,2 milhões de barris por dia que oito de seus membros haviam implementado no ano passado.
Inclui também um aumento adicional na produção especificamente para os Emirados Árabes Unidos, que está sendo implementado gradualmente.
A decisão marca a continuidade da clara mudança de estratégia da OPEP, que passa de sustentar os preços para injetar mais barris em um mercado que ainda digere choques econômicos e pressão política.
Isso ocorre após uma série de aumentos agressivos na oferta que começaram em abril, logo depois que odent Donald Trump provocou volatilidade no mercado com sua proposta de tarifas comerciais do "Dia da Libertação".
Após o anúncio, os contratos futuros de petróleo caíram para os níveis mais baixos em quatro anos, e a OPEP+ respondeu acelerando o cronograma existente para reverter os cortes.
A aceleração da reversão da produção agrava as preocupações com o abastecimento global
Em julho, o grupo já havia antecipado seus aumentos mensais de produção, e agora este acréscimo planejado de 548.000 barris por dia para setembro irá desfazer completamente o corte de oferta do ano passado. Mas mesmo com esta rodada de negociações concluída, os mercados já estão de olho na próxima onda de petróleo retido.
Ainda há 1,66 milhão de barris por dia de produção que permanece formalmente paralisada até o final de 2026, e os investidores apostam que essa produção poderá ser retomada antes, caso as tendências atuais se mantenham.
Por enquanto, mais petróleo está a caminho. E as consequências já estão sendo sentidas. Na sexta-feira, o petróleo Brent caiu US$ 2,03, para US$ 69,67 por barril, enquanto o West Texas Intermediate recuou US$ 1,93, para US$ 67,33, em meio a temores de aumento da oferta combinados com dados econômicos fracos dos EUA.
Esses dados vieram do Departamento do Trabalho, que informou que o país criou apenas 73.000 empregos em julho, bem abaixo das expectativas. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, ante 4,1%. Esses números abalaram os investidores, que já estavam preocupados com a desaceleração da demanda.
Apesar da queda nos preços, o petróleo ainda registrou ganhos na semana. O Brent fechou em alta de quase 6%, e o WTI subiu 6,29%, graças à forte tron de verão. Mas isso pode não durar muito. Analistas já alertam para a possibilidade de um excedente global ainda este ano. Mais barris da OPEP+, combinados com o arrefecimento das economias, podem levar o mercado de volta à situação de excesso de oferta.
Os preços da gasolina já estão caindo. Os preços de referência da gasolina no varejo nos EUA recuaram em julho, e essa nova medida da OPEP+ pode manter a queda. Isso representa uma vitória a curto prazo para os consumidores e é politicamente conveniente para Trump, que vem pressionando o Federal Reserve para cortar as taxas de juros.
Rússia e Arábia Saudita reforçam aliança OPEP+ em meio a tensões
Ao mesmo tempo, a equipe de Trump ameaça impor sanções secundárias a qualquer país que continue importando petróleo bruto russo, a menos que haja um cessar-fogo na Ucrânia. Essa ameaça pode interromper o fluxo e fazer os preços subirem novamente, exatamente o oposto do objetivo de Trump de manter os custos de energia baixos.
Para evitar rupturas na OPEP+, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, fez uma rara viagem a Riad na quinta-feira, onde se reuniu com o ministro da Energia da Arábia Saudita, Príncipe Abdulaziz bin Salman. Os dois discutiram a cooperação energética entre seus países, reforçando suas respectivas lideranças dentro da aliança, que já dura quase uma década.
Essa parceria será fundamental para que a OPEP+ navegue pela próxima fase de sua política de produção. Embora três pessoas com conhecimento direto das negociações internas do grupo tenham afirmado que a cifra de 548.000 barris por dia provavelmente será definida neste fim de semana, uma pessoa disse que o volume final ainda está sendo debatido e pode acabar sendo ligeiramente menor.
O que está claro é que a OPEP está agindo rapidamente. Depois de anos defendendo os preços, o grupo agora está focado em recuperar participação de mercado, mesmo que isso corra o risco de gerar um novo excesso de oferta. Com a demanda instável e a política se acirrando, os próximos meses poderão decidir por quanto tempo essa estratégia agressiva de produção se manterá.

