Malta opõe-se à centralização da supervisão das criptomoedas pela UE

- A autoridade reguladora financeira de Malta opôs-se à atribuição de poderes de supervisão direta à ESMA sobre as empresas de criptomoedas, após a autoridade ter divulgado anteriormente uma análise.
- França, Itália e Áustria pressionaram pela proposta, argumentando que a supervisão da ESMA é necessária devido à aplicação inconsistente do MiCA.
- A MFSA alertou que a centralização aumentaria a burocracia e impediria a competitividade nos mercados de criptomoedas da UE.
A autoridade reguladora financeira de Malta opôs-se à pressão de outros Estados-membros europeus para que a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) tenha jurisdição sobre as empresas de criptomoedas. Esta mais recente oposição de Malta agrava a divisão entre os reguladores da UE sobre a forma de aplicar o novo quadro regulamentar do bloco relativo aos Mercados de Criptoativos (MiCA).
França, Itália e Áustria instaram a ESMA a supervisionar diretamente as principais empresas de criptomoedas. Os países destacaram preocupações de que os reguladores nacionais possam interpretar as regras do MiCA de forma inconsistente, criando potencialmente brechas regulatórias. A agência reguladora financeira francesa também sugeriu que poderá contestar as licenças de criptomoedas oferecidas por outros Estados-membros da UE, caso considere que os padrões aplicados sejam desiguais.
A presidente da ESMA, Verena Ross, reconhece divergências sobre a supervisão de criptomoedas na UE
A Autoridade de Serviços Financeiros de Malta (MFSA) insistiu que apoia a coordenação regulatória, mas não a centralização. A autoridade reconheceu que a centralização, no estágio atual, introduziria uma camada adicional de burocracia. Segundo a MFSA, uma camada adicional de burocracia pode prejudicar a eficiência num momento em que a UE procura ativamente aumentar a competitividade.
Os reguladores de criptomoedas da França, Itália e Áustria estão em pânico, porque ninguém gosta deles.
O MiCA permite que sua licença de criptomoedas seja utilizada em todos os países da UE. Isso está em consonância com o espírito da União Europeia: capital e mão de obra podem ir para onde são mais competitivos.
Isto… pic.twitter.com/Nwvvojgpu2
– Mikko Ohtamaa (@moo9000) 16 de setembro de 2025
A MFSA reiterou seu apoio ao papel da ESMA na promoção da convergência da supervisão entre os Estados-Membros da UE, mas rejeitou a opção de controle direto. Há uma tensão contínua na UE sobre o modelo de "passaporte" vinculado à licença MiCA, que permite que empresas de criptomoedas licenciadas em um Estado operem em todos os 27. O regulador francês defendeu uma supervisão uniforme, alertando que as empresas podem explorar a supervisão mais fraca em algumas áreas do bloco.
Verena Ross, presidente da ESMA, afirmou que permitiria poderes de supervisão, mas que qualquer pequena alteração exigiria consenso entre os Estados-membros, o que é difícil de alcançar. Ela reconheceu o longo histórico de defesa da França pela centralização da supervisão.
A ESMA analisou os procedimentos de licenciamento de criptomoedas de Malta no início deste ano e divulgou um relatório dessa análise em julho. O relatório destacou que a MFSA atendeu parcialmente às expectativas na autorização de provedores de serviços de criptoativos. O relatório revelou que diversas questões relevantes não foram abordadas durante a fase de aprovação. Apesar das constatações, a análise reconheceu a competência e a experiência da equipe de Malta, instando a MFSA a fortalecer seus procedimentos e reavaliar as questões não resolvidas de autorizações anteriores.
A ESMA destaca as lacunas de licenciamento MiCA em Malta, enquanto a UE pressiona por consistência
O comitê de supervisão da UE argumentou que suas conclusões sobre a MFSA visavam orientar todas as Autoridades Nacionais Competentes em sua adaptação aos requisitos da MiCA. O comitê insistiu que a consistência em todo o bloco é importante para evitar lacunas regulatórias.
Entretanto, outros reguladores da UE permanecem divididos em relação ao bloco, não havendo consenso claro à medida que a implementação completa do MiCA prossegue. De acordo com um relatório pelo Centro de Estudos de Política Europeia (CEPS), o MiCA enfrenta seu primeiro teste real de credibilidade em relação ao tratamento de stablecoins com múltiplas emissões. A publicação observou que divergências institucionais criaram incerteza sobre a permissibilidade de stablecoins emitidas conjuntamente por entidades da UE e de fora da UE.
O Banco Central Europeu (BCE) manifestou preocupação com os riscos de soberania edent, enquanto a Comunidade Europeia adotou uma abordagem mais restrita. De acordo com uma análise aprofundada da ECRI, elaborada por Judith Arnal, a exclusão de stablecoins com múltiplas emissões pode prejudicar tanto a proteção do consumidor quanto a competitividade da UE no mercado global de ativos digitais. A publicação argumentou que a credibilidade da MiCA depende de diretrizes claras. Ela instou a Comissão a emitir um esclarecimento imediato, sendo necessários ajustes legais adicionais enquanto isso, para evitar que a eficácia da MiCA seja comprometida.
Cryptopolitan destacou as deficiências da ESMA na licença de provedor de criptoativos (CASP) de Malta, concedida sob a regulamentação MiCA, após a revisão do regulador da UE. A revisão constatou que a Autoridade de Serviços Financeiros de Malta (MFSA) aprovou a licença apesar de preocupações não resolvidas em termos de governança, TIC e combate à lavagem de dinheiro. A ESMA argumentou que questões materiais, como conflito de interesses e riscos relacionados à tecnologia, deveriam ter sido abordadas antes, em vez de serem deixadas para a supervisão posterior à concessão da licença. Desde então, a MFSA reforçou suas regras de transparência, exigindo que as empresas publiquem licenças específicas da UE, precisas e justas em seus sites.
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Collins J. Okoth
Collins Okoth é jornalista e analista de mercado com 8 anos de experiência na cobertura de criptomoedas e tecnologia. Ele é Analista Financeiro Certificado (CFA) e possui formação emmaticAtuarial. Collins já trabalhou como redator e editor na Geek Computer e na CoinRabbit.
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