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O aplicativo de criptomoedas Kontigo preocupa parceiros após relatos de ligações com fluxos de petróleo venezuelanos sancionados

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • A Kontigo está sendo criticada por supostamente ajudar a Venezuela a contornar as sanções petrolíferas dos EUA usando stablecoins.
  • O JPMorgan, a Stripe e outros parceiros romperam relações com o aplicativo de criptomoedas.
  • A empresa arrecadou US$ 20 milhões em dezembro, enquanto ocultava vínculos com uma licença estatal na Venezuela.

O aplicativo venezuelano de criptomoedas Kontigo construiu sua imagem com base em barulho, velocidade e grandes promessas, mas agora as autoridades americanas o colocaram sob escrutínio depois que o governo Trump decidiu que era hora de adotar uma postura hostil em relação à Venezuela.

Segundo o The Wall Street Journal, depois que os militares dos EUA removeram ilegalmente Nicolás Maduro do poder, essa contradição deixou de ser fácil de ignorar.

O hype do Vale do Silício foi o que impulsionou a ascensão meteórica da Kontigo

A Kontigo foi fundada em 2023 pelo empreendedor venezuelano Jesus Castillo, que se apresentou como um pequeno outsider lutando contra os grandes bancos. Ele instalou sua equipe em uma casa de luxo em São Francisco e transmitiu hackathons online. Falou sobre construir um neobanco para latinos. Chegou até a falar sobre Marte.

A estratégia funcionou. A empresa entrou para a Y Combinator e arrecadou mais de US$ 20 milhões em dezembro de fundos renomados, incluindo Coinbase Ventures e Alumni Ventures.

Castillo afirmou que o aplicativo tinha 1,2 milhão de usuários na América Latina e na América do Sul. Ele disse que mais de US$ 1 bilhão já havia sido movimentado pela plataforma.

O produto permite que os usuários troquem cash local por stablecoins atreladas ao dólar. Esses tokens podem então ser usados ​​para pagamentos e operações bancárias básicas. Fora da Venezuela, a mensagem focava na inflação e no acesso. Dentro do país, a realidade era bem diferente.

Criptomoedas transportam cash do petróleo através de sanções

Na Venezuela, a Kontigo operava com a aprovação do Estado. Possuía uma licença da Sunacrip, órgão regulador de criptomoedas do país, por meio de uma empresa local chamada Oha Technology. A licença foi assinada pelo ministro da Fazenda.

Castillo comemorou o recebimento do prêmio em conversas privadas em grupo, em janeiro de 2025. "A realidade é que o sucesso da Kontigo foi forjado após anos de trabalho árduo, resiliência e perseverança, sem ser genro, sobrinho ou primo de ninguém", disse ele.

Em um evento fechado em Caracas, em dezembro passado, os materiais da Kontigo mostraram como as vendas de petróleo estavam sendo liquidadas com stablecoins. O economista Asdrúbal Oliveros explicou aos participantes que as sanções haviam bloqueado os canais bancários tradicionais. As criptomoedas preencheram essa lacuna. No segundo semestre do ano passado, quase 80% da receita petrolífera da Venezuela chegou por meio de pagamentos em stablecoins.

Esses fundos entraram então na economia local por meio de bancos, corretoras e plataformas de criptomoedas licenciadas, incluindo a Kontigo e um aplicativo concorrente chamado Crixto. Um dos slides do evento dizia: "O mercado de criptomoedas vem ao resgate"

Usuários venezuelanos também podiam enviar fundos entre o aplicativo e o Banco da Venezuela, mesmo que o banco esteja sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA. Durante meses, a plataforma também permitiu transferências vinculadas a contas bancárias americanas por meio de intermediários, embora essa atividade seja amplamente proibida.

Os parceiros se afastam à medida que a pressão aumenta

No final de dezembro, as portas começaram a se fechar. O JPMorgan Chase cortou o acesso. O Stripe encerrou os serviços de pagamento. O Bridge seguiu o mesmo caminho. Posteriormente, as transações do PayPal pararam de funcionar para os usuários.

Um parceiro americano afirmou que executivos da empresa alegaram não haver operações em campo na Venezuela. Essa relação terminou logo depois. A licença da Sunacrip vinculada à Oha Technology expirou em 8 de janeiro.

Os problemas se intensificaram depois que o jornalista Jason Mikula escreveu sobre a empresa e suas supostas ligações ocultas com a família de Maduro. Quando o CEO da Klarna, Sebastian Siemiatkowski, compartilhou a publicação, a conta oficial da Kontigo respondeu que responsabilizaria as pessoas por espalharem informações falsas.

Dias depois, a empresa informou ter sofrido um ataque cibernético. Um total de 1.005 usuários perderam cerca de US$ 341.000. A empresa afirmou que todos os prejuízos foram ressarcidos.

Em 12 de janeiro, Jesus publicou um vídeo de nove minutos em espanhol. Ele afirmou que a plataforma estava sendo atacada por críticos e hackers. Negou qualquer ligação política e disse que o sucesso era fruto do trabalho, não de conexões familiares.

Entretanto, a atividade diminuiu drasticamente. A principal carteira pública de criptomoedas listada no site da empresa apresentava fluxos semanais na casa das centenas de milhares de dólares durante meses. Após 19 de janeiro, a atividade caiu para algumas poucas transações de teste, de valor próximo a um dólar cada.

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