A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o aumento das tarifas de importação impostas por Trump desacelerará o crescimento econômico mundial e elevará a inflação a níveis muito mais altos, segundo um relatório divulgado na segunda-feira. O relatório reduz drasticamente as projeções de crescimento para quase todas as principais economias em 2025 e 2026.
O relatório agora projeta que a economia do México encolherá 1,3% este ano e 0,6% em 2026, uma grande reversão em relação às estimativas anteriores que previam crescimento de 1,2% e 2,8%, respectivamente. A previsão de crescimento do Canadá foi reduzida para 0,7% tanto para 2025 quanto para 2026, ante os 2% previstos anteriormente. A economia dos EUA também deve desacelerar, com crescimento agora estimado em 2,2% este ano e 1,6% no próximo, abaixo das projeções anteriores de 2,4% e 2,1%. Ambos os países são vítimas das tarifas agressivas impostas por Trump.
Tarifas vão subir, parceiros comerciais enfrentarão custos elevados
A previsão da OCDE pressupõe um aumento de 25 pontos percentuais nas tarifas de importação do México e do Canadá a partir do próximo mês. A China continuará sujeita a tarifas de 20 pontos percentuais sobre suas exportações para os EUA, além de maiores impostos sobre aço e alumínio.
Em seu relatório de segunda-feira, a OCDE alertou que as políticas comerciais de Trump provavelmente levariam a represálias dos países afetados, o que prejudicaria ainda mais a economia global.
Álvaro Pereira, economista-chefe da OCDE, destacou como a incerteza em torno das políticas comerciais de Trump já está afetando os mercados globais. "Já estamos vendo alta incerteza comercial e incerteza em relação à política econômica", disse Pereira. "Isso já está impactando a confiança. Rebaixamos a classificação de quase todos os países."
De acordo com o relatório da OCDE, a previsão atual é de que a economia global cresça 3,1% em 2025 e 3% em 2026, um pouco abaixo das estimativas anteriores de 3,3% para ambos os anos.
A inflação e as famílias americanas serão afetadas
Se Trump impuser novas tarifas de 10 pontos percentuais e outras nações responderem com suas próprias barreiras comerciais, a OCDE prevê que a produção econômica global encolherá 0,3% em 2026. O relatório também alerta que essas políticas aumentarão os preços ao consumidor, reduzindo a renda real nos EUA em 1,25% nos próximos três anos. Isso se traduz em uma perda média de US$ 1.600 por família.
Apesar de gerar receita tarifária adicional para o governo dos EUA, a OCDE afirma que a desaceleração econômica reduzirá a arrecadação de impostos de outras fontes, tornando improvável que as tarifas cubram as perdas. "Aumentos adicionais de impostos ou menores gastos fiscais são necessários para manter o defiorçamentário geral inalterado", declarou a OCDE.
A inflação deverá subir um terço de ponto percentual nas maiores economias do mundo devido às tarifas de Trump , o que poderá levar os bancos centrais a adiarem os cortes nas taxas de juros. Pereira afirmou que, se a inflação piorar, os bancos centrais serão obrigados a adotar uma abordagem cautelosa na tomada de decisões.
A OCDE agora prevê que o Federal Reserve manterá as taxas de juros entre 4,25% e 4,5% até meados de 2026, uma mudança em relação à sua previsão anterior, que apontava para uma queda das taxas para entre 3,25% e 3,5% no início de 2026.
China registra pequeno impulso, zona do euro enfrenta dificuldades
A OCDE elevou ligeiramente sua previsão de crescimento para a China, estimando agora um crescimento de 4,8% em 2025, acima dos 4,7% previstos anteriormente. O grupo afirma que as medidas de estímulo econômico da China ajudarão a compensar o impacto das tarifas americanas sobre as exportações chinesas.
Entretanto, as previsões de crescimento para a zona do euro e para a Alemanha foram revistas em baixa. Contudo, a OCDE observou que as suas projeções ainda não refletem os aumentos esperados nos gastos com defesa e infraestrutura da Alemanha sob a nova liderança. O governo liderado por Friedrich Merz deverá expandir os investimentos em infraestrutura, o que poderá melhorar as perspectivas para a maior economia da Europa.
“A Alemanha tem sofrido com uma deficiência em infraestrutura há muito tempo”, disse Pereira. “Eles defi precisam investir mais.”

