As autoridades indianas alertaram que jovens do país estão sendo usados involuntariamente como mensageiros em fraudes internacionais. Esses criminosos geralmente os utilizam para movimentar os lucros de fundos ilícitos sem o seu conhecimento. A polícia indiana prendeu recentemente Ajay, um garçom de 24 anos, que disse ter descoberto uma maneira fácil de ganhar dinheiro.
Em seu depoimento, Ajay disse que pensava ter encontrado uma maneira de ganhar dinheiro extra para complementar sua renda. Ajay, que mora nas ruas sinuosas de Lucknow, disse que um amigo o apresentou a um operador de criptomoedas que lhe ofereceu 20.000 rúpias (aproximadamente US$ 240) para que ele pudesse usar a conta bancária de Ajay para uma transação do dia.
Ajay observou que, após muita reflexão, sentiu-se tentado pela oferta e a aceitou. Na manhã seguinte, os negociadores de criptomoedas enviaram várias centenas de milhares de rúpias para sua conta, dando-lhe instruções sobre como sacar o cashe como se encontrar com as pessoas que o receberiam.
Autoridades indianas emitem alertas para jovens
Segundo Ajay, poucas semanas após começar a prestar esse tipo de serviço, a polícia indiana bateu à sua porta e exigiu vê-lo. Foi nesse momento que a polícia lhe informou que o dinheiro que ele estava ajudando o operador de criptomoedas a movimentar fazia parte de um elaborado crime financeiro internacional. Disseram-lhe que os criminosos estavam desviando os fundos através de sua conta para mascarar seus rastros.
Após ser detido pela polícia indiana, Ajay começou a ajudá-los, indicando o caminho certo. Os investigadores disseram que conseguiram identificar dent titulares de contas e intermediários envolvidos no esquema que compartilhava um link de Chowk, Indira Nagar e Sushant Golf City com pessoas no Camboja , Laos, Vietnã e Tailândia.
Investigações conduzidas pela Divisão de Crimes e pela Unidade de Crimes Cibernéticos da polícia indiana nos últimos três meses revelaram dezenas de contas de laranjas. Essas contas, geralmente pertencentes a jovens da região, foram transformadas em ferramentas para movimentar recursos ilícitos.
Muitos desses titulares de contas são pessoas comuns, a maioria trabalhando em restaurantes, pequenas lojas e empregostrac. Outros sãodentuniversitários que foram contratados com a promessa de comissões de 10.000 a 30.000 rúpias para emprestar suas contas a facilitadores, que transferem para elas os lucros de fraudes cibernéticas. Parte desses fundos é transferida para ativos digitais, especialmente USDT, usando redes ponto a ponto.
A polícia afirma que as operações são realizadas pelo Telegram
Segundo a polícia indiana, as operações são realizadas em canais criptografados do Telegram, administrados por intermediários chineses. Recrutadores locais são frequentemente encarregados de coletar contas, burlando os procedimentos adequados de KYC ( Conheça Seu Cliente). Nos dias das transações, os titulares das contas "mula" são levados ao banco para sacar esses fundos antes de entregá-los a corretoras que os convertem em criptomoedas.
A maior parte dos fundos provém de diferentes tipos de crimes cibernéticos cometidos em toda a Índia. No último mês, a polícia de Lucknow afirmou ter tracaté 50 milhões de rupias (US$ 570.000) sendo lavadas por meio dessas contas. As redes evitam os canais legais, disfarçando suas atividades como negociação de criptomoedas para que possam passar despercebidas pelas autoridades.
A polícia informou que já prendeu cerca de 60 jovens porque suas contas bancárias foram usadas como laranjas em casos envolvendo milhões de rúpias. "Esses jovens não são criminosos contumazes, mas suas ações possibilitam fraudes em larga escala", disse o vice-comissário de polícia (Lucknow Sul), Rallapalli Vasanth Kumar, à PTI. "Vários jovens confessaram arrependimento, admitindo que subestimaram os riscos legais", acrescentou.

