Hong Kong comprou quase 6 bilhões de dólares americanos esta semana para impedir que sua moeda subisse além da faixa de negociação legal.
A Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA) interveio depois que o dólar da cidade atingiu o limitetronde sua paridade, aproximando-se de 7,75 por dólar, e esta foi a primeira vez desde 2020 que tomaram essa medida específica.
Um funcionário do escritório da Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA) em Nova York teria confirmado à Bloomberg que as compras foram reais, feitas por telefone e rapidamente. A decisão foi motivada pela queda no valor do dólar americano, que vinha pressionando o dólar de Hong Kong a níveis que ameaçavam romper completamente a paridade cambial.
A Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), atuando como banco central da cidade, já havia intervido anteriormente vendendo dólares em 2022 e 2023, quando a moeda local estava se desvalorizando muito e prestes a cair abaixo de 7,85. Desta vez, tiveram que inverter a estratégia. Tratava-se de uma gestão de emergência no mundo real para defender um sistema que existe desde a década de 80.
A China observa a Fannie Mae enquanto se afasta dos títulos do Tesouro
Assim como a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA) interveio nos mercados, o banco central de Taiwan fez o mesmo. Na mesma sexta-feira, o dólar taiwanês valorizou-se 3% em relação ao dólar americano — a maior oscilação em um único dia desde 1988. O banco central taiwanês não teve outra opção senão intervir também. Regionalmente, todas as autoridades monetárias estão agora lidando com oscilações cambiais, e ninguém está parado.
No início deste ano, uma manchete sobre a reformadent pelo presidente Donald Trump à Fannie Mae e à Freddie Mac chegou às mesas dos reguladores cambiais da China. Isso chamou a atenção total de Pequim.
Os funcionários da Administração Estatal de Câmbio (Safe) imediatamente instruíram sua equipe a investigar os riscos de investimento associados a essa mudança.
Tanto a Fannie Mae quanto a Freddie Mac são empresas hipotecárias que transformam empréstimos imobiliários em produtos de investimento. O governo dos EUA assumiu o controle delas durante a crise de 2008, mas Trump agora quer tirá-las das mãos do governo.
O que chamou a atenção das autoridades chinesas foi a ideia de títulos lastreados em hipotecas que ainda contassem com uma garantia implícita do governo americano. Safe considerou esses títulos — e até mesmo participações acionárias diretas na Fannie Mae e na Freddie Mac — como possíveis substitutos para os títulos do Tesouro americano.
Eles também não estavam fazendo suposições. Pessoas familiarizadas com a agência disseram que a mudança foi baseada na proteção das enormes reservas cambiais da China, que ainda estão profundamente atreladas a ativos em dólares americanos.
As reservas da China em moeda americana são resquícios do crescimento do país, fortemente impulsionado pelas exportações. As fábricas produziam bens para o Ocidente, cash entrava e o excedente era investido em títulos do Tesouro para ajudar Washington a manter as finanças em funcionamento.
Essa reserva atingiu US$ 4 trilhões em 2014 e não caiu abaixo de US$ 3 trilhões desde 2016. Em determinado momento, 60% das reservas da China estavam em ativos denominados em dólares americanos, com títulos do Tesouro representando a maior parte. Mas as falhas dessa carteira começaram a aparecer rapidamente.
Um artigo escrito por Pan Liu e Zhang Weiwan, também da Universidade Tsinghua, em 2024, alertou que o que aconteceu com o dinheiro da Rússia mostrou o quanto os EUA controlam o sistema do dólar. Eles afirmaram que “a lição para a China é clara”
Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024, a China reduziu suas reservas de títulos do Tesouro dos EUA em 27%, para US$ 759 bilhões, uma queda muito mais acentuada do que o declínio de 17% observado entre 2015 e 2022.
A China não se limitou a se desfazer de títulos do Tesouro. Segundo relatos, o país passou a investir em títulos de agências governamentais — títulos emitidos por empresas como a Fannie Mae. Esses títulos possuem classificações de crédito semelhantes, mas oferecem rendimentos melhores. De 2018 ao início de 2020, a China aumentou suas reservas de títulos de agências governamentais em 60%, atingindo US$ 261 bilhões.

