A corretora de criptomoedas Kraken suspendeu temporariamente os depósitos em Monero após um suposto ataque de 51% à blockchain focada em privacidade, o que gerou um acalorado debate na comunidade cripto.
Esse tipo de ataque ocorre quando um pool de mineração controla mais de 50% do poder de hash total de uma rede blockchain. Isso possibilita gastos duplos e reordenação de transações no livro-razão. Em um comunicado, a Kraken explicou que os depósitos de Monero foram pausados como medida de precaução para proteger a segurança da rede.
“Como medida de segurança, suspendemos os depósitos de Monero após detectarmos que um único grupo de mineração obteve mais de 50% do poder de hash total da rede. Essa concentração de poder de mineração representa um risco potencial para a integridade da rede.”
Kraken suspende depósitos de Monero em meio a crescentes ameaças à rede
A atividade suspeita foi atribuída à Qubic, uma blockchain de camada 1 e pool de mineração de IA. No início desta semana, a Qubic afirmou ter alcançado o controle majoritário do poder de hash do Monero e reorganizado seis blocos na blockchain. Isso levou a negações do ataque por parte da comunidade Monero.
Monero, a 29ª maior criptomoeda em capitalização de mercado, segundo o CoinMarketCap, é um protocolo líder focado em privacidade. O ataque de 51% em curso contra sua rede abalou a comunidade, provocando uma série de reações.
"Após um mês de intenso confronto técnico, a Qubic alcançou 51% do domínio do poder de processamento da Monero, reorganizando com sucesso a blockchain", escreveram os porta-vozes da Qubic na terça-feira.
A tentativa inicial de aquisição do pool de mineração foi rejeitada, sendo superada pelo sétimo maior minerador do protocolo. Em 4 de agosto, ataque de negação de serviço (DDoS). Um ataque de negação de serviço distribuído (DDoS) sobrecarrega um computador, rede ou servidor com tráfego falso excessivo, congestionando o sistema e impedindo o processamento de solicitações legítimas.
Segundo Sergey Ivancheglo, que reivindicou a responsabilidade pelo ataque de 51%, o ataque DDoS reduziu drasticamente o poder de hash da Qubic de 2,6 gigahashes por segundo (GH/s) para apenas 0,8 GH/s. O pool da Qubic eventualmente recuperou sua capacidade de hash, assumindo o controle majoritário do poder computacional da rede Monero.
“Este evento marca um momento crucial na indústria de criptomoedas”, continuaram os porta-vozes da Qubic, destacando a aquisição de um protocolo de privacidade de US$ 6 bilhões por um protocolo de IA de US$ 300 milhões.
O Monero, negociado sob o símbolo XMR, é atualmente a terceira criptomoeda com pior desempenho entre as 100 principais por capitalização de mercado, tendo caído quase 25% no último mês.
Incentivos econômicos substituem os ataques maliciosos tradicionais nas guerras de mineração
O ataque de 51% ao Monero seria especialmente crítico aos olhos dos lavadores de dinheiro que buscam transações nãotrace recursos de privacidade inabaláveis – virtudes inerentes ao Monero.
O algoritmo RandomX da rede foi criado explicitamente para impedir a mineração por ASIC e promover a mineração por CPU e GPU no contexto da descentralização.
Mas a Qubic introduziu um módulo exclusivo de "prova de trabalho útil" (uPoW, na sigla em inglês), que também vem sendo usado para incentivar a realocação das minas de Monero por CPU em apoio à sua economia de tokens. No entanto, a empresa planeja converter os XMR minerados em stablecoins USDT para comprar e queimar tokens QUBIC usando um modelo deflacionário em sua moeda nativa.
Em vez de estabelecer um ataque tradicional com o objetivo de lucro ou interrupção, o projeto criou incentivos econômicos que levam os mineradores a migrarem de pools distribuídos para sua operação centralizada. Essa nova categoria de ataque não depende de intenções maliciosas, mas sim de incentivos econômicos superiores.

