ÚLTIMAS NOTÍCIAS
SELECIONADO PARA VOCÊ
SEMANALMENTE
MANTENHA-SE NO TOPO

As melhores informações sobre criptomoedas direto na sua caixa de entrada.

Produtores de café havaianos dizem a Trump: 'Suas tarifas também nos prejudicarão'

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
Produtores de café havaianos dizem a Trump: 'Suas tarifas também nos prejudicarão'
  • Os produtores de café havaianos dizem que as tarifas de Trump sobre o Brasil e o Vietnã os prejudicarão, em vez de ajudá-los.
  • Preços mais altos podem reduzir a demanda em todo o mercado de café, incluindo os grãos premium de Kona.
  • O Havaí não consegue produzir café suficiente para atender à demanda dos EUA devido às limitações de terra e clima.

Os produtores de café havaianos não estão aceitando a estratégia de guerra comercial de Trump. Eles estão dizendo a ele sem rodeios: essas tarifas não vão nos ajudar, elas vão nos destruir.

Segundo a Bloomberg, os agricultores do Havaí estão agora contestando a ideia de que as tarifas sobre o Brasil e o Vietnã beneficiarão suas operações. Eles afirmam que é o contrário. Se Trump levar adiante a imposição de uma tarifa de 50% sobre o Brasil e de 20% sobre o Vietnã, os produtores do Havaí sofrerão, assim como todo o mercado de café.

A ideia parece boa no papel. Já que o Havaí é o único estado americano que cultiva café comercialmente, talvez essas tarifas deem uma vantagem aos produtores locais, certo? Mas os agricultores são claros: não é assim que funciona.

“As tarifas provavelmente nos prejudicarão tanto quanto prejudicariam as torrefadoras do continente”, disse Suzanne Shriner, que administra a Lions Gate Farms e também atua como vice-dent da Associação de Produtores de Café de Kona.

Aumentos de preços reduzem a demanda e prejudicam os produtores locais

Shriner diz que está vendo isso acontecer em tempo real. Se os preços subirem em geral, os consumidores de café começarão a deixar de tomar a bebida matinal ou a optar por alternativas mais baratas.

Os preços do café já estão altos devido a problemas na produção global. Agora, some-se a isso as tarifas. A Starbucks pode perder 1,4% de seus lucros se a taxa brasileira subir de 10% para 50%, segundo o analista Andrew Charles, da TD Cowen.

Trump alega que está apenas tentando equilibrar as condições de concorrência. Ele quer corrigir o que chama de práticas comerciais desleais e trazer a produção de volta para casa. Mas café não é aço. Não pode simplesmente ser repatriado. Como Bill Murray (não, não o ator, o presidente da Associação Nacional do Café) apontou em uma carta ao Representante Comercial dos EUA, “o café simplesmente não pode ser cultivado na maior parte dos Estados Unidos”

Isso deixa o Havaí. E aqui está o problema: eles não têm espaço para aumentar a produção. O USDA prevê que o Havaí produzirá apenas 12.040 toneladas de cerejas de café entre 2024 e 2025, e esse número diminui ainda mais depois que o café é processado em grãos utilizáveis.

Enquanto isso, os EUA importaram mais de 450 mil toneladas de grãos de café não torrados somente do Brasil em 2024, avaliadas em quase US$ 2 bilhões. "Isso está longe da escala necessária", alertou Murray. E a associação sequer se pronunciou sobre as mais recentes ameaças de tarifas.

Os grãos de café de luxo não sobreviverão se o café diário se tornar inacessível

Há outro motivo para a pressão sobre os produtores havaianos. Dois terços dos americanos bebem café diariamente, em média três xícaras por dia. Se a inflação e as tarifas aumentarem o preço de um pacote básico de Maxwell House, as pessoas não recorrerão ao café Kona. Elas optarão por Red Bull. Ou simplesmente deixarão de comprar.

“Se o preço, digamos, do Maxwell House dobrar no supermercado, não acho que as pessoas vão pensar: 'Ah, agora vou comprar café Kona'”, disse Tony Tate, coproprietário da Ka'awaloa, uma fazenda de café e cacau de 2,8 hectares. Um quilo de grãos de Kona torrados custa US$ 60, e nos EUA o preço médio do quilo de café torrado moído é de US$ 8. Os grãos verdes do Havaí valem US$ 21,90 por quilo atualmente, mas quando chegarem às prateleiras dos supermercados, esses valores provavelmente dobrarão.

Isso não é apenas teoria. Adam Potter, que cultiva cerca de 3.000 pés de café e 18.000 pés de cacau na Ilha Grande, explicou claramente: "Se o preço do café em casa ficar inacessível para as pessoas, também ficará inacessível para os cafés exóticos". Em resumo, se as pessoas não podem pagar pelo Starbucks, com certeza não vão comprar os grãos especiais do Havaí.

E não é só o café. A indústria do chocolate também está soando o alarme. A produção de cacau do Havaí é minúscula — nem chega a 50 toneladas de grãos secos em 2022. Os EUA tiveram que importar quase 200 mil toneladas de cacau no ano passado. Empresas como a Hershey estão implorando por isenções tarifárias. Em maio, a empresa afirmou ter enfrentado US$ 20 milhões em custos extras apenas em um trimestre. Se essa situação persistir, o valor pode chegar a US$ 100 milhões até o final do ano.

Se você está lendo isto, já está um passo à frente. Continue assim assinando nossa newsletter.

Compartilhe este artigo

Aviso Legal. As informações fornecidas não constituem aconselhamento de investimento. CryptopolitanO não se responsabiliza por quaisquer investimentos realizados com base nas informações fornecidas nesta página. Recomendamostrona realização de pesquisas independentesdent /ou a consulta a um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.

Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid é uma escritora de finanças com seis anos de experiência cobrindo criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, cobrindo análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e já participou três vezes de programas em uma das principais redes de TV da África para compartilhar insights sobre o mercado de criptomoedas.

MAIS… NOTÍCIAS
INTENSIVO AVANÇADAS
CURSO