O inverno cripto afetou a exchange Huobi, espalhando seus problemas e criando raízes. O fundador do Grupo Huobi, Leon Li, está negociando com um grupo de investidores a venda de sua participação majoritária por US$ 3 bilhões ou mais. Essa onda de vendas pode ser a maior aquisição do mundo desde o colapso global das criptomoedas, que movimentou US$ 2 trilhões.
O fundador da Huobi está buscando vender sua participação na empresa
Segundo pessoas familiarizadas com a situação, Leon manteve conversas com diversos investidores com o objetivo de vender uma participação de aproximadamente 60% em sua empresa, que ele criou há quase uma década.
Justin Sun, criador da TRON, e o bilionário do setor de criptomoedas Sam Bankman-Fried tiveram conversas preliminares com a Huobi sobre uma transferência de ações. Ao fornecerem essas informações confidenciais, as fontes foram solicitadas a manter suasdentem sigilo.
Segundo fontes familiarizadas com a situação, investidores como ZhenFund e Sequoia China foram informados da decisão de Li durante uma assembleia de acionistas em julho. A aquisição da Huobi pode ser concluída já no final deste mês. De acordo com as fontes, Li busca uma avaliação entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões para a empresa, o que implica que a venda pode valer mais de US$ 1 bilhão.
O Grupo Huobi confirmou que Li está em negociações com diversas instituições estrangeiras a respeito da venda de participação. No entanto, eles não quiseram fornecer mais detalhes. Leon Li acredita que os novos investidores serão mais influentes e terão mais recursos, além de valorizarem a marca Huobi e investirem recursos e esforços adicionais para impulsionar o crescimento da empresa.
Nos últimos meses, a empresa tem procurado expandir sua presença internacional, obtendo aprovação regulatória em diversos países. Os órgãos reguladores financeiros australianos também deram seu aval recentemente.
EXCLUSIVO: O fundador da Huobi, Li Lin, está buscando vender sua participação na empresa. Li Lin detém atualmente mais de 50% das ações. O segundo maior acionista da Huobi é a Sequoia China. A receita da Huobi despencou após a empresa excluir todos os seus usuários chineses e demitir funcionários. https://t.co/67KOlW9aT9
— Wu Blockchain (@WuBlockchain) 1º de julho de 2022
Após rumores de queda nas ações, os papéis da Huobi Technology reverteram as perdas e subiram até 5,7% nas últimas 24 horas. De acordo com dados da CoinGecko, o token HT da Huobi valorizou-se em 25%.
Segundo a trac CoinGecko, a Huobi movimentou cerca de US$ 1,12 bilhão em transações de criptomoedas nas 24 horas até 12 de agosto, um pouco mais da metade das negociações realizadas pela Coinbase Global Inc. A corretora é avaliada em aproximadamente US$ 19 bilhões, com um índice P/L de 18,6.
A crise financeira fez com que alguns dos investidores mais ricos do setor estivessem ansiosos para adquirir ativos a preços vantajosos. A FTX destinou cerca de US$ 1 bilhão para ajudar empresas insolventes, incluindo Voyager Digital LLC e a BlockFi Inc. Sun, fundador da rede blockchain Tron , já adquiriu outras empresas de criptomoedas, como a exchange Poloniex e a BitTorrent.
Uma retrospectiva dos fatores que levaram à situação atual
Alguns dos potenciais compradores são apontados como figuras de destaque do setor. Por outro lado, Sun afirmou não ter conversado com Li sobre o negócio, enquanto um porta-voz da FTX negou ter qualquer comentário a respeito. Um relatório separado, divulgado há um mês, indicava que Li estava disposto a vender sua participação na plataforma de negociação.
Até o momento, não nos envolvemos em nenhuma questão relacionada à reportagem da Bloomberg.
- HE Justin Sun (@justinsuntron) 12 de agosto de 2022
Naquela época, muitas pessoas brincavam que Sam Bankman-Fried tinha as melhores chances de fechar um acordo com os executivos da Huobi porque a FTX estava em uma onda de aquisições durante o mercado em baixa.
A Huobi, que já foi a plataforma de negociação Bitcoin mais ativa do mundo, vem se retirando da China, onde antes possuía a maior base de usuários e fonte de renda. O anúncio feito por Pequim no ano passado, declarando as transações com criptomoedas ilegais, encerrou efetivamente o relacionamento da corretora de Li com os consumidores chineses.
A corretora começou negociando criptomoedas para investidores globais e, desde então, expandiu-se para mercados internacionais, incluindo Turquia e Brasil, mas compete com rivais maiores como Binance e FTX. Não se sabe ao certo se uma possível aquisição poderia incluir a Huobi Technology Holdings Ltd., listada em Hong Kong.
Esta afiliada gere ativos digitais para investidores profissionais e possui licença da entidade reguladora de valores mobiliários de Hong Kong.
a Huobi teve que demitir vários funcionários em decorrência da crise das criptomoedas e da fuga de investidores. Segundo informações de junho, a empresa dispensou pelo menos 30% de seu quadro de funcionários.
Huobi abandona o mercado de criptomoedas chinês
Li, um ex-programador da Oracle Corp., cofundou a Huobi em 2013 e rapidamente transformou a empresa de Pequim na corretora Bitcoin mais ativa, oferecendo isenção de taxas de transação. Em 2017, as autoridades chinesas ordenaram que as corretoras locais cessassem as transações envolvendo moedas fiduciárias e digitais, a primeira de uma série de medidas que representavam um perigo para a estabilidade financeira da China.
Li delegou algumas responsabilidades a seus subordinados para lidar com questões de saúde. O atual CEO, Hua Zhu, é um ex-tecnólogo do Alibaba Group Holding Ltd. que ingressou na Huobi em 2020.
Em uma reportagem da Bloomberg News de 2020, Li afirmou que nunca recebeu nenhuma notificação formal o impedindo de deixar a China, mas decidiu não sair devido aos riscos envolvidos.
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