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A AIE prevê um excedente recorde de petróleo em 2026, devido à desaceleração da demanda global

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
A AIE prevê um excedente recorde de petróleo em 2026, devido à desaceleração da demanda global
  • A AIE (Agência Internacional de Energia) prevê um excedente recorde de petróleo de 2,96 milhões de barris por dia em 2026.
  • A demanda global por petróleo está crescendo a menos da metade do ritmo observado em 2023.
  • Os produtores da OPEP+ e de países não membros da OPEP estão aumentando a oferta, enquanto os preços caem para US$ 66.

A Agência Internacional de Energia afirma que o mundo caminha diretamente para um excedente de petróleo recorde em 2026, à medida que o crescimento da demanda global desacelera e os produtores continuam aumentando a produção.

Em um relatório divulgado em Paris, a AIE (Agência Internacional de Energia) estimou que os estoques de petróleo aumentarão em 2,96 milhões de barris por dia no próximo ano. Esse número supera a taxa média de estoques observada durante o pico da crise da COVID-19 em 2020.

A demanda já não está acompanhando o ritmo. Este ano e no próximo, a demanda global por petróleo está crescendo a menos da metade do ritmo registrado em 2023. Enquanto isso, a produção está aumentando rapidamente. A aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita, começou a retomar a produção que havia sido interrompida.

Fora do grupo, mais barris estão vindo dos Estados Unidos, Canadá, Guiana e Brasil. A AIE (Agência Internacional de Energia) elevou ligeiramente sua previsão de produção nessas regiões para 2026, alertando que “os equilíbrios do mercado de petróleo parecem cada vez mais inflados” e que a oferta está superando a demanda no próximo ano. “É evidente que algo terá que ceder para que o mercado se equilibre”, afirmou a agência.

Os preços do petróleo bruto caem à medida que a guerra comercial de Trump obscurece as perspectivas.

Até agora, neste ano, os preços do petróleo bruto caíram 12%, sendo negociados em torno de US$ 66 por barril em Londres. Isso ocorre justamente quando produtores da OPEP+ e de fora da OPEP+ inundam o mercado e crescem os temores de quedent Donald Trump a guerra comercial possa desacelerar ainda mais a economia.

Trump, agora de volta à Casa Branca, tem pressionado por preços mais baixos dos combustíveis. Essa queda lhe dá o que ele quer nesse aspecto, mas também coloca os países e empresas produtoras de petróleo em uma situação delicada.

Neste momento, a demanda por petróleo está recebendo um pequeno impulso datrontemporada de viagens de carro no verão do Hemisfério Norte. Mas, mesmo assim, a AIE (Agência Internacional de Energia) afirma que o mercado já apresenta sinais de excesso de oferta. Os estoques globais atingiram seu nível mais alto em quase quatro anos em junho.

A agência acrescentou que quaisquer novas sanções contra a Rússia ou o Irã podem alterar o cenário, mas, por ora, a tendência é clara: muito petróleo e poucos compradores. No segundo trimestre de 2020, o mundo registrou o maior excedente trimestral da história, com mais de 7 milhões de barris por dia, devido aos lockdowns que sufocaram a demanda.

Esse excesso de produção foi reduzido por meio de enormes cortes na produção da OPEP+. Mas agora, a mesma coalizão está revertendo essas medidas. Eles vêm restaurando a produção e estão a tracde concluir a retomada de um volume de 2,2 milhões de barris até setembro, após confirmarem outro aumento na produção no início deste mês.

OPEP+ enfrenta dificuldades para controlar as inundações

Não está claro o que a OPEP+ planeja fazer a seguir. O grupo não se comprometeu com nenhuma direção específica, então pode aumentar a produção novamente, fazer uma pausa ou reduzi-la. A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou que a produção da coalizão completa, composta por 22 nações, na verdade diminuiu no mês passado, depois que a Arábia Saudita reduziu a produção iniciada em junho, durante o conflito entre Israel e Irã.

Mas mesmo com essa queda, ainda havia países aumentando a produção. Os Emirados Árabes Unidos elevaram sua produção para 3,5 milhões de barris por dia no mês passado. Esse é um novo recorde e está muito acima de sua cota oficial da OPEP+.

O bloco enfrenta pressão de todos os lados. A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou que o crescimento da oferta de países não pertencentes à OPEP+ em 2026 deverá atingir 1 milhão de barris por dia, um aumento de 100 mil barris em relação às previsões anteriores. Esse crescimento está sendo liderado novamente pelos EUA, Guiana, Canadá e Brasil.

Do lado da demanda, o cenário não é nada animador. A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou que o consumo global de petróleo aumentará apenas 680 mil barris por dia este ano, o ritmo mais fraco desde 2019. No próximo ano, poderá chegar a 700 mil barris diários, ainda insuficiente para compensar a enorme produção de petróleo bruto. A fraca demanda na China, Índia e Brasil está pressionando esses números para baixo.

Olhando para o futuro, a AIE prevê que o crescimento da demanda por petróleo se estabilize até o final desta década, à medida que mais países adotam veículos elétricos e alternativas energéticas mais limpas. Essa tendência de longo prazo representa mais uma preocupação para os produtores que contam com a recuperação da demanda.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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